segunda-feira, 12 de novembro de 2012

EBD Editora Betel - Paulo e sua missão entre os gentios


Assembleia da Deus CONAMAD
Lição 07 – 18 de Novembro de 2012


Texto Áureo

“Para o que (digo a verdade em Cristo, não minto) fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios na fé e na verdade”. I Tm 2:7

Verdade Aplicada

O anunciador das boas novas deve estar preparado para ser uma luz na vida daqueles que ainda estão em trevas.

Ousamos acrescentar que qualquer pessoa que se aproxime das Doutrinas Bíblicas, que creia em Deus, em seu amor e em seu filho, que sempre observe seu viver comparando-o com as ditas doutrinas. Logo, a parte que cabe a Deus, brilhar seu Espírito, será feita. Todos os que assim fizerem, certamente irão exalar, transpirar e deixar uma aura em torno de si que contagia, que inflama os corações e que faz todo e qualquer espírito maligno se incomodar e se contorcer.

Objetivos da Lição

Mostrar o propósito de Cristo com Paulo em relação aos gentios;
Revelar que Paulo foi um homem preparado em questões profundas da salvação pela fé;
Inspirar uma fé inteligente e viva no exercício do ministério eclesiástico.

Glossário

Epifania: aparição, manifestação;
Cisão: ação ou efeito de separar;
Vestes Paramentais: vestes com enfeites, adornos.


Introdução

A chamada de Paulo para pregar aos gentios não começa em Antioquia da Síria junto com Barnabé, na verdade, começa com a visão celestial, em Damasco, que o conduziu por toda a sua vida. A epifania experimentada, no caminho de Damasco, por Paulo foi para ele uma aparição tão real do Senhor que ele se considerava tão apóstolo de Jesus Cristo, quanto os que com Ele conviveram.

            Entendemos ‘chamada’, como uma consciência individual de uma obra específica de Deus na vida de uma pessoa, homem, mulher, servo, chefe, líder, liderados, crianças, jovens, adultos ou velhos. Mas a construção como elaboração de um plano superior, esta foi feita já na Fundação do Mundo, a modo semelhante ao Cordeiro, preparado antes da mesma fundação. Ou seja, muito antes de nossos mais remotos ancestrais aprenderem a falar, nossa vida já estava na Mente de Deus! (Jr 1:5, Is 49:1 e 5, Ex 33:12 e 17, Ef 1:4)


1. Pregador e Apóstolo

A autoridade de Paulo repousa sobre sua chamada na aparição do Senhor Jesus no caminho de Damasco. É muito interessante que ele não se permitia diminuir visto que entendia a operação da graça em seu favor para a honra do apostolado, a fim de no serviço do Senhor, conduzir as pessoas do mundo gentílico a crer em Cristo, e a Ele se tornar obedientes (Rm 1:5).

Paulo provavelmente quis dizer que ele havia recebido esta graça especial (dom) de ser um apóstolo. Ele introduziu o personagem e o âmbito do que segue nesta epístola ligando seu apostolado com o Cristo ressuscitado. Jesus, o descendente de David e sua ressurreição provaram que ele era o Messias e o Senhor prometido no Antigo Testamento. Portanto, o Evangelho que Paulo pregou como apostolo pode levar todas as pessoas, não apenas os judeus, a fé em Jesus Cristo. Não os levou a obedecer a lei de Moisés. Obedecer a Deus confiando em Jesus Cristo é “por amor de seu nome”, já que isto o glorifica.

        Notas del Dr. Thomas L. Constable sobre Romanos - Edición 2000 (tradução livre D.A.)

Pregador, apóstolo e mestre dos gentios. Pelas razões agora expostas, Paulo honra a si mesmo com vá­rios títulos, para expressar uma única coisa. Chama a si mes­mo pregador ou arauto, porque a obrigação do arauto é proclamar os mandados de príncipes e magistrados. A palavra apóstolo se emprega aqui em seu sentido ordinário e restringido. Aliás, como existe uma relação natural entre um mestre e seus discípulos, se junta também este ter­ceiro título, para que aquele que aprender dele saiba que tem um mestre que lhes foi designado por Deus. E a quem ele declara que foi designado? Aos gentios; porque o ponto principal da controvérsia era acerca deles, porque os judeus negavam que as promessas da vida per­tenceriam a outros salvo aos filhos carnais de Abraão. Portanto, a fim de que a salvação dos gentios não se pusesse em face de juízo, Paulo afirma que a eles havia sido de­signada especialmente por Deus.

Comentario A La Segunda Epístola de San Pablo a Timoteo - Juan Calvino

Também vale lembrar quando ele se viu como que alguém que recebera tal dádiva de forma extra, fora do tempo e das possibilidades: se viu como que um abortivo (I Co 15:8)

1.1. Apóstolo, um ministro de Cristo

A crença na realidade da ressurreição era exatamente o caso de Paulo. A ressurreição operava na sua vida, era uma realidade tão grande, que o aprisionamento, a dor, e até a morte, não poderiam perturbar a serenidade do apóstolo.
Paulo poderia estar desanimado por estar preso. Afinal, a missão dele era evangelizar. Mas o que por outro lado o animava é que a Palavra de Deus não estava presa.
Os governos e impérios, poderes terrenos, podem fazer calar os missionários e pastores, mas não podem colocar um fim na operação que a Palavra de Deus faz no ser humano, nos corações e nas suas consciências. Este é um processo que não pode ser parado por nenhuma força humana. Não se pode deter ou aprisionar o evangelho, ele é invencível.
E de fato isso é a mais pura verdade, pois estamos estudando uma carta escrita numa prisão. O homem que escreveu esta carta morreu, foi aprisionado. Mas ele imaginaria a extensão das palavras dele? Ele imaginaria estas suas palavras chegariam a milhões de pessoas em diversas épocas diferentes, inclusive hoje na Igreja Presbiteriana do Jardim Maringá?
Paulo suporta o sofrimento pelos eleitos. E isso nos ensina que não devemos ter medo do sofrimento ou mesmo deixar se vencer pelas dificuldades de evangelizar alguém. E aqui vemos que mesmo o sofrimento pode trazer em si uma tarefa, uma missão.
Hoje nossa situação pode não ser de prisão ou martírio. São outras circunstancias que nos afligem. Doenças, preocupações, tristezas. Se nestes momentos de crise a realidade da ressurreição de Cristo não nos domina, seremos pouco úteis para a propagação do evangelho.
Paulo viveu em sua dor e em sua perseguição uma tarefa de um mandato.

II Timóteo - Igreja Presbiteriana do Jardim Maringá

Paulo expressa sua convicção de trabalho em I Coríntios 15:10 e de padecimentos, angústias, dores e perseguições em II Timóteo 2:10. Paulo, como a História da Igreja Primitiva nos confirma, foi de fato o Apóstolo dos Gentios (comprova-se isto ao longo dos livros do NT e dos escritos históricos, como os de Flavio Josefo).
                       
1.2. Pregador da Palavra de Cristo

O alcance ou a intenção do apóstolo ao escrever aos Romanos parece ter sido responder ao incrédulo e ensinar ao judeu crente; confirmar ao cristão e converter o gentio idólatra; e mostrar ao convertido gentio como igual ao judeu Enquanto a sua condição religiosa, e a sua categoria no favor divino. Estes diversos desígnios se tratam opondo-se ao judeu infiel ou incrédulo, ou discutindo com ele em favor do cristão ou do crente gentio. Estabelece claramente que a forma em que Deus aceita o pecador, ou o justifica ante seus olhos, é somente pela graça, por meio da fé na justiça de Cristo, sem acepção de nações. Esta doutrina é aclarada a partir das objeções apresentadas pelos cristãos judaizantes que favoreciam as condições da aceitação com Deus por meio de uma mistura da lei e do evangelho, excluindo os gentios de toda participação nas bênçãos da salvação efetuada pelo Messias. Na conclusão, põe mais ainda em vigência a santidade por meio das exortações práticas.

Comentario Biblico Conciso NT Matthew Henry - Matthew Henry – CPAD

Logo depois de cumprimentar os irmãos da Igreja em Roma, destinatários diretos das orientações da missiva, o apóstolo Paulo, com sua típica saudação acompanhada de ação de graças, fazendo uso da autoridade do Antigo Testamento (Hc 2.4), e apresenta o tema central de sua carta: a justificação vem pela fé em Jesus Cristo, o Messias.
Assim, mais formal que as demais epístolas de Paulo, a carta aos Romanos apresenta de maneira profunda e sistemática a doutrina da justificação pela fé (e seus desdobramentos). Paulo escreve para uma igreja a qual não havia fundado, nem nunca estivera antes, embora lá tivesse alguns amigos chegados. Além disso, a igreja, que era predominantemente gentílica, estava agindo de forma intolerante contra os judeus cristãos que se sentiam constrangidos a obedecer às regras alimentares e datas cerimoniais da tradição religiosa judaica (14.1-6).
A base dos argumentos de Paulo é a longânime, infalível e eterna justiça de Deus (1.16-17). A partir dessa constatação, seguem-se várias abordagens doutrinais fundamentais: a revelação natural (1.19-20); a universalidade do pecado (3.9-20); a plenitude da graça divina na justificação de todo ser humano (3.24), mediante o sacrifício expiatório de Jesus (3.25), por meio da fé (cap. 4); a questão do pecado original (5.12-20); a união com Cristo (cap. 6); a eleição e rejeição de Israel (caps. 9-11); o uso dos dons espirituais ( 12.3-9); e o respeito às autoridades ( 13.1-7).
É importante notar que Paulo escreveu aos Romanos também com a visão de preparar o caminho para sua iminente viagem a Roma e para a missão que ainda pretendia realizar na Espanha (1.10-15; 15.22-29).

Introdução Aos Romanos – www.files.caminhandocomjesuscristo.webnode.com.br

Não saberíamos de nosso direito (pela Graça, é bom lembrar) à Salvação, se não fosse pela pregação e pelas Escrituras. Como ouviremos, se não há quem pregue? (Rm 10:14) Aqueles que anunciam as Boas-Novas, são pessoas muito agraciadas por Deus por portarem em si esta dádiva (Is 52:7). Mas, tais felizardos não devem se vangloriar, como que sendo dignos de recompensas ou como que sendo grandes realizadores de benfeitorias (I Co 9:16). Como disse Paulo, é uma obrigação!

1.3. A Palavra de Cristo nele fez a diferença

Uma profecia de Is. 49:6, que originalmente se aplicava ao servo do Senhor, foi aplicada aqui aos apóstolos, que estavam levando luz aos gentios. (Moody)

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

...Os judeus simplesmente não podiam acei­tar um ensino religioso que conduzia a tão grande abertura. Podiam aceitar uma mensagem como vinda de Deus para eles mesmos e seus prosélitos, e tolerar uma pequena mudança em seus ensinos e práticas, mas de modo algum poderiam suportar que os gentios passassem a ocupar a mesma posição do antigo povo de Deus. Assim, "blasfemando, contradiziam o que Paulo falava (v. 45: "falavam contra o que Paulo estava dizendo e insultavam", diz o grego; cp. 18:6). Não ficou declarado a quem insultavam, ou contra quem blasfemavam. Talvez fosse Paulo o alvo, ou seus ensinos; quem sabe negavam que Jesus fosse o Cristo (veja a disc. sobre os vv. 38s.).
Por outro lado, os gentios estavam entusiasmados sobre o que haviam ouvido (v. 48), o que pareceu tirar toda dúvida da mente dos dois missionários de que os gentios estavam nos planos de Deus para que "resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo" (2 Coríntios 4:4). Israel havia sido chamado para levar tal luz aos povos, mas Israel, representado por aquela sinagoga na Antioquia da Pisídia, havia rejeitado esse papel (o mesmo verbo, "rejeitar", encontra-se aqui e em Romanos 11:1, 2), pelo que essa tarefa havia passado à igreja. Tal percepção se expressa em termos de Isaías 49:6 (ligeiramente abreviado), tirado do segundo cântico do Servo. O significado original de Servo é incerto, mas a mais antiga interpretação é que representa Israel, havendo evidências literárias disso (veja a disc. sobre 8:32-35, e também a nota sobre 3:13). Esta é a interpretação adotada por Paulo, com a diferença que ele a aplica à igreja. A igreja deve ser luz dos gentios (v. 47). Que aquele cântico do Servo deva ser interpretado assim, e o outro, o último, como referindo-se ao Messias (veja a disc. sobre 8:32-35 e as notas), pode parecer esquisito, mas o intérprete judeu (e o cristão) não sentiu nenhuma necessidade de ser coerente na interpretação das Escrituras.

Novo Comentário Bíblico Contemporâneo Atos - David J. Williams – Ed. Vida

A mesma mensagem que em muitos entra ‘aparentemente’ sem fazer efeito (em vários ouvidos, sem contudo entrar no coração e na alma), em outras pessoas faz uma gigantesca transformação: liberta das opressões malignas, dos desejos suicidas (drogas, criminalidades, depravações, violências e etc.), da Depressão, da Solidão e do Inferno. Como isso pode ser? Nos que a plantaram em bom solo, havia um desejo de saber mais, de acreditar e de valorização: havia a Fé misturada! (Hb 4:2)


2. Doutor na Fé

A expressão “doutor dos gentios na fé” significa instrutor ou “mestre” como é traduzida na Bíblia ARC (Almeida Revista e Corrigida). Paulo em 1Tm 2.7 considera-se um mestre na fé e não na crença. Embora pareça ser a mesma coisa, não é. Pois a prática da crença religiosa não envolve necessariamente uma fé viva, capaz de salvar o indivíduo, nem tampouco toda crença religiosa se ocupa com a salvação da alma das pessoas; a fé faz parte da espiritualidade; a crença faz parte da religiosidade. Todavia, a Palavra de Cristo promove a fé, salvando a pessoa do seu pecado, do seu vazio, e da falta da comunhão com Deus, aperfeiçoando-o nas boas obras.

e mestre dos gentios – Comparem At 9:15; 26:17; Rm 11:13; 15:15-18; Gl 2:7,8; Ef 3:1.
Com o uso do termo "mestre" se dá ênfase ao processo de fazer chegar a verdade às pessoas, o qual é o de ensinar. Comparem João 6:44,45; At 5:28. O Evangelho se ensina! Não apenas se prega. Os que fazem mutuamente exclusivos os termos "evangelho" e "doutrina", juntamente com as ações "pregar" e "ensinar", afirmando que o Evangelho (que segundo eles é importante para que haja comunhão) se prega, e que a doutrina (que segundo eles não importa tanto para a comunhão) se ensina, erram de grande maneira!

Notas Sobre I Timoteo - Bill H. Reeves - Hopkinsville, U.S.A

Pois há um só Mediador entre Deus e os homens (5a)
1) Cristo Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate de todos (5b-6a)
2) Para testemunhar em tempos oportunos, para isto Paulo foi designado
pregador e apóstolo (6b-7a)
a) Paulo fala a verdade em Cristo e não está mentindo (7b)
b) Um mestre dos gentios na fé e na verdade (7c)

        A Primeira Epístola À Timóteo - Mark A. Copeland - Tradução por Megan Allan Pinto, 2006

2.1. Paulo, um especialista na Fé Salvadora

A Fé Salvadora, na qual Paulo era habilitado e doutor, nos foi mostrada como a Justiça de Deus (Rm 1:17) geralmente se refere àquela indispensável, única e eterna, que nos fala tanto de misericórdia como justiça, propriamente. A mesma justiça que Abraão não alcançou com obras e sacrifícios, mas pela fé que Paulo ensinou. Esta justiça que condena o pecado no pecador (e o levará ao Inferno, se assim prosseguir), também o justifica e salva somente na pessoa de Cristo, é indispensável lembrar. No verso 18, vemos a revelação disto: a Ira, pelo Antigo Testamento (A Lei) e a Justiça pelo Novo Testamento (O Evangelho). No AT havia justiça, como no NT é mostrada a Ira vindoura: Deus é completo, pleno e se revela em todas as eras.
De fé em fé (v.17), nos ensina que a Revelação Divina está aumentando de século em século, de década em década, até a plenitude (At 17:30). E já estamos bem avançados nisto (Gl 4:4), mas ainda não vemos como será plenamente (I C13:12), contudo sabemos que será tremendamente maior (Ef 1:10), até nos equipararmos ao Mestre (Ef 4:13).

2.2. Paulo expõe a fé com base firme

Há muito a ser dito da Fé, da Esperança e do Mundo Vindouro. Contudo, o Mundo e seus esquemas, sistemas e ardis, nos fala daquilo que lhe convém. Não nos introduz após a maioridade (18 anos), nem após nosso letramento ( aproximadamente aos 9 -11): ele nos inicia ainda ANTES do ventre. Ele nos prepara todo um império de doutrinas e ensinos, ao ponto de nossa mãe nos passar isto ainda no ventre, o que é facilmente constatado em artigos, documentários e dicas de saúde (evitar intrigas, aborrecimentos, esforço físico, bebidas, fumo e etc. durante a gestação: tudo é passado ao feto; até as palavras! Sejam elas boas, ruins ou depressivas). Queremos alertar para a necessidade de uma base firme na fé. Não aconselhamos a que alguém se torne um Apologeta rude e incisivo ou provocador e nem que “derrota” qualquer um. Exortamos a que tenha-se amor, ânimo, virtude e devoção em permanecer, ensinar, explicar e tornar a falar tantas e quantas vezes formos convocados a isto, como vemos em toda a Bíblia e no ministério de Paulo.

2.3. Paulo explica a razão de seu método

As pessoas da igreja em Corinto, porém, ouviram o chamado de Deus que os escolheu. Seguiram-lhe quando passaram a crer no Messias crucificado e se deixaram salvar da perdição. Agora se afirma sobre elas: “A partir de Deus estais em Cristo Jesus”[tradução do autor]. Eles, os “que não são”, agora “são” algo, mas obviamente não em si mesmos, apenas “em Cristo Jesus”. “Estar em Cristo Jesus” é a única existência verdadeira que os “nadas” podem ter. Eles a têm “a partir de Deus”, do Deus maravilhoso, que “chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4.17), e que criou do nada todo o imenso mundo. Neles aconteceu a nova criação (2Co 5.17). Nessa cidade portuária rica, próspera e cheia de vícios eles, os tolos, os fracos, os não-nobres, os desprezados, os “nadas” são agora a igreja do Deus vivo, os herdeiros da glória eterna. Em si mesmos não são nada e não têm nada a exibir. Porém estão “em Cristo Jesus”. Ele é seu verdadeiro espaço de vida, seu elemento vital, e ele mesmo é, a partir de Deus, a “sabedoria para nós”, sim, também “a justiça e santificação e redenção”.
Logo são “loucos, não-nobres, desprezados” de fato apenas quando vistos na perspectiva do “mundo”. “Em Jesus” e “a partir de Deus”, porém, são verdadeiramente sábios, fortes, nobres e valorizados. Não são assim somente numa avaliação amistosa que recebem de Deus, mas numa realidade que já se mostra agora em sua vida. É uma circunstância maravilhosa, repetidamente verificável, que em Jesus as pessoas humildes, que no mundo não são nada importantes, possuem uma admirável “sabedoria” e em seu conhecimento de Deus superam os maiores pensadores da humanidade.
Contudo, essa “sabedoria”, um conhecimento veraz do Deus vivo, não é coisa intelectual, mas abrange e determina o ser humano todo. Por essa razão Paulo acrescenta de imediato “justiça” e “santificação” a título de explicação para a “sabedoria”. O Senhor crucificado, que carregou nossa culpa, nos concede a justiça, sim, ainda mais, ele mesmo é nossa “justiça” perante Deus. Por isso possuímos de forma tão inatacável e segura a justiça, esse fundamento necessário sempre que estamos perante Deus, oramos a ele, contamos com Deus – porque não a temos em nós mesmos mas no próprio Jesus. Jesus, no entanto, também é nossa “santificação” ou, como também podemos traduzir, “nossa santidade”. Ouvimo-lo já no v. 2: Somos “santificados em Cristo Jesus”. Também nossa santificação e seu resultado, a santidade, não são realização nossa. Se assim fosse, como seria precária! Agora, porém, estamos incessantemente na santificação, desde que estejamos incessantemente em Cristo Jesus. Por isso o v. 30 é uma importante base para uma doutrina realmente “evangélica” da santificação. Nele, como em Rm 6, ela não representa uma nova “lei”, mas a própria pessoa de Jesus e nossa ligação com ele, sobre as quais se alicerça a possibilidade e realidade de uma nova vida.
Contudo Jesus também é nossa “redenção”. Jesus esmagou a cabeça da serpente e anulou o poder da morte. O triunfo dele é nosso, porque é quando estamos “nele”. Já agora Jesus é manifesto de múltiplas maneiras como nossa “redenção”. Quanta redenção, quanta liberdade e quanta vitória encontram-se na vida de cada cristão. Obviamente também ainda somos pessoas que “aguardam” (v. 7). Contudo a nova “revelação de nosso Senhor Jesus Cristo” (v. 7) mostrará como realidade visível em nós e em tudo que estaremos totalmente justos, totalmente santos, totalmente redimidos de toda perdição como “irrepreensíveis” (v. 8) diante dele.
31 Quem compreendeu essa verdade não pode silenciar, tem de cantar e anunciá-lo, tem de ser uma pessoa que “glorifica”. Não existe verdadeira vida de fé sem “glorificar”. Não podemos permanecer calados sobre o que Deus nos outorgou e sobre seu terno milagre, não podemos falar disso com requintada discrição. Essas infinitas glórias impelem a “glorificar”. Contudo esse louvor é algo completamente diferente do que o “gloriar-se” da carne. Aqui se cumpriu a palavra que Deus disse e escreveu no passado por meio de Jeremias (Jr 9.24): “Aquele que se gloria, glorie-se do Senhor.” Agora unicamente Deus é grande! Agora foi restabelecida a condição certa, inicial, em que Deus está no centro, o nome de Deus ressoa, Deus é glorificado como Deus e agradecemos a ele, em que Deus já começa a se tornar “tudo em todos” (1Co 15.28). Isso, porém, é realização unicamente das “coisas loucas de Deus” e das “coisas fracas de Deus” pela “palavra da cruz”.

Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança

Vemos na Primeira Carta aos Coríntios qual era o método de Paulo: falava de Sabedoria, Justiça, Santificação e Redenção, sempre em Deus. Assim, ele pode concluir que ao nos gloriarmos, teria de ser também em Deus (“no Senhor”). De fato ele era mestre do Senhor, pelo Senhor, para o Senhor e com o Senhor o guiando, tudo para a glorificação do Senhor. Aleluia!


3. Doutor na Verdade

Devemos lembrar que os líderes de sinagogas e fariseus eram muito proselitistas entre os gentios, tendo pessoas que frequentavam a sinagoga, mas que não aderiam ao judaísmo por causa da dolorosa circuncisão que era requerida. Quando nossos campeões pregaram a palavra da fé, não tocaram nesse assunto, logo, estava implícito que desobrigaram aqueles, dentre os gentios, que se convertiam a Cristo, ao ato da circuncisão. Com isso eles ficaram felizes! Era esse o público alvo de Paulo, mas dentre eles, vinham muitos judeus também.

De formas e métodos totalmente contrários, agora vinha Paulo, Barnabé e demais mestres, pregando às massas, o que gerava massas de novos conversos e sem as dores da Circuncisão. Algo totalmente contrário aos métodos da religião que dominava até então! Além de tudo isto, exaltavam o ‘impostor’ ‘justamente’ condenado, Jesus, como Deus e Senhor soberano e não se voltavam aos poderosos e influentes políticos e estadistas, mas aos quebrantados, pobres e desejosos de justiça, ricos ou pobres. Nisto Paulo inigualavelmente era doutor.

3.1. Advogados dos gentios

Uns da Judéia ensinavam aos gentios convertidos da Antioquia que não poderiam ser salvos a menos que observassem toda a lei cerimonial, tal como fora dada por Moisés; deste modo procuravam destruir a liberdade cristã. Temos uma estranha tendência a pensar que os que não fazem como nós, fazem tudo errado. Sua doutrina era muito desalentadora. Os homens sábios e bons desejam evitar as contendas e os debates até onde possam, mas quando os falsos mestres se opõem às principais verdades do evangelho ou trazem doutrinas nocivas, não devemos deixar de resisti-lhes.

Comentario Biblico Conciso NT Matthew Henry - Matthew Henry – CPAD

Vemos como é indispensável a base doutrinária firme, a revelação e direção do Espírito Santo a desviar dos tropeços e o quebrantamento de coração para mudar práticas equivocadas ou inventadas! Quantos rachas em ministérios, divisões e intrigas seriam evitados se todos os líderes modernos não fossem tão demorados em se aterem e tomarem medidas no que ocorre no Corpo Local, doutrinariamente falando. Se de um lado o povo gosta de invencionices e o Diabo ajuda a criar mais, de outro há extrema indolência de líderes que se aplicam somente ao número de membros e de saldos financeiros. Como lemos na revista: raposas e raposinhas.

3.2. A primeira assembleia

A Fenícia havia sido evangelizada ao mesmo tempo em que a igreja se estabelecera em Antioquia (11:19; cp. também 21:3ss., 7), de modo que em todos esses centros, bem como em Samaria (cp. 8:25), havia comunidades cristãs a serem visitadas e notificadas sobre a conversão dos gentios (v. 3). O verbo grego dá a entender que o relato foi feito com minúcias (ocorre só aqui e em 13:41), e sem exceção; as notícias trouxeram alegria a todos quantos as ouviram (v. 3; veja a disc. sobre 3:8). Quando os delegados chegaram a Jerusalém, levavam todo o peso, digamos assim, do apoio das igrejas do norte.
A delegação de Antioquia foi recepcionada pela igreja reunida e seus líderes (alguns comentaristas têm a impressão de que esta acolhida teria sido mais restrita), e de novo relatou a história de quão grandes coisas Deus tinha feito com eles (v. 4, lit, "com eles"; cp. 14:27; em 15:12 é "por meio deles"). Observe a ênfase nesses relatos da mão de Deus na questão, com a implicação de que, se Deus havia abençoado a obra, era sua intenção clara que os gentios fossem recebidos livremente. Nem todos ali presentes concordaram com esta lógica, pois foram rápidos em expor seu ponto de vista. Talvez baseassem seu ensino em passagens como Êxodo 12:48s. e Isaías 56:6, ao declarar que era necessário (gr. dei; veja a disc. sobre 1:16) circuncidar os gentios e obrigá-los a cumprir a lei. Afirmou-se que a aliança mencionada em Isaías 56:6 era a da circuncisão. Os advogados da circuncisão eram da seita dos fariseus, que tinham crido — esta é a primeira menção de convertidos dessa seita, além de Paulo (v. 5). Eram crentes, tinham crido — o particípio presente tem a intenção talvez de enfatizar a realidade de sua fé (veja a disc. sobre 14:23), a saber, estavam perfeitamente convencidos de que Jesus era o Messias, embora ainda pensassem nele como o rei de Israel, do qual os gentios seriam excluídos se não aceitassem sua lei (cp. 1:6).

Novo Comentário Bíblico Contemporâneo Atos - David J. Williams – Ed. Vida

A igreja em Jerusalém recebeu bem a delegação e ouviu sua história sobre o sucesso da igreja gentia em Antioquia e a missão gentia na Galácia. Os convertidos fariseus fizeram suas críticas, mantendo sua posição que os convertidos gentios deviam se tornar judeus e aceitar a lei de Moisés.
Isso provocou uma assembléia formal dos apóstolos e presbíteros com a delegação de Antioquia. Os versículos 12, 22, entretanto, dão a entender que a igreja participou como um todo na decisão.

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

Devido ao erro doutrinário visto no item anterior, o problema da circuncisão, na igreja de Jerusalém, foi extremamente necessário e urgente que os apóstolos e presbíteros se reunissem para tratar isto. Tais mestres estavam tentando obrigar a observância da lei cerimonial nos crentes gentios. Durante a reunião, Barnabé e Paulo relataram sobre seu trabalho entre os povos gentios. Conforme os trechos de comentários acima, a igreja (membros em geral) teriam participado da assembleia e dado parecer.

3.3. Anunciando uma nova disposição

Paulo sintetiza sua atitude diante da questão da circuncisão numa fórmula orientadora. Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão. Uma formulação similar já ocorreu em 1Co 7.18 e em Gl 5.6 (cf. ali o comentário). Aqui se diz o que é e o que vale positivamente alguma coisa, porém de modo diferente daquelas passagens: mas o ser nova criatura. Jesus “reconciliou a ambos (judeus e gentios) por meio da cruz com Deus num só corpo. Ele derrubou pela sua morte a parede de separação da inimizade. Ele aboliu a lei com seus mandamentos e exigências, para criar a ambos em sua pessoa como um novo ser humano” (Ef 2.14-16 [tradução do autor]). Por isso, obrigar uma igreja que sabe que é fruto dessa nova criação de Deus a aceitar mais uma vez a circuncisão é tão insensato quanto costurar um pano novo num vestido velho ou derramar novo vinho em odres velhos (Mc 2.21,22).

Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança

Aqui, a comunidade dos cristãos (apóstolos, discípulos além de alguns frequentadores e estudiosos não convertidos) começava a ter personalidade e características diferentes do cerimonial judaico, do qual estava brotando e se desprendendo. Vemos Pedro, mais tarde, não sabendo a quem agradar: se a Deus (não se importando com ‘entidimentos’ humanos), se aos judeus ou se aos irmãos ‘em geral’ (especialmente gentios). O que Paulo ao ver, teve que repreender severamente.


Conclusão

O propósito de Paulo entre os gentios foi ensinar sobre a salvação sem a necessidade dos adereços da Lei. Com preparo teológico relevante, o apóstolo ensinou eficientemente ao seu público alvo, inspirando uma fé contagiante e inteligente entre os gentios. Suas pregações e cartas conseguiram apresentar a Jesus Cristo como Filho de Deus, poder de Deus e sabedoria de Deus a humanidade. Graças a Deus pelo empenho e dedicação desse apóstolo que foi um instrumento poderoso nas mãos do Senhor.


Fontes:

Bíblia Sagrada ARC/ARA/ACF/TB/BV/NTLH/NVI/RV
Revista: Apóstolo Paulo – Editora Betel – 4º Trimestre 2012 – Lição 07
II Timóteo - Igreja Presbiteriana do Jardim Maringá
Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança
Comentario Biblico Conciso NT Matthew Henry - Matthew Henry – CPAD
Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular
Novo Comentário Bíblico Contemporâneo Atos - David J. Williams – Ed. Vida
A Primeira Epístola À Timóteo - Mark A. Copeland - Tradução por Megan Allan Pinto, 2006
Introdução Aos Romanos – www.files.caminhandocomjesuscristo
.webnode.com.br


Espanhol (tradução livre D.A.)

Notas del Dr. Thomas L. Constable sobre Romanos - Edición 2000
Comentario A La Segunda Epístola de San Pablo a Timoteo - Juan Calvino
Notas Sobre I Timoteo - Bill H. Reeves - Hopkinsville, U.S.A

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