quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ilustrações do Reino de Deus


Houve um escritor que idealizou em sua mente uma história sobre um homem. Não é difícil reconhecer que a história era bem idealizada. É difícil negar que tal história tenha feito sucesso.
Passaram-se muitos e muitos anos e, outro escritor idealizou uma outra história de bem maior sucesso. A história acima tinha algo em comum com esta última: ficção. Apesar de serem histórias cativantes, ilustrativas e belas, são fatos irreais. Parodiando texto-clichê de alguns tipos de filmes: “esta história é baseada em fatos irreais” (criados mentalmente).
Quando eu comecei a ouvir sobre a libertação causada pelo Evangelho, um dos pontos fortes eram os testemunhos das pessoas que passaram verdadeiramente por fatos fantásticos, porém reais. Era algo assombroso ouvir sobre livramentos de morte onde armas não dispararam ou pessoas que tomaram veneno ou sofreram graves acidentes e ficaram com a vida por um fio bem fino, sobreviveram.
Examinando o quadro geral da história citadas no início, vemos que as pessoas estão se alegrando, se instruindo, estudando e até testemunhando de criações da mente humana! Quando usamos historietas para crianças conseguirem fazer um comparativo, estamos ensinando-as a fazer simples comparativos que, por sua mentalidade, ainda não é possível ser feito com sua experiência pessoal (pois seu banco de dados é mínimo).
Nos últimos anos (mais de uma década), temos visto uma massiva fábrica de ilustrações. Sabe-se que é um recurso que, sem exageros e sem endeusamento, pode ser proveitoso para fazer com que os ouvintes memorizem os pontos principais. Mas o que temos detectado é o contrário: está sendo feito uma adoração tão grande a isso que, em vários casos, os que recebem tais tipos de ensino passam a usar mais as fábulas que os relatos bíblicos.
Recentemente tenho feito comparativos entre tais historietas cristãs e tenho observado que, ou elas são ficção (mentira) repassadas como item essencial  ou, pior, são recontadas crendo-se serem fatos realmente acontecidos. Com o passar dos anos, alteram-se pequenos detalhes mas o enredo principal é o mesmo, sendo inviável crer que fatos tão semelhantes tenham acontecido duas vezes.
Semana passada eu ouvi em um culto alguém “testemunhar” de uma destas histórias por ter ouvido de uma outra pessoa. Após isto, outras pessoas ficaram fazendo referências à este testemunho como que sendo algo muito sério e proveitoso! Estavam transformando-a numa espécie de passagem bíblica! E ainda analisavam o caráter da personagem principal, o “irmão José”.
Irmão José orava sempre: “Jesus, José está aqui”. Somente estas palavras. Num momento crítico de dificuldades, Cristo teria dito: “José, Jesus está aqui”. Esta mesma história era contada em início da década de 90 chamando-se José de “Eu”, que era um mendigo. Mas a narrativa era idêntica. Eis um exemplo claro do perigoso exagero no uso de tal tipo de recurso, o das ilustrações.
Sobre as histórias famosas do início, o nome da primeira é “O Peregrino”. A segunda, “A Cabana”. Ambas são ficção mas muitos não sabem disto. A mais recente gerou tanta exploração comercial, que lançaram um segundo livro e depois outro (terceiro) no melhor estilo “Como aproveitar o livro X”, nos mesmos moldes que aconteceu com “O Segredo”. Desta vez mudaram o enfoque para o mundo evangélico consumista, mais conhecido como gospel.
Meus pensamentos não são para sentenciar ou ter a honra ou obrigação de catalogar tudo o que existe mas, para tentar movimentar as mentes para fazerem isso por si mesmas. Claramente vemos mais e mais práticas estranhas, suspeitas e muitas até anti-bíblicas pelos nossos pseudo-mestres modernos. Pesquisem mais. Meditem mais. Orem mais. O Espírito Santo lembra-nos e nos ajuda a aprender mas, estudar e pesquisar, é por nossa conta. Vivamos experiências reais e nos aprofundemos na Palavra. Antes, nós firmávamos nossos pés em pensamentos humanos de livros teológicos. Hoje, em invenções sabe-se lá de onde...

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