domingo, 30 de setembro de 2012

EBD Editora Betel - As Origens do Apóstolo Paulo



Nota Extraordinária D.A.:  

            Desculpem-nos, simultaneamente, a pequenez de nosso esboço sobre Paulo, e o gigantismo desta postagem para EBD. Parece contraditório, mas para estudos sobre o Apóstolo do Amor, está muito condensado. Já para um suporte a mestres, começou a agigantar-se por demais. Mas nossa pena clama com nosso coração por mover-se meio ao papel. Se ao menos UM PROFESSOR tiver lido e aproveitado tudo, terá sido benéfico ao Reino. Confessamos que nunca vimos um grupo tão neutro (barulhento, mas neutro) como os pentecostais, especialmente AD Madureira... Morreremos tentando (ou conseguindo) mudar essas mentes. Afinal, despertar a Noiva é um dos lemas do D.A.!




Assembleia de Deus CONAMAD
Lição 02 – 07 de Outubro de 2012
escola dominical betel escola biblica betel escola bíblica betel escola dominical conamad auxilio professor ajuda professor subsídio professor auxílio professor subsidio comentario ebd comentário bíblico ebd professor mestre comentário biblico escola dominical comentario biblico escola bíblica comentario bíblico pregação pregador palestra estudo bíblico bíblico
Texto Áureo

“Mas o que, para mim, era lu­cro, isto considerei perda por causa de Cristo”. Fp 3.7

Não que Paulo tenha ficado inculto ou ignorante. Nem mesmo passou a ter um vocabulário bárbaro. O que ele antes ostentava como glória, agora era nada diante de Cristo, seu novo e definitivo Senhor.

Verdade Aplicada

É fato inegável que a linhagem, o lugar de nascimento e a cultura de Saulo de Tarso contribuíram decisivamente para que o Evan­gelho fosse divulgado em todo mundo antigo.

Sabemos que Deus prepara as coisas de antemão e que as que ocorrem para o mal, lhe servem de matéria pois ele trabalha com este fato e este conhecimento prévio em benefício de seus planos (Rm 8:28). A chamada de um homem tão douto, culto, gabaritado, eloqüente e com as melhores condições de entrar, permanecer e sair de lugares, países e ambientes teria sido ao acaso? Eis o motivo (este é apenas um exemplo) de não concordarmos com o provérbio “Deus não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos”. Entendemos que ele também escolhe incapazes e que também aprimora e acrescenta aos muito capazes.

Objetivos da Lição

► Entender o valor representa­tivo das origens de Paulo em sua visão religiosa judaica.
► Mostrar como as raízes de Paulo colaboraram positiva­mente após sua conversão e através de sua pregação.
► Reconhecer que Deus se utiliza tanto de nossas origens quanto do que somos, para re­alização da sua obra.

Glossário

Célebre: ilustre, nobre, notável;
Traslado: deslocamento de um lugar para outro;
Promissor: próspero, esperançoso;

Textos de Referência

Fp 3.4 Ainda que também po­dia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu.
Fp 3.5 Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu,
Fp 3.6 quanto ao zelo, perse­guidor da igreja; quanto à justi­ça que há na lei irrepreensível.
Fp 3.8 Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.
 

Introdução

Para compreender as origens de Paulo - aquele que se tornou o Apóstolo dos Gentios, o primeiro bandeirante do Evangelho ao lado de Barnabé – exige-se esforço e horas a fio, de leitura e investigação. Ao longo deste trimestre, buscaremos ler e entender sobre ele cujo labor missionário, obra social e trabalho doutrinário fizeram repercutir, através dos séculos, resultados incontestáveis acerca da fé cristã.

Quem não possui vontade de estudar horas a fio para conhecer Paulo, que se dirá de entrar no Céu (tomado por força/esforço)? Não quer dizer que se estudarmos pouco, nada saberemos e estamos perdidos nem que quem muito estuda, mais “merece” a Salvação. É necessário crescer no conhecimento E na Graça! Por outro lado, quem está ‘grande’ e não consagra sua vida e não socorre os necessitados, também está em débito. Aquele que tudo isto faz muitíssimo bem, ainda assim não pagaria sua Salvação: é dada pela Graça (e de graça). Nos empenhemos muito mais na causa da Obra do Pai, em nome de Jesus.


1. Seus Dados Pessoais

Estudaremos, a seguir, as origens daquele que, após Jesus, tornou-se a figura de maior expressão do Novo Testamento. Muitos são os detalhes com respeito à pessoa de Paulo, seu nome, onde nasceu e a grandeza da sua cidade natal. São informações importantes para entender um pouco mais sobre a história desse homem tão brilhante em sua época. Ele continua contribuindo enormemente para com a fé cristã através de sua vida, cartas e teologia.

Há quem pense e diga que Paulo mudou tudo o que Cristo ensinou, o que é um engano absurdo, mas não inédito. Outros entendem que sua teologia era diferente da de Cristo e, principalmente de  Tiago. Veremos à frente Tiago pregando a Graça e Paulo as obras, devido a muitos acharem que seja o contrário. E sobre a Salvação e vida cristã, os ensinos de Pedro e de João, não devem ser em separado. Logo, é necessário estudar quatro vezes mais que o que consta na introdução, que se refere e aconselha apenas sobre Paulo.

1.1. Nome

Paulo se chamava também Saulo (At.13.9), nome hebraico derivado de "Saul", que significa "pedido". Nasceu em Tarso, na Cilícia, no ano 1 d.C. (At.21.39). Era judeu por descendência e romano devido ao status de sua cidade natal no Império (At.16.37; 22.25-30). Paulo era seu nome romano, derivado do latim "Paulus", que significa "pequeno" (At.13.9).
O livro "Atos de Paulo e Tecla" nos apresenta o apóstolo como um homem de "baixa estatura, cabelos ralos, sobrancelhas ligadas e nariz convexo."
Jerônimo escreveu que os antepassados de Paulo viviam na Galiléia e depois migraram para Tarso. Eram, portanto, judeus da diáspora. Não sabemos os motivos da mudança, já que eram várias as razões que faziam com que muitos judeus abandonassem a Judéia. O próprio crescimento do comércio no Império era motivo de muitos deslocamentos.
Tarso era a principal cidade da Cilícia, célebre (At.21.39) e bela. Era um centro cultural, religioso e filosófico. Possuía um templo dedicado a Baal e uma universidade tão importante quanto às de Atenas e de Alexandria.
A família de Paulo pertencia à tribo de Benjamim. Não se sabe o nome dos seus pais, mas apenas que eram da seita dos fariseus, à qual o próprio Saulo aderiu. (At.23.6; Fp.3.5 Rm. 11.1).

Anísio Renato de Andrade

Desde o nascimento Paulo foi cidadão romano, mas sempre se ufanou de ser judeu e fariseu.
Ele tinha dois nomes: Saulo, o nome judaico e Paulo o nome grego.
Paulo afirma em suas cartas que seu nome é PAULO. Foi denominado assim desde o nascimento e não somente depois de sua conversão.
Este nome é usado também por Pe 3,15 e nos Atos dos Apóstolos a partir de 13:9. Nos capítulos anteriores dos Atos é chamado SAULO, que é uma helenização do hebraico “SAUL”.
Em At 13:9 encontramos a expressão “SAULOS de kai PAULOS” (Saulos de xai Paulos) que significa “Saulo ou Paulo”.
Paulo é forma grega de sobrenome de família romana. Tinha este nome por ser cidadão romano (At 26:39, 22:27, 25:10). Facilmente algum ascendente de Paulo era um escravo. Libertado pelo dono assumiu o nome do patrão.
Saulo é um nome acrescido. Tinha, então, um nome grego e outro semítico, conforme era costume dos judeus da época. É errado dizer que antes da conversão se chamava Paulo e depois Saulo. Também depois da conversão, os Atos dos Apóstolos usam diversas vezes a expressão Saulo.

                                Autoria imprecisa (disponível na Internet)

Segundo historiadores, Paulo tinha um nome latino completo composto de três palavras (como por exemplo: Gaius Julius Caesar). Nas primeiras duas tinham-se nomes comuns a todas as famílias (no caso de César, Gaius Julius). A história da vida de Paulo foi escrita pela primeira vez por um  grego, amigo dele. Os gregos não conseguiam entender  nomes latinos, então as duas primeiras se perderam com o tempo. O terceiro nome, chamado cognomen, era Paulus. Ao ser circuncidado(no oitavo dia de vida), durante o ritual, ele também havia recebido um nome judaico: "Saulo". Teria este nome sido  escolhido ou por causa do seu significado, "pedido", ou em honra do benjamita mais famoso de toda a história, Saul, o primeiro rei de Israel.
Saulo era o nome usado em casa, ressaltando que a herança judaica lhe era a coisa mais importante nos seus primeiros anos.

1.2. Local de nascimento

Tarso era a principal cidade da fértil planície da Cilicia, no extremo Sudoeste da Ásia Menor. O mar distava dezenove quilômetros, ao sul. As montanhas do Tauro curvavam-se num grande arco cerca de 40 quilômetros para o interior, aproximando-se do mar no lado oeste e marcando ao norte gargantas e penhascos que se elevavam como fortalezas diante das nevascas. Um panorama magnífico para a infância, especialmente no inverno, quando os picos sem nuvens eram recobertos de neve branca e suave.

O Apóstolo – John Pollock – Ed. Vida

A preciosa e desejada cidadania romana o livraria da prisão, como vemos em At 22:25. Possivelmente o livrou da morte também (At 23:27).
Havia vários modos de se obter a cidadania romana. O tribuno, ou comandante, em Atos 22:28 , disse ter “comprado” sua cidadania por “grande soma de dinheiro”. Nas demais vezes, porém,  era uma recompensa por algum serviço de grande vulto fora do comum ao Império Romano, ou era concedida quando um escravo recebia a liberdade.
A cidadania romana era muito valiosa e bem-vinda, pois concedia direitos e privilégios especiais como, por exemplo, ser livrado de certas formas de castigo. Um cidadão romano não podia ser açoitado (como fora Paulo), preso aleatoriamente nem crucificado.
Porém, as  relações entre os judeus e Roma não era de todo feliz. Era raro os judeus se tornarem cidadãos romanos e quase todos os que alcançaram tal dádiva moravam fora da Palestina.

1.3. Exuberância de Tarso

Tarso era uma fusão de civilizações em paz sob o governo de Roma: cilicianos nativos e hititas cujos ancestrais haviam dominado a Ásia Menor; gregos de pele clara; assírios e persas, e macedônios que vieram com Alexandre, o Grande, em sua marcha contra a índia. Depois de formado o império de Alexandre, quando Tarso se tornou parte do reino dos selêucidas que governaram da Síria, Antíoco IV, por volta de 170 a.C, introduziu na cidade uma colónia de judeus. Estes, além de direitos e privilégios, possuíam a determinação de nunca dar seus filhos em casamento aos que não pertencessem à sua fé e ao seu sangue, aos quais chamavam de gentios, "nações" ou "gregos". É provável que os ancestrais de Paulo estivessem entre esses judeus que, por sua vez, devem ter saído da obscura cidade de Giscala, na Galileia.

O Apóstolo – John Pollock – Ed. Vida

Vemos nos azuis da revista, que Paulo teria nascido entre 5 e 8 d.C., porém ao pesquisadores divergem bem nestes dados. Vejamos: Anísio Renato de Andrade (citado em 1.1), atribui o ano 1 d.C., Luiz Gonzaga de Alvarenga estipula o ano 5 d.C., Edson Poujeaux Gonçalves dá o ano 6 d.C. e Charles Ferguson Ball atribui o ano 3. Pensamos, baseados nisto, que tenha se dão entre 1 e 10 d.C. sem muitas precisões nem de estarmos livres de desvios em tais estipulações.

No primeiro século, Tarso era a principal cidade da província da Cilícia na parte oriental da Ásia Menor. Embora localizada cerca de 16 km no interior, a cidade era um importante porto que dava acesso ao mar por via do rio Cnido, que passava no meio dela.
Ao norte de Tarso erguiam-se imponentes, cobertas de neve, as montanhas do Tauro, que forneciam a madeira que constituía um dos principais artigos de comércio dos mercadores tarsenses. Uma im­portante estrada romana corria ao norte, fora da cidade e através de um estreito desfiladeiro nas montanhas, conhecido como “Portas Cilicianas”. Muitas lutas militares antigas foram travadas nesse passo entre as montanhas.
Tarso era uma cidade de fronteira, um lugar de encontro do Leste e do Oeste, e uma encruzilhada para o comércio que fluía em ambas as direções, por terra e por mar. Tarso possuía uma preciosa herança. Os fatos e as lendas se entremesclavam, tornando seus cidadãos ferozmente orgulhosos de seu passado.
O  general romano Marco Antônio concedeu-lhe o privilégio de libera civitas (“cidade livre”) em 42 a.C. Por conseguinte, embora fizesse parte de uma província romana, era autônoma, e não estava sujeita a pagar tributo a Roma. As tradições democráticas da cidade-estado grega de longa data estavam estabelecidas no tempo de Paulo.
Nessa cidade cresceu o jovem Saulo. Em seus escritos, encontramos reflexos de vistas e cenas de Tarso de quando ele era rapaz. Em nítido contraste com as ilustrações rurais de Jesus, as metáforas de Paulo têm origem na vida citadina.
O reflexo do sol mediterrânico nos capacetes e lanças romanos teriam sido uma visão comum em Tarso durante a infância de Saulo. Talvez fosse este o fundo histórico para a sua ilustração concernente à guerra cristã, na qual ele insiste em que “as armas da nossa milícia não são carnais, e, sim, poderosas em Deus, para destruir fortalezas” (2 Co 10:4).
Paulo escreve de “naufragar” (1 Tm 1:19), do “oleiro” (Rm 9:21), de ser conduzido em “triunfo”      (2 Co 2:14). Ele compara o “tabernáculo terrestre” desta vida a um edifício de Deus, casa não feita por mãos, eterna, nos céus” (2 Co 5:1). Ele toma a palavra grega para teatro e, com audácia, aplica-a aos apóstolos, dizendo: “nos tornamos um espetáculo (teatro) ao mundo” (1 Co­ 4:9).
Tais declarações refletem a vida típica da cidade em que Paulo passou os anos formativos da sua meninice. Assim as vistas e os sons deste azafamado porto marítimo formam um pano de fundo em face do qual a vida e o pensamento de Paulo se tornaram mais compreensíveis. Não é de admirar que ele se referisse a Tarso como “cidade não insignificante”.
Os filósofos de Tarso eram quase todos estóicos. As idéias estóicas, embora essencialmente pagãs, produziram alguns dos mais nobres pensadores do mundo antigo. Atenodoro de Tarso é um esplêndido exemplo.
Embora Atenodoro tenha morrido no ano 7 d.C., quando Saulo não passava de um menino pequeno, por muito tempo o seu nome permaneceu como herói em Tarso. E quase impossível que o jovem Saulo não tivesse ouvido algo a respeito dele.
Quanto, exatamente, foi o contato que o jovem Saulo teve com esse mundo da filosofia em Tarso? Não sabemos; ele não no-lo disse. Mas as marcas da ampla educação e contato com a erudição grega o acompanham quando homem feito. Ele sabia o suficiente sobre tais questões para pleitear diante de toda sorte de homens a causa que ele representava. Também estava cônscio dos perigos das filosofias religiosas especulativas dos gregos. “Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens... e não segundo Cristo”, foi sua advertência à igreja de Colossos (Cl 2:8).

www.vivos.com.br


2. Origem Familiar

A história não nos fornece informações precisas com respeito à família de Paulo, nem se realmente foi casado ou não, mesmo sendo ele capaz de discorrer com maestria sobre relação conjugal. Todavia podemos facilmente compreender o valor que Paulo dava à família. As instruções precisas e os conselhos sábios contidos na sua correspondência às igrejas demonstram fartamente isso.

            Consta nos grandes centros acadêmicos sobre a existência de escritos de Paulo endereçados ou citando sua suposta esposa. Da mesma forma que isto não é possível de ser provado totalmente, é muito simplória a conclusão comumente pregada de que ele era solteiro, baseando-se em apenas poucos versículos que sugerem linhas de pensamento e suposições, não fatos. A hipótese de ele não ter casado, apenas fortalece a grandeza de Deus em sua vida e ministério: alguém solteiro poderia falar tão magistralmente sobre família, nunca tendo tido tais experiências? Só mesmo pelo E. Santo.

2.1. Hebreu de Hebreus

Se depende de circuncisão – Paulo foi circuncidado no oitavo dia, exatamente segundo a prescrição de Lv 12.3. Se pertencer a Israel significa a salvação – ele é oriundo “da geração de Israel”, sendo até capaz de “citar a tribo a que pertence, algo que somente os membros originários do povo podiam fazer, mas não aqueles que foram agregados mais tarde” (Schlatter). Trata-se daquela tribo a que, conforme Js 18.28, no início também pertencia Jerusalém e da qual surgiu o primeiro rei de Israel, de quem Paulo tinha o nome. Ele é um “hebreu de hebreus”, o que certamente significa: apesar de ser originário de Tarso, ele não descende de judeus helenistas da diáspora, mas de antigos grupos de fala aramaica (cf. At 6.1; 2Co 11.22)! Por acaso algum de seus adversários pode afirmar isso tão facilmente a respeito de si mesmo? A essa sua origem impecável em termos nacionais e religiosos correspondia sua própria atitude interior. Aderira àquele grupo rigoroso no povo que insistia no cumprimento detalhado e completo de toda a lei. No termo “fariseu” não devemos imaginar logo o quadro que, com base nas palavras de Jesus, costumamos conceber de forma demasiado rápida e “farisaica”. Os fariseus eram antes de tudo homens que com zelo ardente e disciplina férrea da vontade realmente tentavam obedecer a Deus em tudo. Se a questão é “fazer”, nós só temos a nos envergonhar com nossa moral cristã morna diante da integridade e resolução daqueles fariseus. Muitos deles confirmaram a seriedade de sua mentalidade por meio de um duro martírio.

    Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança

O escritor, por um momento, coloca-se no mesmo terreno dos seus adversários para mostrar que mesmo de acordo com os padrões deles, ele tinha mais direito de confiar na carne (tomando pepoithesis objetivamente).

    Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

Devemos, também, considerar a ascendência judaica de Paulo e o impacto da fé religiosa de sua família. Ele se descreve aos cristãos de Filipos como “da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu” (Fp 3:5). Noutra ocasião ele chamou a si próprio de “israelita da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim” (Rm 11:1).
Dessa forma Paulo pertencia a uma linhagem que remontava ao pai de seu povo, Abraão. Da tribo de Benjamim saíra o primeiro rei de Israel, Saul, em consideração ao qual o menino de Tarso fora chamado Saulo.

www.vivos.com.br

Notamos facilmente que, apesar de se lançar diante da boca do leão(II Tm 4:17) que eram os reinos, governantes, povos e, principalmente, os religiosos (as religiões, propriamente, não chegam a ser danosas, necessariamente), como um servo humilde, dependente e entregue nas mãos do Senhor, ele sabia cada detalhe de seu histórico, formações (quais tenham sido), caráter, direitos, prerrogativas e sua autoridade como mestre fariseu. Nesta última condição, possuía pleno poder para fazer o que quisesse, inclusive assolar a Igreja. Porém, logo fora repreendido por recalcitrar contra os aguilhões do dono da lavoura, Cristo (At 26:14). Paulo claramente sabia tudo de si, Hebreu de Hebreus de fato e de verdade! Mas ele jogou para último plano sua ‘carreira’ pessoal e seu ‘eu’ planejado, esculpido e funcional (com altos índices de lucro, comparando-o a um executivo), para seguir a carreira que lhe estava proposta (Hb 12:1).

2.2. Pais

Até o trecho “era possível que o pai” vemos uma muito boa condução de ideias, contudo não podemos afirmar que o pai dele pagou seus estudos nem que tivesse posses. Tudo é apenas possível, não comprovado. Sequer há os nomes de seus pais, como diz a revista. Idem de suas situações, quais tenham ou possam ter sido. Já do trecho “seria o menino Paulo” em diante, voltamos a ver a mesma boa lógica voltar no comentário (mais suposições que fatos históricos (como nos ilustra o item 2 “Origem Familiar”). Outras possibilidades seriam o Próprio Paulo ter pago, talvez ajudado por seus outros parentes (como consta em 2.3). Estes, poderiam também terem pago, ainda que em conjunto, como ele poderia ter sido presenteado com por outras pessoas e etc. Pollock expõe informações extra-bíblicas que apóiam a abastança do lar de Paulo, contudo são suposições, ainda que feitas sob fortes indícios.

É possível que o pai de Paulo tenha sido um mestre na arte de fabricar tendas, e trabalhasse, como os outros artesãos, em couro e cilicium. O pano era tecido dos longos pêlos de bodes pretos que pastavam, como ainda hoje o fazem, nas encostas do Tauro. As tendas negras de Tarso eram usadas por caravanas, nómades e exércitos provenientes de toda a Ásia Menor e da Síria.
Da mãe de Paulo nada se sabe. Ele jamais a menciona, talvez por haver ela falecido quando ele era criança ou por alguma outra causa. Ou simplesmente porque não teve a oportunidade de mencioná-la. Ele tinha pelo menos uma irmã. Nasceram num lar rico — seu pai era um cidadão ou burguês de Tarso, e numa reforma quinze anos antes a classe de cidadão havia sido removida de todas as famílias que não possuíssem certa fortuna ou propriedades consideráveis. Além disso, a família detinha a cobiçada posição de cidadania romana. Nessa época o civis ro-manus era raramente concedido, a não ser por causa de serviços prestados ou por bom dinheiro. Quer o avô de Paulo tenha ajudado a Pompeu ou a Cícero quando Roma era governada pela Cilicia, quer seu pai houvesse comprado a cidadania, essa posição conferia distinção local e privilégios hereditários, os quais cada membro podia reivindicar onde quer que se encontrasse em todo o império.

O Apóstolo – John Pollock – Ed. Vida

2.3. Outros parentes

Andrônico e Júnias eram conterrâneos de Paulo, que estiveram com ele na cadeia em alguma ocasião. Paulo descreve-os como pessoas notáveis entre os apóstolos e cristãos antes dele próprio. Isto pode significar que eles já eram crentes há cerca de vinte e cinco anos.

    Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

Enquanto a origem judaica de Priscila e Áquila era de conhecimento geral, Paulo designa os dois seguintes expressamente como seus parentes, cf também o v. 11, de modo que a lista destaca cinco cristãos judaicos. Torna-se, pois, evidente que Paulo interpela a maioria gentílico-cristã. Andrônico e Júnias são mencionados de forma bem genérica como companheiros de prisão, talvez apenas em sentido figurado. Sobretudo somos informados de dois nomes da multidão dos missionários itinerantes da primeira igreja, chamados às vezes de “apóstolos”, sem que façam parte do círculo dos doze: os quais são notáveis entre os apóstolos e estavam em Cristo antes de mim. Uma vez que Paulo aceitou a fé cerca de dois a três anos após a morte de Jesus, esses dois fazem parte das primeiríssimas testemunhas, talvez dos 500 irmãos que segundo 1Co 15.6 haviam visto o Senhor. Era essencial para Paulo que ele pudesse saber-se unido com essas pessoas (1Co 1.10-13).

    Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança

É impossível decidir se o segundo nome é feminino, Júnia (como em AV), ou masculino, Júnias (como em AA, RV, RSV, NEB). Nada sabemos destes dois à parte da referência que Paulo faz a eles aqui. Mas esta referência nos desperta o desejo de saber mais. Evidentemente eram cristãos judeus (não é preciso entender mais que isto da expressão "meus parentes"; tinham sido companheiros de Paulo em uma das freqüentes prisões que sofreu (2 Co 11:23) — onde, não podemos saber. Certamente não em Filipos; muito possivelmente em Éfeso. Além disso, eram "notáveis entre os apóstolos", o que provavelmente significa não somente que eram bem conhecidos dos apóstolos, mas que eram apóstolos eles próprios (num sentido mais amplo da palavra), e eminentes como tais. E já fazia muito tempo que eram cristãos, desde antes da conversão de Paulo. Sendo esse o caso, bem podem estar incluídos entre os helenistas de Atos 6:1 (seus nomes sugerem que eram helenistas, e não "hebreus"). Pode ser que tenham tido direito ao apostolado com base no fato de terem visto o Cristo ressurreto

Romanos, Introdução e comentário – F. F. Bruce – Ed. Vida Nova


3. Cultura e Personalidade

Sabemos que Paulo estava bem posicionado em sua época, até porque isso lhe garantiria livre trânsito por todo Império Romano. Se Paulo vivesse em nossos dias, com certeza procuraria estar na dianteira, não por uma questão de ostentação, mas pelo rápido deslocamento, livre acesso a todos os lugares possíveis até por uma questão de segurança em tempos de perseguição. Que bom seria ver os obreiros de nossas igrejas buscando tal melhora e aperfeiçoamento.

Aqui fala mais explicitamente e mais especificamente sobe estudar. Não apenas estudar ou buscar formações, mas atualizar, reciclar e atualizar-se e sempre treinar/rever o que sabe ou aprendeu (“...que maneja bem a Espada do Espírito...” II Tm 2:15). Estamos numa era de cultura bem informatizada. Todos os cristãos precisam saber o mínimo sobre isso, em especial sobre a Internet.

3.1. Cultura judaica e grega

Até o trecho "Mas criei-me nesta cidade (Jerusalém)", vemos muitos detalhes ricos de uma educação modal para as crianças da região, mas trata-se de pura ênfase romântica atribuir isso à vida de Paulo em especial, por não existirem registros sobre isto. Muito excelentes tais informações GERAIS, porém não nos empolguemos a ponto de tais afirmações.
            Do trecho acima citado até "aqui fui instruído aos pés de Gamaliel", já subimos níveis na exegese e passamos para uma investigação muito mais criteriosa ao expormos publicamente. Assim, o estudo sólido nos dará muito mais firmeza frente a pessoas doutas que possam nos confrontar (no bom e no mau sentido; há muitos doutores que NÃO SERVEM AO SENHOR!)
Quanto a classificar Paulo como o mais culto, muito possivelmente é acertado este julgamento, contudo, os documentos existentes não nos permitem atestar tais afirmativas, nem muito menos os seus outros “rivais” (os outros discípulos e apóstolos), por já dormirem no Senhor) estão disponíveis para ‘provas de títulos’ ou competições. Pode parecer minucioso demais nosso texto, mas já sofremos muito na pele por estudar arbitrariamente e repetir feito papagaios o que ouvimos “de ouvido” de pseudos  mestres, que não eram criteriosos em seus “artigos” verbais. Muitos deles são, até hoje, grandes inventores de ‘historinhas’, para a vergonha do Evangelho. Não sejam nunca assim, queridos Doutores de Almas leitores deste site!

3.2. Evidência de amplos conhecimentos

Paulo dirigiu-se a Atenas, vindo do norte, objetivando, dentro de poucos dias, unir-se a Silas e Timóteo. Já conhecia a grande cidade intitulada: “A Universidade do Mundo“, porque depois dela, em lugar algum na história da época havia tanta tradição cultural. De Atenas havia saído generais, estadistas, historiadores, oradores, poetas e filósofos.
Paulo, homem integrado em sua época, conhecia muito bem a cultura e os costumes do lugar, sabia também que a cidade perdera muito do seu antigo estado de gloria. Ao entrar nela deve ter feito um retrospecto de toda a história que, ao seu tempo não era tão antiga como hoje. Deve ter pensado em homens como Tales de Mileto, que em seu sistema filosófico propunha que o princípio de tudo estava na água. Deve ter-se recordado de Aneximenes, que sustentava ser o ar o principio de todas as coisas. Certamente, veio a sua mente o papel desempenhado pós Sócrates trazendo uma nova orientação ao pensamento humano, através da máxima que lera no oráculo de Delfos: “Conhece-te a ti mesmo.” Recordou-se de um Platão, de um Aristóteles e de muitos outros que, de formas variadas tentavam explicar o mundo que os cercava.
Pensava Paulo que, em Atenas se poderia ver em matéria de arte e arquitetura, obra do arquiteto Ictino , o qual, ajudado por Calicrato, desenhara  o Pártenon. Fídias havia sido o escultor, este edifício em virtude de sua beleza tem levado muitos a lhe atribuírem o título de um dos mais belos do mundo. Outras obras de arte eram o Erécteion, o pequeno balcão das cariátides, e o Epidauro, um lindo teatro, dentre tantas que se apresentam diante do olhos daqueles que estudam a maravilhosa história de Atenas, capital da Grécia.
Conhecendo toda a glória da cidade, Paulo não planejara fazer turismo, Não correspondia ao apóstolo proceder de tal forma. Como embaixador do reino de Deus, representaria também naquela cidade o seu Senhor. Sabia Paulo o quanto era difícil pregar o Evangelho naquele lugar, onde não havia colônia judaica propriamente dita; existia sim, alguns núcleos isolados, que possuíam até uma sinagoga, onde Paulo tentou um contato, completamente mal sucedido.
Preocupava-se Paulo com o caráter idolátrico que impregnava a cidade. Talvez fora essa a preocupação que o levara aos seus compatriotas. Sendo evitado por esses, seguiu um costume helênico: começou a pregar sua nova mensagem aos que passavam. Chegou a reunir um grupo de curiosos que se aproximavam, para ouvirem, mas que nele não encontravam uma dose filosófica: Era um paroleiro (charlatão) At. 17.18-20. Pensavam que ele estivesse anunciando um novo casal de divindades: Jesus e Anastácia. Sem dúvida, algum ouvinte superficial teria ouvido Paulo repetir, como refrão, esses dois nome: Jesus e Ressurreição (em grego Anástasis). Positivamente, para Paulo a ressurreição de Cristo era o acontecimento máximo do cristianismo e constituía o tema de sua mensagem.
Dentre os ouvintes estavam os epicureus e os estóicos. Os estóicos advogavam a conquista sobre o mal através do controle próprio, que se transformou em orgulho, desespero e panteísmo. Os epicureus eram ateístas, frívolos, egoístas, e degeneravam sua crença em mero amor e prazer. E eles estavam sempre prontos para defenderem suas opiniões diante de qualquer recém chegado.

http://www.bepeli.com.br/g/paulo_em_atenas.html

3.3. Personalidade de Paulo

Além disso, Paulo era fariseu, o que representava a seita mais conservadora do Judaísmo. Sob Gamaliel, renomado mestre, Paulo aprendera os detalhes da lei de Moisés, juntamente com as tradições que foram acrescentadas com o correr dos anos.
A prova da dedicação de Paulo à vida farisaica e prática era sua atitude para com os cristãos. Ele se tomou um perseguidor ativo dos que criam em Cristo. Em outra ocasião ele escreveu: "Porque ouvistes qual foi o meu proceder outrora no judaísmo, como sobremaneira per­seguia eu a igreja de Deus e a devastava" (Gálatas 1:13).
Finalmente, Paulo termina sua impressionante lista de realizações com o que todo judeu sério buscava— "justiça legalista". Eu era "irrepreensível", escreveu ele. O que se esperava dele, ele o fazia. Pela avaliação do homem, ele havia atingido o ideal.
Assim Paulo podia gabar-se, como nenhum outro judeu, de sua herança religiosa e de suas realizações. Se o homem pudesse ser salvo pelas obras, ele o tinha alcançado. Ele havia feito tudo!

A Estatura de Um Cristão – Gene A. Getz – Ed. Vida

Paulo mostra a futilidade de confiar na carne, usando o exemplo da própria vida dele. Se alguém poderia ter confiado na carne, seria Paulo. As coisas que ele conseguiu fazer, como judeu, eram notáveis. Mas, para Paulo, nada disso importava. Ele não somente considerava todas essas coisas perda, mas até as chamou de refugo. Até as maiores coisas que um homem pode conseguir aqui nessa vida não são nada quando comparadas com "a sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus" (v. 8). Paulo considerava tudo refugo para não ser tentado confiar nas coisas que ele tinha feito. Ele sabia que precisava se conformar com Cristo na sua morte (v. 10-11).  Se houver algo que ameaça nos impedir de participar da ressurreição, precisamos considerar tal coisa refugo e jogá-la fora.

Carl Ballard

Paulo foi um líder exemplar, inclusive em suas prisões, acoites, disputas e ministério. A máxima "sede meus imitadores como eu sou também de Cristo" (ICo 11.1; Fp 3.17; l Ts 1.6; 2.14; 2Ts 3.7,9; Hb 6.12), verdadeiramente como consta no texto da revista, deve ser uma diretriz firme em nossas vidas, famílias, ministério, igrejas e até no nosso respirar, para a glória de Deus, o nosso Pai. Observemos sempre, como em qualquer outro líder, mestre, herói, rei, profeta da Bíblia, não só seus títulos exemplares para nos espelharmos, mas analisemos também os fracassos, crimes, pecados, teimosias e deslizes para termos limites a não serem seguidos, como que uma cerca de proteção à beira de um abismo.


Conclusão

Qualquer um que olhasse para o jovem Paulo de Tarso veria nele um fanático, perseguidor soberbo. Mas Deus que vê além do óbvio, do natural, do presente, das origens e das intenções do coração, olhou e viu, naquele moço, um poderoso aliado; viu nele um vaso útil para depositar os tesouros do Reino e utilizou-se de tudo quanto Paulo tinha para o futuro engrandecimento da Sua obra aqui na terra. Maravilhosa visão de Deus que deu, a sua Igreja, tal homem como presente.


Fontes:

Bíblia Sagrada ARC/ARA/ACF/TB/BV/NTLH/NVI/RV
Revista: Apóstolo Paulo – Editora Betel - 4º Trimestre 2012 – Lição 01.
O Apóstolo – John Pollock – Ed. Vida
A Estatura de Um Cristão – Gene A. Getz – Ed. Vida
Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança
Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular
Artigos e estudos de Carl Ballard e de Anísio Renato de Andrade
Internet

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Colabore conosco: escreva seus pontos de vista, opiniões ou críticas. Contamos contigo neste trabalho