segunda-feira, 26 de março de 2012

Sustentabilidade e Reciclagem


Há muito tempo vi uma propaganda numa destas revistas semanais “de tudo um pouco” na qual exibia uma imaginária sucessão de camadas de povoamentos ( como quando acontecem grandes deslizamentos de terra ), mostrando caveiras de piratas, de lutadores, moedas, partes de casa antigas e, finalmente, uma metrópole. Tudo isto num corte do solo mostrando até mesmo esgotos, galerias subterrâneas e etc. Ou seja, em cima de todas as destruições e dejetos, moramos e vivemos.

Dia destes, passando em frente a um supermercado, observei que o cheiro (sim, este é do exemplo é sempre catingoso) havia começado a ser sentido há uns 2m ou mais da calçada, sarcasticamente eu fiz um elogio mental: estão em progresso! Afinal, se somos cosmopolitanos ou cosmopolitadeiros, havemos de esperar as esperadas melhorias, no sentido de aumentos. Na Europa vemos lugares limpos e cheirosos, com pessoas asquerosamente educadas, mas isso é lá naquele fim-de-mundo...

Por cá (não é ‘porca’) somamos esgoto às águas, pra indicar evolução das cidadelas e dos aglomerados de massas. Pintamos as nuvens de marrom-fuligem, pra quem navega saindo de Niterói à Pça. XV não perder o amor à tal glamourosa e adiantada cidade. Local este que estudou nas cadeiras de mestrado de sua prima, São Paulo: estamos em plena implantação de ruas na base de 20km/h máximos...

Rinites, faringites, taquicardias, esgotamentos físicos e mentais e outras evoluções desde várias décadas estão germinando; dos anos 80 pra cá conseguiram florestar consultórios, UPAS e lares. Nos locais de trabalho? Aí depende. Se for um local pequeno, estilo ‘família’, não pode. Não rima. Sendo um local agrandalhado e cheio de técnicos, engenheiros, tecno-burocratas, contadores, boys, gerentes e propagandas, aí tudo bem; e´ essencial termos isso, pois os planos de saúde precisam ser usados! Quem vai querer aguardar semanas ou meses por um eletro-cardiograma no SUS?

Lembro-me das hibernantes figuras nas barcas leviatânicas e ébrias singrando as lamas líquidas da Baía de Guanabara: eram muitas pessoas que ‘entregavam a alma’ em suaves dormidas. Várias mulheres trajadas à moda boutique perdiam a pompa e jogavam cabeças pra trás e esparramavam as canelas a dormir. Outros, seguiam em amistosas e urbanas prosas. Havia até mesmo coros religiosos, no andar de cima. Que passado mais primata! Nas velozes barcas de hoje, impera apenas a pressa e descortesias várias.

Você ainda não desfruta disto em seu bairro? Só tem um esgotinho de leve? Algum fluxo de água semi-tranparente ainda é visto devido a alguma mata cheia de árvores porcas com suas sujeiras de galhos e passarinhos cagões, que impedem ouvirmos os brados de canções de algum Mc? Não se apavore! Compre um pacote de canais com a visão escravizadora de estrangeiros, coma alguma coisa junk tipo pizza e evite suar, andando a pé ou exercitando-se. Ah, não perca tempo falando com pessoas: abuse dos ciber-papos, chats e outros abstratores de vínculos realistas.

Agora que destroçamos, degeneramos, e quase nem água temos, é que despertamos pra Sustentabilidade e pras reciclagens: estamos ficando sem coisas; temos que recomer e reusar os lixos! A Sustentabilidade puramente, não nos salvará. Temos que rever o que realmente precisamos ter, fazer, comer e até mesmo o que/como nos relacionarmos. Viva as bicicletas, as poesias escritas e decoradas, as pracinhas bucólicas interioranas e seus vovôs e suas cartas e histórias tetra-repetidas.

Termino meu pequeno relato parabenizando os governantes que produzem mais pombais, produtores de caudais e cáusticos jorros de brutal esgoto em canalizações totalmente projetadas para alagamentos vários, com direito a pipizinho de simpáticos roedores a nos banhar as pernas em dias de chuvas semi-ácidas (breve serão acidas de fato) causadas por excesso de massas quentes dos pedregosos quintais concretados para a cocozada canina, skates e churrascos vários.



R.S.Costa
Maricá, 26-03-2012

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