domingo, 24 de fevereiro de 2013

EBD Editora Betel - A Teologia da Prosperidade e O Cristianismo Puro e Simples




Assembleia de Deus CONAMAD
Lição 09 – 03 de Março de 2013
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Texto Áureo

“E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho”. Jo 14:13

O terceiro recurso que Jesus ofereceu aos Seus discípulos angustiados para consolá-los foi a promessa de Sua presença contínua nas vidas deles. Jesus lhes garantiu que qualquer coisa que pedissem em Seu nome Ele faria, e que, um dia, eles fariam obras maiores do que haviam visto Jesus fazer (14:12–14)! A ausência física de Jesus não limitaria Seu poder de consolar e prestar assistência a eles. Aquela era uma promessa na qual podiam confiar até nas horas mais difíceis.

João, A Jornada da Fé – Bruce Mclarty - A Verdade para Hoje

Verdade Aplicada

A Teologia da Prosperidade oferece um caminho rápido para o sucesso* sem passar pelo trabalho, pela renúncia e pelo esforço.

*Sucesso:
Do latin “successu”. Significa bom resultado. Antes de pensar em realizar nossos sonhos, precisamos de uma definição de “atingir o objetivo”.
(http://360graus.terra.com.br/expedicoes/default.asp?did=23143&action=coluna)

Significado de sucesso no Dicionário inFormal online de Português. O que é sucesso: Significa ter êxito em alguma coisa; Ter um resultado feliz em algo;
(www.dicionarioinformal.com.br/sucesso)


Objetivos da Lição

Definir a Teologia da Prosperidade;
Explicar que a Teologia da Prosperidade é uma heresia diferente das heresias clássicas;
Ensinar o que as Escrituras dizem ser o Evangelho.

Glossário

Inescrupulosos: desprovido de caráter, integridade;
Sobrepujava: passar por cima de; vencer, dominar, suplantar;
Incautos: que é destituído de malícia; crédulo, ingênuo.

Textos de Referência

Jo 14:10 - Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.
Jo 14:11 - Crede-me que estou no Pai, e o Pai, em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.
Jo 14:12 - Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.
Jo 14:13 - E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Pilho.
Jo 14:14 - Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.
Jo 14:15 - Se me amardes, guardareis os meus mandamentos.

Leituras Complementares

Segunda  Ec 1:2
Terça       Ec 1:3
Quarta    Ec 1:4
Quinta     Ec 1:8
Sexta       Ec 1:14
Sábado    Ec 2:8


Introdução

A teologia da prosperidade é um movimento de origem inglesa, com enorme receptividade no Brasil, a partir de 1980. Também é conhecida como “Confissão Positiva”, “Palavra da Fé”, “Movimento da Fé” e “Evangelho da Saúde e da Prosperidade”. Ao contrário do que se imagina, as doutrinas desse movimento não surgiram no Pentecostalismo, e sim de algumas seitas sincréticas da Nova Inglaterra. No entanto foi exatamente nesse meio que essa teologia mais conseguiu se firmar.


1. O Que é A Teologia da Prosperidade?

Não há nada de errado em o ser humano buscar prosperidade nos diferentes aspectos de sua vida, nem há qualquer condenação na Bíblia se uma pessoa desejar vencer. O próprio Deus tem prazer em abençoar seus filhos com bênçãos materiais. No entanto muitos não percebem o que há de errado com a chamada teologia da prosperidade, pois ela é diferente das heresias clássicas, que negam a divindade de Cristo, a morada no céu para os salvos, ou até mesmo a existência do inferno. A teologia da prosperidade é um tipo diferente de erro teológico, porque não nega exatamente as doutrinas fundamentais do cristianismo. A questão é de ênfase. O problema não é o que ela declara, mas sim o que ela não declara.

Ponderemos brevemente, baseados nas definições deixadas (citações) e sugeridas (links) por nós linhas atrás: o que exatamente é vencer? Sabemos que estamos tentando explicar e alertar sobre a Teologia da Prosperidade, mas nossos parâmetros e bases devem ser neutras. Bom, se iniciarmos ou seguirmos usando idéias coligadas ou contínuas ao que ela mesmo advoga, não estaremos sendo bons apologistas. Urge deixarmos o desejo imposto culturalmente pelo ‘vencer’. Se somos de Cristo, se estamos nele e nele esperamos eternamente, já somos vencedores. Nem mesmo a Miséria, nudez, fome ou Morte nos derrota! Tenhamos mais ponderações e desapego aos conceitos materiais modernos recebidos especialmente dos ensinadores ocidentais.

1.1 O seu conteúdo

Tais ensinos afirmam que é só querer, desejar e pedir. Se ofertarmos muito, muito mais receberemos, como algo devido, no sentido mais comercial (compra de serviços) possível. O fato de ser necessário lutar para herdar-se a Vida Eterna não nos guia a competições entre os comuns e nem mesmo com os afortunados nem com os desafortunados. Explico: vencer na Terra é algo terrivelmente inconstante e passageiro. Paulo nos advertiu que esperar em Deus somente nas coisas daqui é miséria no viver e no pensar! (I Co 15:19) A fé na Fé não pode nos assegurar sermos livres de sofrimentos, além de ser um equívoco. É necessário termos dificuldades (At 14:22). O Senhor nunca nos assegurou nem prometeu bonanzas. Ele mesmo padeceu sofrimentos, dores, dificuldades e nos garantiu sofrimentos e aflições (Jo 16:33). O fato de orarmos, pura e simplesmente, não obriga Deus a nada, por mais piedosos, humildes, fiéis ou trabalhadores que sejamos: Deus é soberano!

1.2 O seu espírito

O centro de tais pregações, crenças e afirmações diz que alguém pobre, necessitado ou doente, está pagando pelos seus pecados, falta de fé, de petições(ordens a Deus, na verdade) e de dízimos, ofertas e/ou votos! A Bíblia ensina a ungir os doentes, não as paredes, os sapatos ou coisas parecidas. Não dizemos com isso que seja impossível Deus abençoar desta forma, mas a Unção com Óleo bíblica é sobre a cabeça ou testa das pessoas. Sei do caso de um pastor que orou por uma garrafa de cachaça e o usuário foi liberto tomando nojo a cada gole, mas não há regras nem roteiros. Tais costumes tomaram o lugar da fé em muitas igrejas e ministérios. A vida espiritual tornou-se uma questão somente de finanças, lucros, posses e ‘bençãos’. Misturou-se fé com superstição e rituais místicos e de magia. Quem ofertar mais teria maiores bênçãos.

1.3 A mentira da Confissão Positiva

Tudo quanto. O alcance da oração. Pedirdes. A condição da oração. Em meu nome. O terreno da oração. Isto envolve duas coisas pelo menos: orar com a autoridade deferida por Cristo (cons. Mt. 28:19; Atos 3:6) e orar em união com Ele, para que não se ore fora de Sua vontade. Isso farei. A certeza da oração. A fim de que o Pai seja glorificado no Filho. O propósito da oração. Se pedirdes. O se está do lado daquele que ora, não do lado de Cristo.

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

A Psicologia dá um enfoque bem físico para a expressão “há poder em suas palavras”. Vários estudos já comprovaram que a repetição consciente e internalizada de um pensamento ou de um desejo, vontade ou determinação, irá pouco a pouco fazendo com que até mesmo as doenças sejam expulsas ou entronizadas no organismo de alguém. Ou seja, se você caminhar pelo pessimismo crônico, é quase certo que durante todo um ciclo será um proferidor de palavras de desânimo, lamentações e até de desfalecimento. É o caso clássico de dois doentes terminais: o otimista irá reagir muito melhor aos tratamentos e medicamentos, enquanto que o pessimista dificulta sua cura e até facilita sua própria  morte.
Bem diferente do que ensina a Psicologia e a Medicina é crer e pregar que simplesmente o fato de proferir algo o tornará realizado por mais impossível ou improvável que seja, excluindo assim a dependência da ação de Deus ou de suas permissões. Temos sido taxativos e até repetitivos ao falarmos  que o já conhecido “eu profetizo”, “profetize” ou “vou profetizar”é uma alteração sorrateira no meio pentecostal, como que não se rendendo diretamente `a Confissão Positiva. Na verdade, estão mudando somente as expressões, como num grande plágio ou personalização, mas o sentido de tais expressões não é outro senão mandar, determinar e exigir que Deus faça ou deixe de fazer coisas, principalmente no campo material. Fica aqui novamente nosso despertamento, alerta e exortação ao povo, aos líderes e aos ministros das Assembléias de Deus, independente de que convenção façam parte.
Embora os adeptos da teologia da prosperidade considerem Kenneth Hagin o pai desse movimento, pesquisas cuidadosas feitas por vários estudiosos, como D. R. Mc Connell demonstraram conclusivamente que o verdadeiro originador da confissão positiva foi Essek William Kenyon (1867-1948). Em 1892, mudou-se para Boston, onde estudou no Emerson College, conhecido por ser um centro do chamado movimento “transcendental” ou “metafísico”, que deu origem a várias seitas de orientação duvidosa. Pregou diversas vezes no célebre Templo Angelus, em Los Angeles, da evangelista Aimee Semple Mc Pherson, fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Foi um pioneiro do evangelismo pelo rádio, com sua “Igreja do Ar". Cunhou muitas expressões populares do movimento da fé, como “O que eu confesso, eu possuo”.


2. Ignorância, Dinheiro e Consumismo

Os três males desse tempo que têm levado as pessoas cristãs a fazerem o que Deus não quer; de conhecer o que Ele não conhece; e de amar o que Ele não ama. É a ignorância, o dinheiro e o maldito consumismo, que são combustíveis da teologia da prosperidade.

2.1 O perigo da Ignorância

O resultado era a destruição de Israel porque lhe falta o conhecimento. O povo não conhecia a Deus e os seus caminhos. Não era simplesmente o resultado da negligência mas uma atitude criminosa. Rejeitaram o conhecimento, preferindo resolver os seus problemas buscando falsos deuses e as nações poderosas que os adoravam. Os sacerdotes foram exemplos fracos, levando Israel para a apostasia. Por causa disso foram rejeitados nas palavras: para que não sejam sacerdotes diante de mim.

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

Já no Éden o homem começou seus primeiros passos rumo ao Desconhecido. Estava na direção de Deus, plenamente ligado a ele e com totais privilégios (nem mesmo havia a Morte). Sempre que o povo deixava o Senhor caia nas mãos dos inimigos (vide o livro de Juízes). A igreja de Cristo possui todo o conhecimento possível disponível, mas faz pouco uso, o valoriza de forma secundária e não está se separando dos usos, hábitos, ideologias e modismos perigosos dos tempos modernos. Homens cruéis sempre se levantaram contra os servos de Deus. Tais homens impiedosos, inescrupulosos e amantes de si mesmos, seguem as ordens e orientações das Trevas. Manipular, defraudar e persuadir os menos esclarecidos é para eles uma missão e um prazer! Muitos pregadores modernos, com seus apelos financeiros, tiram todo o dinheiro possível dos incautos. Suas mensagens fazem apelos à Fé ligados diretamente a doações e entregas financeiras. Com seus pedidos ridículos, praticam verdadeiras extorsões em nome de Deus como quem vende pedaços do Céu.

2.2 O perigo do Dinheiro

Aqui vemos o mal da cobiça. Não se diz que são os ricos, senão os que querem enriquecer-se, os que depositam sua felicidade na riqueza e estão ansiosos e decididos a obtê-la. Os que são assim dão a Satanás a oportunidade para tentá-los, guiando-os a usarem médios desonestos e más costumes para aumentar seus lucros. Além disso, os conduz a tantas ocupações e a tal pressa nos negócios que não deixam tempo nem inclinação para a religião espiritual; os conduz a conexões que os levam ao pecado e à tolice. A que pecados são conduzidos os homens por amor do dinheiro! A gente pode ter dinheiro e não amá-lo, porém se o amam isto os empurrará a todo mal. Toda classe de iniqüidade e vício, de uma ou de outra forma, nascem do amor pelo dinheiro. Não podemos olhar ao nosso redor sem perceber muitas provas disto, especialmente numa época de prosperidade material, grandes gastos e profissão relaxada.

Comentário Bíblico Matthew Henry Conciso NT – Matthew Henry - CPAD

O amor ao dinheiro (I Tm 6:10), em vez de amor ao próximo, engana dizendo que o povo de Deus não foi feito para ser cauda do mundo, mas sim, a sua cabeça (lembremos que esta afirmação é sobre a Nação de Israel). Deuteronômio 28:13 é tomado como base para afirmarem  que o povo de Deus terá postos de mando no mundo e deve exigir e lutar por isto com unhas e dentes. Querem participar de cargos políticos, por exemplo, não para uma transformação social, mas como quem trava um duelo épico (do Bem contra o Mal, sem lugar para a Justiça Divina). Até aqui nos parece que a Teologia da Prosperidade só melhora a vida dos seus disseminadores.
O dinheiro que surgiu há apenas 2500 mil anos, em forma de moeda metálica, e que, depois virou papel-moeda, e mais recentemente, dinheiro eletrônico, a cada metamorfose, foi se submetendo mais e mais à natureza humana, à sua lógica dominante. Assim, o ser humano também mudou seu enfoque sobre o centro do universo. Antigamente, Deus era o centro de todas as coisas; depois, com o advento do humanismo, o ser humano passou a ser o foco de tudo; finalmente, na pós-modemidade, o dinheiro passou a ser a medida de todas as coisas. Ele está de tal forma imbricado na cobiça, inerente à natureza humana, que engendrou um sistema para dar-lhe guarida: o capitalismo. (Ednaldo Michellon).

2.3 O perigo do Consumismo

Amor, o cumprimento da lei (13:8-10)

- Não deva nada além do amor
* Devemos pagar nossas dívidas
- Devemos ser cuidadosos em fazer dívidas, para que possamos pagá-las
- Honestidade e integridade nos negócios são componentes vitais de cristianismo
* O amor é uma dívida que não se pode pagar; sempre devemos amor
- O amor é o cumprimento da lei
* Ironicamente, hoje em dia alguns procuram colocar a lei e o amor em oposição
* O amor resume a lei; a lei é a aplicação específica do amor em situações concretas

A Carta de Paulo aos Romanos – Gary fisher – www.estudosdabiblia.net

Bom, os cristãos estão numa sociedade, que eles mesmos ajudaram a construir, cujos valores mais elevados vieram da pregação e da tradição judaico-cristã. E isto, obviamente, faz com que os cristãos, de alguma maneira, tenham de cooperar para o bem do Estado, cooperar para que haja o progresso da civilização, progresso da humanidade, progresso da sociedade. Agora, isto tem um limite, porque aos cristãos só é permitido uma dívida: o amor. O cristão não pode dever nada a ninguém além do amor. Portanto, isto significa que o cristão tem de ter um padrão de justiça tal que faça com que ele, em nenhum momento, se comprometa. Impossível pensar na possibilidade de um cristão estar devendo favores tais que seja constrangido a não viver segundo o padrão de Deus por causa dos favores e débitos que acumulou. E isto faz com que a situação dos cristãos que têm vocação política — principalmente destes — seja delicada.
A vocação política é uma vocação natural, normal, digna, como qualquer outra vocação. Mas é preciso que o cristão que tem esta vocação tenha consciência de que ele não pode ser constrangido, sob hipótese alguma, a transigir com o padrão divino. Portanto, ele não pode se associar os ímpios, que andam em orgias, bebedices, corrupções e soluções, que andam sob trevas; porque o chamado do cristão é revestir-se das armas da luz. Portanto o cristão não pode se envolver nas obras das trevas.

Carta de Paulo Aos Romanos – Ariovaldo Ramos

O “crédito para consumo” é um outro nome para dívidas. O Sistema Financeiro Mundial Faz as pessoas acharem normal e inofensivo comprar sem poder pagar de forma sadia, estar sempre gastando todas as economias no pagamento de dívidas feitas seguindo o padrão escravizado (consumista). As pessoas se orgulham hoje em dia de terem o nome com “crédito” no mercado. Tudo não passa de dominação econômica. Assim o consumismo opressivo controla a maior parte da humanidade. As propagadas iludem garantindo que comprar, mesmo sem poder pagar, é essencial para mover a Economia. Nossas vidas espirituais ficam enfraquecidas devido aos homens estarem reféns do dinheiro possuído e do dinheiro loucamente ambicionado. Passam a vida pensando como ganhá-lo, em trabalhos extenuantes, sacrificando a família e os amigos (Pv 22:7). Em vários países já existem cursos e ensinamentos para a “Libertação do Cartão de Crédito”, que só deveria ser usado eventualmente e sem entrar no “rotativo”, devido aos altos juros.



3. O Cristianismo Puro e Simples

Segundo a Tradição Cristã, existem três virtudes teológicas que podem sintetizar o Cristianismo: a Fé, a Esperança e a Caridade (I Co 13:13). A fé foi doada por Deus ao ser humano para que ele possa ser salvo. A Fé, portanto, é um dom de Deus (Ef 2:1-8). A Esperança é fruto da fé que recebemos de Deus. Passamos a ter esperança, pois invocamos o nome do Senhor (Rm 10:13). A Caridade é a maior das virtudes. Ela dá vida contagiante, é maior que os talentos. A caridade nunca falha.

Será que, portanto, não temos nada “permanente”? Paulo volta a testemunhar isso outra vez no final do presente capítulo: permanece algo essencial de nossa vida cristã. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três.” A respeito de conhecer, de orar em línguas e de profetizar Paulo teve de declarar: serão descartados, acabam. Mas ele não afirmou isso em relação ao “crer” e “esperar”! É verdade que não se situam simplesmente de forma equivalente ao lado do amor. O amor é e continua sendo “o maior destes” ou “maior do que estes”. No entanto, do v. 7 já sabemos com que solidez a fé e a esperança estão unidas ao amor. Por isso não “caem”, como tampouco o próprio amor cai. Isso pode ser entendido de duas maneiras. Paulo pode estar dizendo simplesmente: quando o que o amor crê for visualizado em plena realidade e o que ele espera for atingido com glória, “permanecerão” a fé e a esperança, ainda que estando cumpridas. Para nossa vida cristã significa muitíssimo que possamos saber que, ainda que todo o resto tenha apenas uma importância provisória e um dia acabe, minha fé e minha esperança não serão “descartadas” assim, elas “permanecem”, e nelas abracei de fato algo eterno. Por outro lado Paulo também pode estar pensando que ao amor ao Deus reconhecido “face a face” sempre ficará conectado um “crer”, uma confiança obediente.
Igualmente jamais cessará o ato de dar e criar por parte do Deus eternamente rico. Por isso também no “definitivo” o amor constantemente terá de aguardar e “esperar” o que Deus ainda tem preparado para ele. Nunca Deus dirá que agora toda a sua riqueza está esgotada e que não tem mais nada para dar. Por isso o amor ficará eternamente ligado à “fé” e à “esperança”. Essa concepção também será a interpretação mais correta pelo fato de que em todo o trecho Paulo sempre fala das atividades como tais, ou seja, do “conhecer” e “profetizar”, mas não de seus resultados. Em decorrência, tampouco dirá agora que aquilo foi crido e esperado “permanece”, mas que permanece o crer e esperar como ação nossa, do mesmo modo como não “permanece” o que é amado por nós, mas sim o próprio amar.
Todavia, ainda que o crer e esperar “permaneçam” juntos com o amar, o amor é “o maior destes”. A. Schlatter fundamentou isso de forma muito bela: “O amar é maior que o crer porque se relaciona com ele como o todo com a parte, como a consumação com o começo, como o fruto com a raiz. Se o crer fundamenta o receber, então o amor fundamenta o dar; se o primeiro é o despertar da vida em nós, então o segundo é sua confirmação. Através dele o amor de Deus atinge seu alvo em nós; com ele existe a boa vontade que é configurada de acordo com a vontade divina e o torna instrumento. Através dele o crer é alçado acima do perigo de apenas saber a verdade de Deus, mas não praticá-la, de desejar o amor de Deus e apesar disso torná-lo inútil. Ele é a aceitação irrestrita da graça divina; porque desse modo ela perpassa todo o nosso querer” (A. Schlatter, Der Glaube im NT [A Fé no NT], 3ª ed., p. 373).
Paulo via o perigo mortal em Corinto. “Não têm amor”, era essa sua dor em vista de muitos membros da igreja. Apesar disso não expressou palavra alguma sobre como podemos aprender a amar e chegamos ao amor. Sua vida descortinava isso com suficiente poder perante todos que quisessem ver. O sério, devoto, correto e, pela lei, justo Saulo de Tarso não teria sido capaz de escrever nenhuma linha deste capítulo. Era um mundo estranho para ele. De forma idêntica ficarão perplexos e cegos diante deste capítulo também hoje todos os moralistas, todos os devotos legalistas. Agora, porém, podemos constatar em Paulo a realidade plena: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5.17). Agora Paulo escreve 1Co 13, agora essa é sua palavra maior e decisiva, agora ele vive nesse amor, do qual dá testemunho. Como isso aconteceu? Aconteceu no encontro com Jesus, e precisamente com o Jesus no madeiro maldito, odiado por Paulo e que o deixava indignado. Quando Deus lhe abriu os olhos e lhe revelou seu Filho (Gl 1.13-16), ele passou a ver no Jesus fustigado, ensangüentado, expulso e moribundo não mais o blasfemo de Deus, aquele que foi maldito com razão. Então reconheceu o amor que sofre tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo. Então ruiu toda a sua devoção própria, autojustificadora, fria e sem amor. Todo o Saulo de Tarso anterior havia deixado de existir. Nele agora vivia Cristo, o Filho de Deus, que o amou e a si mesmo se ofertou por ele. Na fraqueza e loucura de Deus na cruz ele via o inconcebível amor de Deus, do qual nada mais podia separá-lo e ao qual ele, porém, tinha de pertencer e servir, portanto, com cada batimento do coração. Agora ele estava consciente: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, não sou nada. E se distribuo todos os meus bens e se entrego meu corpo, para que eu seja queimado, porém não tenho amor, isso nada me aproveitará.

Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança

3.1 A Fé Cristã

Ninguém deseja um cristianismo frio, triste, intelectualizado.
Mas será que isso significa que temos que evitar a todo custo o “intelectualismo”? Não é a experiência o que realmente importa, e não a doutrina? Muitos estudantes fecham suas mentes ao fecharem seus livros, convencidos de que ao intelecto compete apenas um papel secundário, se tanto, na vida cristã. Até que ponto têm eles razão? Qual é o lugar da mente na vida do cristão iluminado pelo Espírito Santo?
Tais perguntas são de vital importância prática, e afetam todos os aspectos de nossa fé. Por exemplo, até que ponto devemos apelar à razão das pessoas em nossa apresentação do Evangelho? A “fé” implica em algo completamente irracional? O senso comum tem algum papel a desempenhar na conduta do cristão?
O que Paulo escreveu acerca dos judeus não crentes de seu tempo poderia ser dito, creio, com respeito a alguns crentes de hoje: “Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento”. Muitos têm zelo sem conhecimento, entusiasmo sem esclarecimento. Em outras palavras, são inteligentes, mas faltam-lhes orientação.
Dou graças a Deus pelo zelo. Que jamais o conhecimento sem zelo tome o lugar do zelo sem conhecimento! O propósito de Deus inclui os dois: o zelo dirigido pelo conhecimento, e o conhecimento inflamado pelo zelo. É como ouvi certa vez o Dr. John Mackay dizer, quando era presidente do Seminário de Princeton: “A entrega sem reflexão é fanatismo em ação, mas a reflexão sem entrega é a paralisia de toda ação”.

Crer é também pensar – John R. W. Stott – Ed. A.B.U.

A Fé deve ter um mínimo de raciocínio, entendimento e análise (Mt 22:37, Rm 7:23 e 25, I Co 14:14, 15, 19 e 20). De fato, algumas vezes é necessário dar um “voto de confiança” na Fé (em Deus, na verdade) e seguir, obedecer e esperar mesmo sem ver ou entender o todo da coisa (Ef 3:19). Como diz um comediante: “a cabeça não só pra separar as orelhas, não”. O apóstolo Paulo nos disse que: “Que fazer, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento”. (I Co 14:15)

3.2 A Esperança Cristã

Agora (nuni infere-se ao tempo generalizadamente sem referência a qualquer outro tempo, mas aqui ele pode bem ser lógico e não temporal, sendo traduzido para deste modo, pois).
Permanecem a fé, a esperança e o amor. Essas virtudes sobrevivem aos dons, e conseqüentemente, devem ser cultivados com mais dedicação. Não é verdade que "a fé se desfaz à vista, e a esperança acaba com o deleite", pois ambas permanecem eternamente. Como a fé e a esperança permanecerão? Godet acertou o seu significado: "A essência permanente da criatura é que nada possui de próprio, sendo eternamente desamparada e pobre . . . Não é de uma vez, mas continuamente, na eternidade, que a fé se transforma em visão e a esperança em posse. Essas duas virtudes, portanto, permanecem para viver incessantemente" (op. cit. II, 261). O amor é a maior das forças do universo, e a sua fonte verdadeira e expressão mais definida é o Gólgota. Sob o impulso desse amor não se pode deixar de cantar, com adoração:
O mundo inteiro não será
Presente digno do Senhor
Amor tão grande e sem igual,
Em troca exige o meu amor.

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

A atestação expressa na revista do desejo característico e freqüente dos servos de Deus de estarem na Eternidade, juntamente com as marcas históricas deixadas em todos os lugares do Mundo, nos faz pensar: estamos realmente pensando no porvir (o futuro da Humanidade)? Ou, como prega a Teologia da Prosperidade, estamos apenas preparando o nosso individual estado no presente?Estamos moldando gerações, culturas, nações, mentes e corações, ou nos deixando a cada dia mais moldados à imagem, normas e costumes mundanos e pagãos? Não responderei. Rogo que ponhamos a mão na consciência de forma sincera e façamos um comparativo de como estamos agora com quando abraçamos a fé. Do estado atual da igreja com a Igreja Primitiva. Comparem os vários momentos entre si. Esbocem e definam o ideal, o atual e o mais honroso proceder para com Deus e mudemos o necessário. Ainda há esperança. Somos o povo da esperança!


3.3 A Caridade Cristã

Caridade: significa amor no sentido cristão; não apenas fazer algo para ser piedoso ou bondoso, mas fazer sempre o melhor com todo o amor por JÁ SERMOS BONDOSOS (quem foi transformado possui o Fruto do Espírito). Tal amor não é emocionalismo, empolgação e nem interesses pessoais, financeiros ou outros mesquinhos e imediatistas. Aquele estado de bondade que temos naturalmente com a nossa pessoa (deveríamos ter, já que somos guardiões do Templo do Espírito), deveríamos necessariamente ter para com todos os homens. Se ainda não temos isso com as outras pessoas precisamos aprender a ter urgentemente, pois é um dos ensinos mais básicos de Cristo. Não podemos viver de conquistas egoístas, ganâncias, ansiedades, ceder às opressões dominantes ou ostentações. Devemos repartir os bens terrestres como testemunho, já que amar é doar-se e é repartir.


Conclusão

Ter bens materiais não significa necessariamente ser próspero na linguagem bíblica. Valorizar a pobreza também não é sinal de humildade cristã. O que precisamos entender acima de tudo é que os bens que possuímos são dádivas de Deus para suprir nossas necessidades e nos trazer satisfação pessoal. Mas não podemos nos esquecer, que se temos bens materiais é porque temos a oportunidade de dividir com quem não tem.


Fontes:

Bíblia Sagrada ARC/ARA/ACF/TB/BV/NTLH/NVI
Vida Cristã Vitoriosa (revista) – Editora Betel – 1º Trimestre 2013 – Lição 09
João, A Jornada da Fé – Bruce Mclarty – A Verdade para Hoje
Comentário Bíblico Matthew Henry Conciso NT – Matthew Henry - CPAD
Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança
Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular
Carta de Paulo Aos Romanos – Ariovaldo Ramos
A Carta de Paulo aos Romanos – Gary fisher – www.estudosdabiblia.net
Crer é também pensar – John R. W. Stott – Ed. A.B.U.

Literaturas Recomendadas

Nós Nos Tornamos Naquilo Que Amamos – A. W. TOZER (link)
Ouça o Espírito, Ouça O Mundo – John Stott – Ed. A.B.U.
A Teologia da Prosperidade – Edson Poujeaux Gonçalves – Seminário Evangélico de Patos

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