domingo, 10 de março de 2013

EBD Editora Betel - A Parábola do Filho Pródigo e As Lições para a Igreja Atual





Assembleia de Deus CONAMAD
Lição 10 – 10 de Março de 2013
Revistaebd Revista escola bíblica dominical editora betel conamad Passagem bíblica trecho bíblico bíblia como estudar teologia bíblia escola dominical escola dominical betel escola biblica betel escola bíblica betel escola dominical conamad auxilio professor ajuda professor subsídio professor auxílio professor subsidio comentario ebd comentário bíblico ebd professor mestre comentário biblico escola dominical comentario biblico escola bíblica comentario bíblico pregação pregador palestra estudo bíblico bíblico



Texto Áureo

“Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus para com os que caíram, severidade; mas, para contigo, a benignidade de Deus, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira, também tu serás cortado”. Rm 11:22

Mas para contigo, a bondade de Deus.
A expressão "de Deus", que consta do texto grego, falta em AV. (RSV: "bondade de Deus"; NEB: "bondade divina".) Ver 2:4.
Se nela permaneceres; doutra sorte também tu serás cortado. Em AV aparece aqui o qualificativo divino da referida bondade: "Se permaneceres em sua bondade." Em todo o Novo Testamento a continui­dade é o teste da realidade. A perseverança dos santos é doutrina fir­memente alicerçada no ensino do Novo Testamento (e não menos no en­sino paulino). Mas o seu corolário é que são os santos que perseveram. Desde que "mediante a fé estás firme" (v. 20), é salutar exercício atender à injunção de Paulo aos cristãos de Corinto: "Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé" (2 Co 13:5).

                Romanos - Introdução e Comentário - F. F. Bruce – Ed. Vida Nova

Verdade Aplicada

Quando compreendemos a misericórdia de Deus na restauração dos que se afastaram Dele, alegramo-nos com o seu retorno.
Possa ser (o mais provável) que não compreendamos a misericórdia de Deus. Porém, por já a termos sentido, cremos que exista. Se conosco ele teve tal bondade, pode ter com outros.

Objetivos da Lição

Destacar a misericórdia de Deus;
Mostrar a insensatez do filho pródigo;
Apelar para a vigilância quanto os nossos sentimentos, evitando um comportamento ciumento e excludente na casa do Senhor.

Glossário

Excludente: que exclui;
Magnanimidade: que tem grandeza de alma, liberal, generoso;
Paradigmas: um exemplo que serve como modelo; padrão.

Textos de Referência

Lc 15:1 - E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.
Lc 15:2 - E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores e come com eles.
Lc 15:11 - E disse: Um certo homem tinha dois filhos.
Lc 15:12 - E o mais moço novo deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda.
Lc 15:13 - E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda, vivendo dissolutamente.


Leituras Complementares

Segunda  Jo 3:16        Terça  Jo 3:17 Quarta Jo 3:18
Quinta     Jo 1:12        Sexta  Jo 1:14             Sábado Mt 11:28


Introdução

Nem todos os judeus aceitaram Jesus como o Messias, todavia isso não fez com que Ele parasse a sua missão. O seu caráter não foi afetado, apesar da¹ toda a oposição da religiosidade de homens maus. Apesar de toda a pressão, continuou em direção ao triunfo da ressurreição, sem intimidar-se com a turba que o oprimia, tentando desviar² de sua gloriosa missão. E, na rejeição de seu povo (Jo 1.11,12), foi buscado pelos que não perguntavam por ele, foi achado por aqueles que nunca o buscaram, pessoas que não conheciam o seu nome, receberam a oportunidade de serem recebido por Ele (Is 65.1).

“O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (1:10, 11). O Criador do mundo foi rejeitado pelo mundo que Ele criou! João não permitiu que a perturbadora rejeição do mundo em relação a Jesus o impedisse de defender as alegações que fizera anteriormente sobre Ele.
A rejeição de Jesus, alegou João, dizia muito mais sobre o estado do mundo do que sobre a grandeza de Jesus. Jesus continua sendo “a verdadeira luz” (1:9), mesmo quando um mundo em trevas vira as costas para Ele! A rejeição que Jesus sofreu do mundo que Ele criou é como a seguinte parábola sobre um homem que voltou para casa após um duro dia de trabalho:
Ele está exausto devido aos esforços do dia, contente por ter terminado seu trabalho, e ansioso por estar em casa com a família. Seus passos aceleram à medida que se aproxima de casa. Enfia a mão no bolso à procura da chave, mas ela não está lá; de alguma maneira ele a colocou em outro lugar. Mas isso não importa, a família está em casa. Então, ele vai até a porta da frente e toca a campainha. E nada acontece. Ninguém abre a porta para ele. Eles estão lá e sabem que ele está lá. A cortina está semi-aberta e os olhos que ele conhece tão bem olham para ele e o vêem. Mas eles o deixam parado lá fora.
É impensável que o chefe de uma família seja ignorado e rejeitado dessa forma pelas pessoas que ele ama e sustenta. Todavia, foi exatamente isso o que aconteceu quando Jesus veio ao mundo.
A dramática introdução de João não termina com a amarga nota de rejeição, mas com uma espe-rançosa nota de salvação. Nem todos viraram as costas para Jesus. Alguns, entre eles os leitores de João, optaram por seguir o mestre de Nazaré. João declarou: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem fei-tos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (1:12). É por isso que o Evangelho de João foi escrito. Alguns ouviriam e chegariam a crer (20:31) e crendo, receberiam vida no nome de Jesus!

João: A Jornada da Fé – Bruce Mclarty –- A Verdade para Hoje

Notas D.A.:
¹ apesar de toda a oposição.
² tentando desviá-lo de sua gloriosa


1. Características de Deus Pai

Para tornar a sua denúncia efetiva contra os judeus, Jesus conta três parábolas, aqui nos ateremos a do filho pródigo. A discriminação contra os seguidores de Jesus tinha, como raiz, a inveja da liderança religiosa que o via como alguém que estava tomando para si, uma grande fatia do bolo social judaico da religiosidade dominante, inclusive penetrando nas camadas da alta sociedade desprezadas e taxadas maldosamente como “publicanos e pecadores”. A fim de combater aquele mal, Jesus evoca a figura de um pai magnânimo, ilustrando a pessoa do Pai celestial, como veremos a seguir.
Os tempos mudaram. Ou não? Cristo é o mesmo. Nós, cheios de tecnologias, aparentemente somos evoluídos. Nos dias de suas caminhadas, Jesus enfrentou líderes religiosos gananciosos, idólatras, levianos, sensuais, dominadores e invejosos. Não havia a Bíblia como a temos hoje. Será que realmente estamos em um tempo novo? O que Cristo viu e enfrentou, era algo inovador de verdade? Temos a certeza que Deus continua a nos dar graça, força e alegria de o servir e de viver, pois rever coisas tantas vezes reincidentes nos faria desistir, caso ele houvesse mudado!

1.1 A liberalidade de Deus

Alfarrobas. As vagens de alfarrobeira, que foram comidas por João Batista (Mt. 3:4). Eram vagens compridas, de paladar doce e constituíam freqüentemente parte da alimentação das pessoas pobres. Dava. O verbo dá a entender um costume ou processo. "Ninguém lhe costumava dar alguma coisa".
Trabalhadores. Os servos pagos nos tempos bíblicos tinham a vida mais difícil do que os escravos, porque seu emprego era incerto, enquanto que os escravos podiam estar certos do alimento e abrigo.

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular Moody

Aquele pai é rico fazendeiro, tem muitos trabalhadores a seu dispor, paga bem aos seus funcionários e tem dois filhos. Quando o filho mais moço pede sua herança, fere-lhe a alma, mas liberalmente ele concede. Não era ético um pedido daquele, além do mais, o pai estava vivo*. E depois disso, o filho sai pelo mundo extraviando a sua herança. Mas o pai espera que ele volte, ao retornar, o recebe e faz festa. O mais velho, austero, responsável, legalista e intolerante reclama, mas o pai esclarece sua posição e tenta convencê-lo a participar de sua alegria agora. A generosidade de Deus se desabrocha em liberalidade, Ele quer que estejamos em sua casa por amor. De tudo, ele nos dá e não gostaria jamais que esbanjássemos nada, todavia se quisermos partir, teremos a nossa própria “grande experiência”, para nos provar que junto a ele é sempre melhor (Lc 15:16 e 17)

* Nota D.A.: O termo Herança é diretamente ligado à Morte, ao se tratar de bens, posses e etc. Com o pai vivo, tal partilha de bens era algo como que um tipo de coação/extorsão, além de moral e eticamente horrível.

1.2 O perdão de Deus

Deus nos é revelado no perdão de pai, ilustrada na parábola em que o filho mais moço não conhecia bem, mas o pai lhe estava a esperar para esse fim (Lc 15:2). Quando o filho chega, ele o recebe calorosamente, trata dele e decreta feriado na fazenda e faz um grande festejo com música, danças e muita carne por conta da casa. Todo mundo fica feliz, menos um, o filho mais velho quando sabe o que está acontecendo na fazenda (Lc 15:25-28). Os publicanos e pecadores arrependidos de todos os tempos que recebem Jesus, experimentam o perdão do Pai celestial, a alegria salvação e a restauração da humanidade verdadeira (Gn 1:26)*.

* Nota D.A.: Cremos que esta referência tenha sido um equívoco, dado o conteúdo da mesma.

...A omissão de certas coisas numa parábola não tem qualquer significado particular. Uma parábola é importante e significativa por causa daquilo que ela diz, e não devido às coisas que não diz. O seu valor é exclusivamente positivo, e de forma alguma negativo. Ora, digo a vocês que a desconsideração desta simples regra tem sido responsável pela maioria das estranhas e fantásticas teorias e idéias supostamente desenvolvidas a partir desta parábola do filho pródigo. É impressionante que tal coisa tenha sido possível, pois se aquele que fizeram isso tão-somente tivessem examinado as outras duas parábolas que encontramos neste mesmo capítulo, teriam compreendido imediatamente até que ponto seus métodos foram injustificáveis. Porque então, não tiraram delas também conclusões negativas? E igualmente com todas as outras parábolas? ...Quero ilustrar isso, lembrando-lhes de algumas das falsas conclusões tiradas desta parábola. Não seria esta parábola a qual se referem constantemente quando tentam provar que idéias de justiça, juízo e ira são completamente estranhas à natureza de Deus e aos ensinos de Jesus a respeito dEle? “Não vemos nada aqui”, dizem, “acerca da ira do pai, nem qualquer exigência de certos atos por parte do filho — somente amor, puro amor, nada senão amor”. Este é um exemplo típico de uma conclusão negativa tirada desta parábola. Só porque ela não apresenta um ensino declarado sobre a justiça e ira de Deus, presumem que tais características não fazem parte da natureza de Deus. O fato de Jesus Cristo enfatizar essas características em outros textos é completamente ignorado. Outro exemplo é o ensino de que esta parábola elimina a absoluta necessidade de arrependimento. Ouvi falar de um pregador que tentou provar que o pródigo era um farsante, mesmo quando voltou para casa, que ele decidiu dizer algo que soasse bem, ainda que realmente não viesse do seu coração, apenas para impressionar o pai, e que a repetição exata de suas palavras provava isso. O ponto crucial era que, apesar de tudo isso, apesar da repetição hipócrita das palavras, ainda assim o pai o perdoou. O argumento final desse pregador era que o pai não disse uma palavra concernente ao arrependimento. Portanto, uma vez que ele nada disse a respeito, não é importante; uma vez que o arrependimento não é ensinado nem enfatizado pelo pai, isso significa que arrependimento diante de Deus não importa!

A Parábola do Filho Pródigo – David Martin Lloyd-Jones – http://www.monergismo.com

Alguém que não conhece o caráter de Deus, nem percebe o Senhor e a sua misericórdia, poder, autoridade, compaixão, nem a sua fidelidade e nem o seu perdão, não consegue sentir e receber o per­dão de Deus nem se perdoar, sentindo-se culpado por tudo. Assim, não consegue tomar posse do que Deus diz para ela. Não consegue viver em paz, sem culpa; isso passa a ser o seu tormento. E neste sofrer, muitas vezes começa a inquietar outras pessoas com o seu sentimento de culpa.
Guardemos em nosso coração essa ver­dade (do Perdão e do Amor de Deus) de modo intenso para a glória do Pai, vivendo-a de modo apaixonado e apaixonante.
Muitas pessoas conhe­cem você, ou como você quer parecer que é. Deus, o Pai, também o conhece. Satanás o conhece. Porém, estes dois últimos sabem quem você realmente é. Deus sabe quem você realmente pode ser e quem você quer ser. Você precisa saber e tomar posse da graça que há no perdão de Deus. Pedro negou o Senhor, mas ele se deu conta, se apressou e não quis viver com o sentimento da culpa: saiu da presença de Jesus e chorou amargamente. Ele se arrependeu!
            Não viva escravizado pela culpa. Cada dia pode tornar-se um tormento para quem não conhece o perdão de Deus. Este pode ser o seu último minuto de agonia. Tome posse do perdão do Pai. Arrependa-se e deixe o Senhor Jesus lhe perdoar. Aceite maravilhoso perdão gratuito que há em Cristo. O sangue de Jesus é poderoso e pode lavá-lo de toda impureza, culpa e de toda a tristeza.

1.3 A compreensão de Deus

A compreensão de Deus não foi algo inaugurado pela “Era do Messias”. Não é por “só agora” ter chegado o Redentor, que podemos dizer ou pensar que antes Deus era rígido, insensível e apenas matava e destruía. O Deus que suportou os erros de um povo, é o mesmo que o disciplinou o enviando para o cativeiro na Babilônia. Também foi o mesmo que anunciou que o removeria de lá, antes disto acontecer (Is. 43:5-15):

Agora o profeta pergunta inquietado se acaso Israel poderá dar conta da própria natureza dos acontecimentos que estão a ponto de suceder depois de ter chegado o fim do cativeiro babilônico (v. 23; comp. v. 9). Havia abodado a redenção de Israel, a qual é expressão do próprio zelo de Jeová para fazer conhecidos seus propósitos na História Universal. O povo de Israel irá ser conduzido de volta a sua terra, e Jeová irá preparar o caminho. Diante deles ele transformará as trevas em luz e os lugares escabrosos em planícies  (vv. 15, 16).  Este acontecimento constituirá uma grande bofetada para os idólatras, tanto das demais nações como os que no meio de Israel escolheram outros deuses além de Jeová (v. 17). O retorno de Israel a sua terra não constitui um movimento puramente ideológico e político, já que como indica o verso 8, Israel permanece cego e surdo, quer dizer, inconsciente diante da natureza destes acontecimentos históricos. É um ato de Deus, e por isso mesmo Israel como servo de Jeová é sua testemunha na História (v. 10) e no conflito da fé monoteísta com a concepção politeísta e idólatra da História (vv. 9-13). E a testemunha, antes de testemunhar, há de ser um convencido de sua fé no Deus único. Por isso Deus fez que Israel presenciasse uma história articulada e dirigida pelo Deus supremo: ...para que me conheçais e me creiais, afim de que entendais que Eu Sou (43:10; comp. Jo 8:58).

Comentário bíblico mundo hispano Isaias – Editorial Mundo Hispano (Trad. Livre MDA)

Deus (o Pai) teve grande paciência, amor, trato e compreensão das coisas (não aceitou dentro de si, mas permitiu). Ele sabia que tudo aquilo era para o aprendizado de todos de sua casa. O filho mais velho (irmão de sangue e criação do Pródigo) ficou ao lado do Pai. Este o tratou muito bem, apesar de sua intolerância e egoísmo (confirmados na volta do irmão mais novo). Na Obra de Deus, devemos sempre nos alegrar com os que se alegram, chorar com os que choram e não ter ciúmes do Lar Paterno Divino!
O interessante é que esses “grandes” pecadores negligenciados pela religiosidade, foram os que acolheram, Jesus. Dentre eles, Mateus (chamado Levi) que se tornou apóstolo e escritor; Maria Madalena, de conduta duvidosa (testemunhou a ressurreição), etc. A magnanimidade de Deus é revelada até com a compreensão do queixoso Filho mais velho, porém é certo que Ele não deixará de fazer nada por causa dos seus planos.


2. A Insensatez do Filho Pródigo

O Senhor Jesus denunciou dois comportamentos que demonstraram falta de temperança. O filho mais novo que pediu a herança e a consumiu inutilmente, e do filho mais velho que permaneceu em casa, mas agiu intolerantemente, não demonstrou afeto, pois tinha uma imagem do Pai – até ali equivocada – de intolerância também*. Jesus quer nos fazer perceber que ambos os filhos estavam sob aprendizado: Deus estava corrigindo o mundanismo do que saiu e o legalismo do que ficou.

* Nota D.A.: Não vemos base para concluir isto. Sabemos apenas que o mais velho agiu com intolerância. Isso sequer prova que ele sempre foi ou era intolerante. Menos ainda diz sobre o proceder pregresso de seu pai.

A. Certo homem - pessoa com certas posses como sugere a parábola.
B. Dois filhos - o filho mais velho é citado desde o início. O jeito dele não
fazer nada para reconciliar seu irmão a seu pai mostra que ele também está
perdido. Sua omissão é sua culpa.
C. O filho mais moço - tinha direito a 1/3 (um terço) da herança. O irmão
mais velho levava o dobro. Nenhum filho tem o direito nem a ousadia de pedir
a herança estando o pai em vida. Isto é um insulto. É desejar a morte do pai.
D. Legislação sobre a partilha/herança - a herança poderia ser passada em
testamento ou doação entre vivos. No último caso, se o pai, por sua iniciativa
assim quisesse transmitir seus bens, ele os daria do seguinte modo: os bens
seriam constituídos de capital e posses. O capital era transferido
automaticamente, e as posses seriam transferidas ao filho. O filho teria o
direito de posse, mas não ainda o direito de dispor (vender), e o gozo do uso
(usufruto). O pai ficaria utilizando as posses até sua morte. O que o filho mais
novo pede é um absurdo. Ele pede o direito de posse e o direito de dispor,
além do capital.
E. Versículo 13 - o rapaz transformou a herança em dinheiro e foi para uma
cidade mais cheia de prazer. Em Israel e no Oriente, vender a herança é coisa
típica de um renegado.
F. Dissolutamente - vida desregrada e libertina. Exageros e gastos
impensados. (Pv 29.3 - situação semelhante).

As Parábolas de Jesus – Álvaro César Pestana

2.1 A loucura do Filho Pródigo

Os cientistas comportamentais e os pedagogos já constataram nas últimas décadas que os filhos não se empenham em voarem sozinhos. Quando se chegava por volta dos 10 aos 12 anos, começava-se a gerar a legítima adolescência: indefinições, medos, incertezas, asperezas e etc. Após os 18-20, começava a brotar um desejo e projetos de criarem seus terrenos, casas, famílias e tudo o mais. Iriam, até os 28-30, sair de casa! Nos dias atuais, vemos filhos de mais de 30 anos morando com os pais despreocupadamente. Muitos chegando até aos 35 assim. São os chamados ‘adolescentões’. Seguimos por outro aspecto em relação ao comentário da revista, que fala muito apropriadamente sobre ser necessário muito planejamento para sair de casa. Naquela ocasião e situação, ele estava sendo tolo (perderia o conforto do lar, as riquezas e não tinha formado outra família). Nos dias atuais, os pais estão super-protegendo seus filhos a título de ‘ajudando na sua formação escolar-acadêmica’, impedindo assim seu amadurecimento e a formação de uma sociedade equilibrada e sólida.

OBS.: Os dados de idade acima não são precisos, mas apenas a média das estatísticas e baseam-se em constatações vivenciais.

2.2 A humilhação do Filho Pródigo

Todos podemos discernir alguns rasgos de nosso próprio caráter nos do filho pródigo. Um estado pecaminoso é um estado de separação e afastamento de Deus. um estado pecaminoso é um estado de desperdiço: os pecadores voluntários empregam mal seus pensamentos e os poderes de sua alma, gastam mal seu tempo e todas as oportunidades. Um estado pecaminoso é um estado de necessidade. Os pecadores carecem das coisas necessárias para suas almas; não têm comida nem roupa para eles, nem nenhuma perversão para o além. Um estado pecaminoso é um vil estado de escravidão. O negócio dos servos do domínio é fazer provisão para a carne, cumprir suas luxúrias e isso não é melhor que alimentar os porcos. Um estado pecaminoso é um estado de descontentamento constante. A riqueza do mundo e os prazeres dos sentidos nem sequer satisfazem nossos corpos, mas que são em comparação com o valor das almas! Um estado pecaminoso é um estado que não pode buscar alívio de nenhuma criatura. Em vão choramos o mundo e a carne; têm o que envenena a alma, mas que nada têm que a alimente e nutra. Um estado pecaminoso é um estado de morte. O pecador está morto em delitos e pecados, desprovido de vida espiritual. um estado pecaminoso é um estado perdido. As almas que estão separadas de Deus, se sua misericórdia não o evitar, logo estarão perdidas para sempre. O desgraçado estado do filho pródigo somente é uma pálida sombra da horrorosa ruína do homem pelo pecado, mas quão poucos são sensíveis a seu próprio estado e caráter!

Comentário Bíblico Matthew Henry Conciso NT – Matthew Henry – CPAD

Alguém que planejara viver em ostentações, esbanjamento e prazeres (às custas do trabalho de seu pai, que acumulou muitos bens), agora estava sem dinheiro, sem a família, sem os amigos e moralmente destruído. Preferiu o dinheiro (“bençãos”...?) a ficar vivendo e trabalhando com o Pai (o “Dono” das bênçãos). Com a humilhação de ter de trabalhar para ter o que comer (diz o texto que ninguém lhe dava nada e ele desejava a comida dos porcos) e o sofrimento de comparar como estava agora em relação à sua condição anterior, fizeram-no refletir sobre tal condição miserável. Seu interior lhe dizia (a voz do Espírito) que seu pai o receberia, nem que fosse ao menos como um trabalhador (“jornaleiro”). “Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai...” (v. 18) nos fala de encontro, confissão e ajustes. Não fala de vida restaurada. Ele se dispôs a pedir o perdão, sem ter a certeza de poder voltar como filho (concluiu que mesmo como empregado seria muito melhor que como errante e miserável). Precisamos sempre reconhecer nossa própria condição: ruim, péssima, ideal ou se estamos agradando ao Senhor. Meditemos sobre o fato de não ter sido a comida dos porcos que levou o filho pródigo ao arrependimento, mas sim a lembrança da casa do pai.

2.3 A recepção calorosa do Pai

Mas quero que observem que isso não só era novo para os judeus e os seus líderes, mas também para o mundo todo. A esperança estendida pelo evangelho aos mais vis e desesperados não só contrariava o miserável sistema dos judeus, mas também a filosofia dos gregos. Aqueles grandes homens tinham desenvolvido suas teorias e filosofias; todavia nenhum deles tinha algo a oferecer aos derrotados e liquidados. Todos exigiam um certo nível de inteligência, integridade moral e pureza. Todos requeriam muito da natureza humana à qual se dirigiam. Também não eram realistas. Escreviam e falavam de forma altamente intelectual e fascinante a respeito de suas utopias e suas sociedades ideais, mas deixavam a humanidade exatamente na mesma situação. Eram totalmente alienados à vida diária do homem comum. As únicas pessoas que podiam tentar colocar em prática seus métodos idealistas e humanísticos para resolver os problemas da vida eram os ricos e os desocupados, e mesmo estes invariavelmente descobriam que esses métodos não funcionavam. Não havia, como nunca houvera antes, qualquer esperança para os desesperados do mundo antes da vinda de Jesus Cristo. Ele foi o único que proclamou a possibilidade de um novo começo.

A Parábola do Filho Pródigo – David Martin Lloyd-Jones – http://www.monergismo.com

Diz o texto que ao voltar para casa, o pai estava a sua espera e que este correu ao seu encontro. É fácil imaginarmos que seu pai constantemente o aguardava, e que possivelmente estiva sempre a olhar para a entrada da propriedade. Ao propor em seu íntimo querer ser admitido como um funcionário, é surpreendido por seu pai com um tratamento/recepção de príncipe! Vemos nesta ilustração a boa vontade divina com os perdidos, pecadores e até mesmo com os desviados, que conhecem os dois lados da vida e rejeitaram por um tempo a companhia do Criador, voltando ao Velho Homem.

1 – Roupa nova
O pai outorga perdão. A roupa nova simboliza o perdão dos
pecados e o esquecimento da vida passada. Assim é feito com o sumo
sacerdote Josué, que comparece diante de Deus com roupas imundas e
impuras e é perdoado e vestido com roupas limpas. Ao receber roupas limpas,
Josué ouve Deus dizendo: “Tirei de você o seu pecado” (Zacarias 3.1-5). Por
esta razão Paulo apóstolo afirma que nós já nos despimos do velho homem e
nos revestimos do novo homem (Colossenses 3.9,10).

2 - Sandálias para os pés
O pai restitui a filiação. Os escravos andavam descalços. As
sandálias nos pés representam a restituição do status de filho. O pai não
concorda que seu filho não seja digno. O perdão de Deus nos devolve a
dignidade. Quando somos perdoados somos vestidos de Deus (roupas novas),
e o pecado não faz mais separação entre nós e o nosso Deus (Isaías 59.2; 1.18;
João 1.12; 2Pedro 1.4).

3 - Um anel no dedo
O pai renova a vocação. O anel é símbolo de autoridade. Quando
Faraó deu a José autoridade sobre todo o Egito “tirou do dedo o seu anel-selo
e o colocou no dedo de José” (Gênesis 41.41,42).
No grego, há várias palavras para filho. As mais comuns são Hiós,
que indica o filho emancipado e a maioridade, e Téknon, que se refere à
menoridade. Quando Deus nos perdoa e recebe de volta em sua casa, não
apenas nos restitui a condição de filhos, mas de filhos emancipados (Romanos
8.16,17), e portanto, compartilha conosco sua missão e nos constitui
cooperadores na administração de seus negócios, pois isso é o que se espera
dos filhos adultos.

A Parábola dos Filhos Perdidos –  Ed René Kivitz – Ig. Batista de Água Branca


3. Paradigmas do Filho Mais Velho

Quando Jesus fala do filho mais velho, está tratando diretamente com os judeus críticos em geral, e mais especificamente com os seus críticos escribas e fariseus (Lc 15.1). Eles ilustravam o filho mais velho que não entrou na festa de comemoração do retorno de seu irmão. Na verdade, essa liderança não aceitava esse comportamento inclusivo de Jesus, porque gostava do conservar costumes antigos, como por exemplo a exclusão dos que não eram judeus, e ainda procurava impedir que os outros entrassem. Com muita sabedoria Jesus estava chamando-os de estúpidos e grosseiros.
Mais uma vez os comentários da revista estão muito sólidos, abrangentes e profundos. Deixamos os mesmos na íntegra para podermos expor pequenos ajustes. Acrescentamos apenas que tenhamos atenção em não comparar a indignação do filho mais velho com a rejeição de Israel ao Messias, até pelo fato de que os Gentios não voltaram de lugar nenhum, mas foram convidados a entrar (pela primeira vez; não estavam voltando de algum ‘desvio’ ou ‘abandono do lar’) na casa do Pai. Algumas dicas de leituras complementares e esclarecedoras (valham-nos o trabalho, nobres mestres!).

3.1 A visão da vida do filho mais velho

Há muitos que têm conceitos errados sobre Deus e sua graça e procuram se opor ao trabalho do Reino. Na verdade, Deus está querendo dar uma nova configuração através da manifestação da sua graça e poder, mas “o filho mais velho” não desfruta do que tem, porque quer permanecer no vinho velho de paradigmas antigos que perderam o efeito. Outros imaginam por que “há tantos anos” servem a Deus sem transgredir, estão sendo injustiçados, porque os mais novos em algum momento foram pródigos e agora tem um banquete preparado. Sem contar os que usam a prodigalidade de antigos pecados de alguns* para mostrar que eles, na verdade são mais dignos, porque dizem, “nunca transgredi o teu mandamento” (Lc 15.29; Mt 23.23-27).
Lembremos que, apesar de parecer que sim, estar servindo ao Senhor há mais de dez ou vinte anos, não nos dá nenhum direito especial. Quem o serve fielmente há poucos dias ou semanas tem os mesmo ‘direitos’. Se alguém o tiver servido por cinqüenta anos e se desviar por alguns dias e vir a morrer no erro e no Pecado, terá o mesmo destino de quem nunca o serviu. Lembram da Parábola dos Trabalhadores na Vinha? Lá, quem trabalhou pouco, recebeu o mesmo que os que trabalharam desde cedo.

* Nota D.A.: Melhor seria: “Sem contar os que usam a prodigalidade de antigos pecados de outras pessoas para mostrarem-se que, na verdade, são mais dignos, porque dizem: “nunca transgredi o teu mandamento”.

3.2 Recusou participar dos festejos

Festejos para uns e indignação para outros, o texto diz que “ele se indignou e não queria entrar” e o pai foi tão humilde que tentou conciliar a situação conversando com o filho mais velho. Mas não adiantou, o mais velho permaneceu irredutível. Devemos entender que Deus tem as suas maneiras de agir, e Ele sabe como fazer (Is 55.8). Coberto de ciúmes em sua atitude, estava demonstrando* que o Pai não sabia o que estava fazendo. Note aqui um precioso princípio: As pessoas são mais importantes do que coisas, elas tem valor por mais que tenham descido no pecado, são preciosas almas.

* Nota D.A.: Em seu entendimento, o filho mais velho achava e queria demonstrar que o Pai estava agindo errado.

3.3 A dureza de coração do filho mais velho

Apesar do apelo do pai, entendemos que ele* não entrou nos festejos do irmão**, porque os judeus continuaram endurecidos e fazendo oposição ao evangelho, basta observar o trabalho missionário de Paulo que constataremos isso. Para alguns, mais valem os seus pontos de vista, sua fidelidade e política interesseira do que a alma desse “teu irmão”. É uma lástima isso! Mas para o Pai, ele tem valor, porque estava morto “nos delitos e pecados”, mas reviveu em Cristo, estava perdido, mas foi achado. Mesmo que alguém, coisifique, despreze e não queira festejar¹. O crescimento do Reino vai continuar.
A situação de desprezo e oposição levou o Senhor Jesus a se pronunciar com sábia defesa de seus seguidores. Ele sabia como era difícil aqueles homens se posicionarem ao seu lado abandonando a velha vida. O lamentável é que há aqueles que acham que estão na casa fielmente, como o filho mais velho, não desfrutam devidamente do que o Pai tem. Isso acontece porque são ignorantes quanto a sua generosidade, tendo uma visão mesquinha e excludente.

Nota D.A.: * o irmão mais velho ** do irmão mais novo. Ficaria: “Apesar do apelo do pai, entendemos que o irmão mais velho não entrou nos festejos do irmão mais novo” (o texto estava ambíguo).
¹ Cremos que melhor seria: “Mesmo que alguém coisifique, despreze e não queira festejar, o crescimento do Reino vai continuar.


Conclusão

O que percebemos, através de Lucas 15, é que o Senhor Jesus, apesar de respeitar a sua cultura, não estava de acordo com ela, pois os judeus tinham uma repulsa pelo que era novo, evitavam os estrangeiros, taxando-os de cães, quer dizer daquela maneira nunca trariam os gentios a fé no Deus verdadeiro. Devemos ter cuidado com a nossa maneira de pensar, Deus não é patrimônio de religião, templo ou nação alguma, ou mesmo denominação, pois a visão divina é de longo alcance, é incluível e eterna. E se não tivermos cuidado com os nossos pensamentos, nós é que seremos cortados da relação com Ele.


Fontes:

Em Língua Portuguesa

Bíblia Sagrada ARC/ARA/ACF/TB/BV/NTLH/NVI
Vida Cristã Vitoriosa (revista) – Editora Betel – 1º Trimestre 2013 – Lição 11
Romanos - Introdução e Comentário F. F. Bruce – Ed. Vida Nova
João: A Jornada da Fé – Bruce Mclarty – A Verdade para Hoje
Filemon, Aprendendo a Receber o Perdão de Deus – Márcio Valadão
Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular Moody
A Parábola do Filho Pródigo – David Martin Lloyd-Jones –  (link)
As Parábolas de Jesus – Álvaro César Pestana (link)
Comentário Bíblico Matthew Henry Conciso NT – Matthew Henry – CPAD
Comentário Bíblico Esperança NT – Editora Evangélica Esperança    
As Parábolas de Jesus – Simon J. Kistemaker – www.monergismo.com
Sobre As Parábolas – Vincent Cheung (Trad. Felipe Sabino de Araújo Neto) –
www.monergismo.com
Todas As Parábolas da Bíblia (AT) – Herbert Lockyer – Ed. Vida
Compreendendo Todas as Parábolas de Jesus (Guia Completo) – Klyne Snodgrass – CPAD
A Parábola dos Filhos Perdidos –  Ed René Kivitz – Ig. Batista de Água Branca


Em Espanhol

Comentário bíblico mundo hispano Isaias – Editorial Mundo Hispano
Comentário al nuevo testamento – William Hendriksen – Libros Desafío
Comentario de Estudio Biblico al evangelio de Lucas – Dr. Bob Utley – East Texas Baptist University

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Colabore conosco: escreva seus pontos de vista, opiniões ou críticas. Contamos contigo neste trabalho