sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Jesus Acalma a Tempestade

Podemos imaginar como eram os barcos usados pelos pescadores galileus com a descoberta de um exemplar em 1985 enterrado a beira do lago e datado do primeiro século da era cristã. A localização só foi possível devido a um período de estiagem do Mar da Galileia. Ele media cerca de 6 a 7 metros e foi restaurado pela arqueologia de Israel. Podemos supor que Jesus tenha dormido em um barco semelhante a este, recostado sobre um travesseiro na popa da embarcação.

A Bília nos narra que o barco já estava cheio d'água e sendo jogado de um lado ao outro por uma tempestade de vento. Supõem-se que, além da invasão da água do mar como a Bíblia nos registra, estava debaixo de intensa chuva. Mas apesar de toda adversidade do tempo, o mestre dormia de forma tranquila e sem se preocupar. Essa tranquilidade surpreendeu os discípulos ao ponto de um deles questionar se ele não se importava que morressem. Ora, Jesus foi para o barco para descansar e assim o fez. A partir dessa informação, surgem algumas indagações: Porque Jesus estava tão cansado? A resposta é simples: ele teve uma agenda atarefadíssima naquele dia.

Através de uma consulta nos quatro livros evangélicos e na Geografia da Galileia, podemos traçar o que foi aquele dia na trajetória de Cristo. Devemos considerar a hora que começou o dia do mestre como sendo às 5 horas da manhã. Devido a ausência de luz, os galileus (ou melhor, os judeus em geral naquela época) levantavam bem cedo para aproveitar a luz do dia. Um costume bem comum entre os povos antigos. Então logo cedo Jesus começa o seu dia na Sinagoga de Cafarnaum, a mesma que no início do ministério veio a ler o livro de Isaías. Hoje em dia as ruínas dessa sinagoga podem ser visitadas em Israel.

Na sinagoga Jesus expulsa uma legião de demônios que afligiam um homem. Esses seres ainda questionaram porque Jesus estaria os opor tunando antes do tempo. Jesus simplesmente mandou eles se calarem e que se retirassem.

Após o fato na sinagoga, Jesus saiu acompanhado da multidão e dirigiu-se para um monte. Esse local ficava a cerca de 4 Km de Cafarnaum em local hoje conhecido como Monte das Bem-aventuranças na região denominada de Tabgha. O evangelho de Mateus nos capítulos 5,6 e 7 nos relata as mensagens proferidas por Jesus neste local, destacando-se dentre elas a "bem-aventuranças daquele que serve a Deus". A Bíblia nos narra que era comum Jesus sentar-se na relva para ensinar ao povo. Certamente aproveitava-se da tranquilidade e da declividade do local.

Após essas pregações pela manhã, Jesus desceu do monte e deparou-se com um leproso que suplicou ser curado. Jesus curou-o e mandou ele fazer uma oferta ao sumo sacerdote. dali ele seguiu para Cafarnaum. Antes de entrar em Cafarnaum, foi procurado para que fosse a casa um centurião romano, pois este tinha um servo paralítico adoentado. O que há de singular no fato é que, os fariseus que sempre procuravam ser um empecilho no ministério de Jesus, estavam em comum acordo quanto a esse fato. Eles desejavam que o pedido do centurião fosse atendido, pois o militar muito fez pela religião judaica, tendo inclusive propiciado a construção da sinagoga de Cafarnaum.

Antes de chegar a casa, servos do militar vão ao encontro de Jesus e relatam a mensagem do centurião. Ele não se achava digno de receber a visita de Jesus e muito menos de estar diante dele. Pede então somente uma ordem de jesus para que seu criado fosse curado. Tal fato trouxe elogios de Jesus, pois não vira entre os judeus fé igual.

Após esse fato Jesus vai à casa de Pedro. Vale salientar que alguns evangelhos também mencionam a cura de um paralítico antes dessa ida. Trata-se do evento em que quatro homens descem um paralítico pelo teto de uma casa. Jesus perdoa os pecados e cura o paralítico. O fato é que chegando na casa de Pedro, Jesus encontra a sogra do discípulo acamada e com febre. Após curá-la, ela passa a servi-los. Jesus certamente almoçou nesse momento.

A tarde, ele prosseguiu realizando curas de endemoniados e doentes e teve diálogos pelo quais dois ficaram registrados na Bíblia. Para um homem que disse que iria para onde quer que o mestre fosse, Jesus responde que as "raposas tem seus covis e as aves seus ninhos, mas o filho do homem não tem onde recostar a cabeça". Outro pediu tempo para enterrar seus pais, porém Jesus responde que os os mortos deveriam enterrar seus mortos.

Foi um dia cheio e ficou marcado de ensinamentos para os discípulos daquela época e para toda a igreja através dos séculos. Após esses fatos e já ao entardecer, Jesus dirige-se ao mar com seus discípulos saindo de Tabgha para descansar longe da multidão. Já no mar, o tempo fechou de vez e segui-se uma tempestade trazendo grande dificuldade para os discípulos pescadores.

Embora seja um grande lago de água doce, o mar da Galileia produz ondas altas e perigosas para os pequenos barcos de pescadores. Isso deve-se a diferença de temperatura entre o ar quente do Norte e o Mar da Galileia. O Mar é separado a leste pelas montanhas que se iniciam no Monte Hermom até o monte Nebo, e a Leste, pelo Tabor e outras regiões altas. Na alta Galileia, essas duas extremidades altas se bifurcam e são separadas pelo vale do rio Jordão formando um corredor que desemboca no mar. Por aí se formam fortes ventos que se agravam nas tempestades. Cafarnaum e Betsaida-Júlia são cidades que ficam justamente nas proximidades da foz do rio. E foi esses fatores que propiciam as tempestades descritas na Bíblia.

Apesar da experiência dos pescadores, a situação em que se encontravam trouxe muito medo. Os discípulos acreditavam que estavam preste a afundar com o barco e Jesus dormia enquanto isso. Mas o mestre não mostrou qualquer preocupação com aquela situação, antes questiona a falta de fé dos apóstolos. Porque eles estavam tão aflitos? Eles ainda não tinham a real percepção do poder de Jesus frente a natureza e que nada aconteceria se estivesse ao lado do mestre. Então, Jesus ordenou que o mar e a tempestade se acalmassem e, com isso, seguiu-se a bonança.

Assim é as nossas vidas: muitas vezes entramos em um barquinho e com a permissão de Deus o nosso mar se agita, provando o tamanho da nossa fé. O mar é o lugar da travessia e da provação. Deus fica vendo como reagimos ao tamanho das ondas. As ondas são nossos problemas, aflições, desânimos, traições, enfim, tudo aquilo que pode nos fazer afundar e nos afogar. Mas |Deus está sempre perto para trazer alívio no momento de maior aflição e nos ensinar que Ele é quem devemos nos mirar em todos os momentos de nossas vidas. Deus nos lembra que é nele em quem devemos colocar todo viver.

S. J. Meriti, em 31/01/2012.
Por N. A. Araújo, Músico e Ministro de Louvor.

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