sábado, 17 de dezembro de 2011

Última chance na Terra


Recentemente ando lendo. Ando lendo livros. Algumas vezes leio andando mesmo. O fato é que ler é uma das formas em que mais consigo absorver as mentes dos outros. Sinto minha cabeça como uma esponja gigante. Algumas gotas pingam, vez ou outra.
Numa destas leituras-absorções, eu consegui retransmitir algo que peguei a alguém que se preparava para sua partida, rumo à Eternidade. Talvez nem mesmo ela soubesse. Talvez se eu soubesse, não teria lhe ensinado nada do que aprendi naquela leitura. Quem pode realmente saber “quando será o dia da minha sorte”, parodiando uma muito antiga letra?
Dada a dita e, triste, muito triste partida, continuei eu a ler. E lendo fui aprendendo mais. Aprendendo mais, mais fui lendo e aprendendo a ler aprendendo a aprender. Coisa interessante é que o livro, digo do exemplar, era um encalhe numa livraria. Quem sabe por quantas prateleiras / mãos tenha ele passado até cair num cesto de vime.
Num mês perdido de 2010, passei e vi um cesto cheio de livros em promoção. Comprei 3 ou 4 (acho que 5, na verdade). Este que falo aqui, estava tão conservado, que parecia vindo do interior de uma gaveta especial. Ao chegar à metade do mesmo, percebi que as folhas finais indicavam um ‘fim da vida’ do livro como exemplar. Comecei a leitura-despedida, ebtão.
Certa manhã, de caminho à labuta, percebi que quanto mais eu seguia em ler, mais ele morria: suas últimas páginas estavam se desprendendo da cola. O tipo de encadernação era muito ruim. E agora? Guardo ele pra não mata-lo? Prossigo e deixo ele se doar até morrer? Tive que parar de ler pois o pobre desmontou...
Uma das coisas que penso ter aprendido com tal relato fúnebre, ainda que o livro esteja apenas na UTI, é que não sabemos de fato qual das atuais / próximas experiências ou atividades serão nossas últimas! Oh, céus! Eu descobri a Pólvora do Óbvio. Comecei, então, a me indagar sobre as lições da vida. Será que estou atento a cada uma delas?
Lembro-me das várias vezes em que os mais sábios alertaram-me sobre algo. Das várias vezes que dei de ombros (ou não dei de ouvidos?). Trechos da vida à frente ficava eu: “como é, mesmo, que meu avô disse?”. As folhas desmoronando me fizeram pensar que tais ensinos poderiam ser únicos no mundo (apenas difícil, não impossível) e eu, o único portador / detentor! Como fazer pra continuar sabendo? Como passar adiante? Será que aprendi bastante? Que “vivi” as páginas o bastante?
Não lido o livro, não morto o livro, não morto eu, nem terminado estas linhas penso: “não sei o que será único. Eu nunca soube o que iria ser único. Após algumas perdas é que descubro”. O mais interessante, é que o livro fala sobre os sofrimentos da vida não serem sem fruto e nem propósitos, mesmo quando levam à morte. O livro provou com sua vida!
A idéia que quero deixar não é a de desdobramentos em ansiedades loucas, nem em progressos tecnológicos ou humanísticos nem na promoção de um mundo “Paz e Amor” não. Quero que os homens façam o que for possível junto a Deus, pelos seus semelhantes (I Tm 2:8). Não apenas desejando o bem, pregando o bem, rogando aos céus ou fazendo caridades mas, amando e lendo o livro: A Bíblia, antes que ela possa se desfazer em nosso mundo. Amém.

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