segunda-feira, 27 de maio de 2013

EBD Editora Betel - Orientações Bíblicas Contra a Violência Doméstica





Assembleia de Deus CONAMAD
Lição 09 – 02 de Junho de 2013
Revistaebd Revista escola bíblica dominical editora betel conamad Passagem bíblica trecho bíblico bíblia como estudar teologia bíblia escola dominical escola dominical betel escola biblica betel escola bíblica betel escola dominical conamad auxilio professor ajuda professor subsídio professor auxílio professor subsidio comentario ebd comentário bíblico ebd professor mestre comentário biblico escola dominical comentario biblico escola bíblica comentario bíblico pregação pregador palestra estudo bíblico bíblico

Texto Áureo

“O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia”. Sl 9:9

Verdade Aplicada

A igreja tem condições fundamentais de auxiliar contra a violência doméstica. Por isso, tem que, com sua voz profética, denunciar e amparar os oprimidos.

Objetivos da Lição

Servir como comunidade terapêutica ouvindo os oprimidos;
Pregar a esperança para os agredidos;
Ensinar a se defender dos agressores.

Textos de Referência

Sl 9:3 Porquanto os meus inimigos retrocederam e caíram; e pereceram diante da tua face.
Sl 9:4 Pois tu tens sustentado o meu direito e a minha causa; tu te assentaste no tribunal, julgando justamente.
Sl 9:5 Repreendeste as nações, destruíste os ímpios, apagaste o seu nome para sempre e eternamente.
Sl 9:6 Oh! Inimigo! Consumaram-se as assolações; tu arrasaste as cidades, e a sua memória pereceu com elas.
Sl 9:7 Mas o Senhor está assentado perpetuamente; já preparou o seu tribunal para julgar.
Sl 9:8 Ele mesmo julgará o mundo com justiça; julgará os povos com retidão.
Sl 9:9 O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia.
Sl 9:10 E em ti confiarão os que conhecem o teu nome; porque tu, Senhor, nunca desamparaste os que te buscam.


Introdução

Muitos cristãos casados que estão de forma pacífica nos assentos congregacionais, podem estar vivendo uma vida de violência doméstica sem que a igreja saiba. Geralmente, a casa se torna em ambiente de guerra, em que ambos os lados buscam táticas para a sua própria defesa. No entanto, quando a violência é praticada, em geral, é o homem forte que oprime e mulher frágil. É preciso que essas mulheres busquem ajuda na igreja, no estado ou na própria sociedade.
            Um detalhe que faz uma enorme diferença é que “doméstica” refere-se a “dentro do lar”, “dentro da própria casa”. Contudo, nesta lição apenas foi abordado a questão “homem oprimindo/agredindo mulher/esposa”. É um tema sério, reconhecemos. Mas ficou muito aquém de abranger todos os impasses dentro do lar! Existe também (em número reduzidíssimo) casos de mulheres agressoras. A agressão maior é a de adultos, jovens e adolescentes contra crianças e idosos. Alguns adolescentes também se tornam vítimas bem mais indefesas, por vezes. Orientamos firmemente que os professores não se detenham como o fez o comentarista da revista. Trabalhem com os alunos e com a igreja local (aqui falamos aos diretores de EBD e pastores, em especial). Excepcionalmente nesta lição não faremos muitos apontamentos, dado ao enfoque extremamente restrito já citado. Pedimos que os professores “dissequem” e leiam atentamente (ao menos duas vezes) todos os artigos deixados como auxiliares. 



1. A Igreja pode ajudar ouvindo o clamor do oprimido

À semelhança de Jesus Cristo, é preciso iniciar ajuda por escutar o grito do oprimido. Muitos irmãos não dão a mínima importância para situações de violência nos lares. Alguns pedem para que o oprimido continue orando e entregue tudo nas mãos de Deus, que na hora certa Ele agira. Essa, na verdade, é uma atitude errada que a igreja tem tomado diante de uma situação tão grave. Inicialmente, o mínimo que se pode fazer é ouvir o clamor do oprimido. A vítima tem de ser ouvida. Mas em uma situação dessas é especialmente importante que sua forma de escutar seja mais do que apenas colher informações, é necessário prover ajuda.
            Para abrirmos nossa compreensão para a grandeza das opressões, violências e traumas, lembremos que falta de comida, abrigo, afeto, amizade e condições de trabalho também é uma forma velada e ‘civilizada’ de sermos violentos. Vejam este artigo:


1.1 A necessidade de as pessoas serem ouvidas

É preciso ouvir as vítimas, porque, na maioria das vezes, elas não querem dialogar abertamente, por vários motivos: temem o opressor, sentem-se envergonhadas, subjugadas, etc. Em outros casos, podem considerar sua horrenda situação indigna de atenção da sociedade, consideram o seu grave problema, apenas particular, não sabem que toda a sociedade é responsável para que essa intimidação física seja inibida. Julgam-se indigna de atenção pastoral ou até mesmo de um amigo. Há aquelas que se calam, porque sentem uma vergonha tão grande pelo fato de o marido demonstrar tanto desamor, a ponto de utilizar a violência.
            Como obter a confiança de alguém ferido, humilhado, oprimido ou violentado física, moral, sentimental ou espiritualmente? A melhor forma é ouvir com paciência e empenho. Dizemos empenho não em que o ‘ouvidor’ seja afetado também (para ajudar, ele precisa estar ‘sadio’; é quase que um isolamento de proteção). Mesmo que nada tenha de eficaz para dizer, apenas em o escutar já lhe fará ter mais confiança.

1.2 Atitudes contra a violência doméstica

...Muitas mulheres continuam com relacionamentos não-saudáveis, como no seu caso. De alguma maneira doentia, elas começam a sentir como se necessitassem da aprovação de quem abusa. Quanto mais desaprovação essas mulheres recebem, por meio da raiva e, talvez, até pela violência, mais pronunciado é o desejo delas de ganhar a aprovação perdida. De alguma forma, elas se tornam "viciadas" em todo o processo de desrespeito, que envolve um carrossel desesperador de manipulação e egoísmo tanto da parte do marido quanto da própria esposa contra si mesma. Parece que isso descreve a situação. Por favor, deixe-me dar-lhe um conselho útil.
Primeiro, é preciso assumir o comando da situação. Você está permitindo que seu marido a controle com sua raiva. Isso não somente a deixa abatida e incapaz de encontrar o Senhor por si mesma, como também o mantém longe de perceber sua necessidade desesperadora de Deus.
Acredito que suas circunstâncias sejam graves o suficiente para garantir tanto uma separação imediata quanto uma ordem judicial. Se você tem medo da natureza violenta e controladora de seu esposo, sugiro que pegue seus filhos e o deixe, enquanto ele estiver no trabalho (procure verificar com um advogado antes de tomar essa atitude).
Uma vez que o tenha deixado, esteja ciente do fato de que você desejará o carinho e a atenção dele novamente. Então, provavelmente, pensará outra vez sobre sua decisão de tê-lo abandonado. Em seguida, um sentimento de insegurança completa poderá surgir em seu interior. Isso pode fazer com que você se lembre do lado positivo do seu marido e, até mesmo, fique remoendo os momentos felizes que teve com ele. Nesse meio tempo, suas lembranças sobre as agressões talvez desapareçam. Ao sentir uma tentação incontrolável de procurá-lo “só para ver como ele está”, resista! Não abaixe a guarda! Quanto menos entrar em contato, melhor.
Dê-lhe alguns dias para se acalmar e ficar ciente da realidade. Quando encontrá-lo, permaneça calma e distante. Não converse como se estivesse com muita raiva e não permita que ele a convença a voltar para casa. Lembre-se: ele é controlador e usará todas as armas possíveis para conseguir seu objetivo. Apenas o interrompa e mantenha a conversa estritamente sobre assuntos pertinentes, como, por exemplo, sobre o horário de visita às crianças; as contas que precisam ser pagas, ou algo assim. Uma vez que se tenha separado dele, você terá o controle da situação. Não desista!
Em tempo, se ele mostrar arrependimento verdadeiro e voltar-se para o Senhor, esforços sinceros dele para tê-la de volta serão substituídos por uma nova paixão por Jesus. Isso é, na verdade, o que você está buscando: frutos do arrependimento.
Não estou sugerindo o divórcio, mas sinto realmente que não é seguro para você ou as crianças ficarem com seu marido do jeito como está. O melhor, nesse momento, é voltar-se para o Senhor ao longo de todo o processo. Só Ele pode dar-lhe a força necessária para libertar-se desse relacionamento complicado. Sem você no caminho, Deus também terá mais chance de alcançar o coração de seu cônjuge.

Quando o Pecado Secreto dele Despedaça o seu Coração – Kathy Gallaguer – Ed. Graça Artes Gráficas

Após ouvir o oprimido, chegou a hora de prestar ajuda ao necessitado, pois o escutar bíblico está ligado à ação. Afinal, a vítima está em perigo. Então é preciso agir em favor da libertação daquela que está cativa da violência. Como bem disse o salmista: “Tu Senhor ouves a súplica dos necessitados: tu os reanimas e atendes ao seu clamor” (Sl 10:17 NVI). Paul David Tripp, pregador e mestre na área de família, orienta com as seguintes atitudes: “conduzir a vítima para um exame médico, chamar a polícia ou providenciar local seguro para que a pessoa violentada fique provisoriamente”. Ainda diz: “Se o lar for potencialmente perigoso, é sábio informar ao agressor que sua esposa revelou a violência e está em lugar seguro e secreto. Talvez seja apropriado encorajar a mulher que sofreu a violência a tomar atitudes legais, para que a autoridade civil, que Deus constituiu, possa ser acionada para ajudar a trazer um fim para esse mal” (Rm 13:1-5).
Em vários casos será necessário tirar pessoas do lar (abrigar), proteção à vida (polícia). Em casos mais drásticos até mesmo ordem judicial de proibir aproximações. Pela prática (do que vemos e ouvimos), melhor seria o oprimido mudar de cidade/estado e não deixar o endereço. A dor do rompimento com o lugar de origem, amigos antigos, de infância, parentes e etc. é um ônus barato perante o risco de maiores prejuízos, perseguições, danos físicos (até mesmo mortes!)

1.3 A Liderança e a Igreja devem se posicionar

Lubango - O presidente da Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA), reverendo Marcolino Diniz Eurico, disse hoje, sexta-feira, no Lubango, ser necessário que os cidadãos tenham fé, por formas a abdicarem da violência doméstica e cumprirem com lei em vigor no país. 
O pastor fez estas considerações durante uma conferência de imprensa quando apresentava o balanço das actividades realizadas pela Igreja Evangélica Sinodal de Angola (IESA) durante o ano de 2012 e perspectivar as acções para o presente, tendo apontado a falta de fé em Deus como um dos factores que provoca a pratica.
Segundo o religioso, o cristão que tem Jesus no coração dificilmente pratica a violência, razão pela qual é necessário que aqueles que ainda não conseguiram buscar o espírito divino o façam para serem salvos.  
Marcolino Diniz Eurico afirmou que muitos cidadãos nacionais não respeitam a Lei contra a violência doméstica, por ignorância e por não ter piedade ao próximo.

http://www.portalangop.co.ao

A família que está sofrendo a violência e a sociedade que assiste a ela precisam saber da posição da igreja em relação à violência doméstica, porque a opinião da igreja deve refletir a opinião de Deus. A igreja de Cristo pensa com a mente de Jesus. O marido precisa saber que a igreja considera muito seriamente a questão da violência familiar, e, por ter tal pensamento, age para proteger a esposa, e, ao mesmo tempo, a auxílio espiritualmente, além de responsabilizá-lo pelo seu crime.
“Infelizmente, algumas mulheres também relutam em falar por causa da rapidez com que os pastores e amigos lançam mão do refrão: “perdoe e esqueça”. Algumas delas recebem a orientação de que, assim que o opressor lhe pedir desculpas, é responsabilidade da vítima perdoar - e jamais trazer o assunto à tona novamente. Não apenas a ideia de perdoar imediatamente o pecado é um ensinamento questionável, como também, em situações assim, fazei que a ênfase bíblica recaia essencialmente no “perdoa e esqueça” leva tais mulheres oprimidas a se sentir como se elas agora fossem as culpadas, já que não conseguem esquecer o assunto”. David Powlison.
            Nesta referida posição, a igreja deve ter sempre em mente entidades e órgãos tais como Juizado de Menores, Conselho Tutelar, Delegacias entre outros. Na verdade, a igreja deveria preparar muito mais conselheiros além de ministrar noções básicas a todos os membros.


2. O valor da Esperança para os que sofrem violência

É primordial que a vítima ouça uma mensagem de esperança. O salmista entendia o valor da esperança quando disse: “Pois tu és a minha esperança. Senhor Deus, a minha confiança desde a minha mocidade" (Sl 71:5). A pessoa violentada não pode achar que o Senhor a desprezou, e a igreja precisa identificar a oportunidade de discipular não somente a vítima, mas toda a congregação. Deus não é indiferente ou distante à situação, e nem o evangelho ensina que o opressor não pode ser combatido. É hora de anunciar que é bem aventurado o que tem fome e sede de justiça (Mt 5:6).

Na sociedade decadente de hoje, há diversas combinações de problemas conjugais que podem surgir quando um cônjuge é controlado por algum pecado que domina a vida dele. Esta obra é uma compilação de cartas escritas a esposas feridas, cujos maridos estiveram ou estão envolvidos com o pecado sexual. Escolhi cartas específicas, as quais abordam os denominadores comuns que essas esposas enfrentam, tais como: desconfiança, medo, desespero, dúvida, raiva, falta de perdão, dentre outros. Você perceberá que cada mensagem provê muito apoio e oferece bastante esperança e encorajamento; com isso, descobrirá que não está sozinha. Existe, finalmente, alguém que compreende realmente a situação. Além disso, este livro oferece às esposas feridas conselhos divinos e práticos; alguns que vão contra a natureza de muitas "soluções" populares vendidas nestes dias.

Quando o Pecado Secreto dele Despedaça o seu Coração – Kathy Gallaguer – Ed. Graça Artes Gráficas

2.1 Deus se lembra do oprimido

O problema de reconciliar o sofrimento humano com a existência de um Deus que ama só é insolúvel enquanto associarmos um significado trivial à palavra "amor" e considerarmos as coisas como se o homem fosse o centro delas. O homem não é o centro. Deus não existe por causa do homem. O homem não existe por sua própria causa. "Porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas".
Não fomos feitos em princípio para amarmos a Deus (embora fôssemos também criados para isso), mas para que Deus possa amar-nos, para que nos tomemos objetos em que o amor divino possa sentir "agrado". Pedir que o amor de Deus se satisfaça conosco na condição em que nos encontramos, é pedir que Deus deixe de ser Deus: porque Ele é o que é, o Seu amor deve, na natureza das coisas, ficar impedido e sentir repulsa por certas nódoas em nosso caráter, e porque já nos ama ele precisa esforçar-se para nos tomar dignos de amor. Não podemos sequer desejar, em nossos melhores momentos, que ele se reconcilie com nossas impurezas presentes -não mais do que a jovem mendiga poderia querer que o rei Cophetua se satisfizesse com os seus andrajos e sujeira, ou que um cão, tendo aprendido a amar o homem, pudesse desejar que este tolerasse em sua casa a criatura violenta, coberta de vermes e poluente da alcatéia selvagem.
O que chamaríamos aqui e agora de nossa "felicidade" não é o alvo principal que Deus tem em vista: mas, quando formos aquilo que Ele pode amar sem impedimento, seremos de fato felizes.

O Problema do Sofrimento – C. S. Lewis

Se Deus é onipotente, pode tudo. Se pode tudo, porque não evita o sofrimento? Se não o evita, é sinal de que ou não é onipotente ou não é bom.
Acho que Epicuro foi quem formulou a questão a respeito da relação entre a onipotência e a bondade de Deus. A coisa é mais ou menos assim: se Deus existe, ele é todo poderoso e é bom, pois não fosse todo-poderoso, não seria Deus, e não fosse bom, não seria digno de ser Deus. Mas se Deus é todo-poderoso e bom, então como explicar tanto sofrimento no mundo? Caso Deus seja todo-poderoso, então ele pode evitar o sofrimento, e se não o faz, é porque não é bom, e nesse caso, não é digno de ser Deus. Mas caso seja bom e queira evitar o sofrimento, e não o faz porque não consegue, então ele não é todo-poderoso, e nesse caso, também não é Deus. Escrevendo sobre a Tsunami que abalou a Ásia, o Frei Leonardo Boff resume: "Se Deus é onipotente, pode tudo. Se pode tudo porque não evitou o maremoto? Se não o evitou, é sinal de que ou não é onipotente ou não é bom".
Considerando, portanto, que não é possível que Deus seja ao mesmo tempo bom e todo-poderoso, a lógica é que Deus é uma impossibilidade filosófica, ou se preferir, a idéia de Deus não faz sentido, e o melhor que temos a fazer é admitir que Deus não existe.
Parece que estamos diante de um dilema insolúvel. Mas Einstein nos deu uma dica preciosa. Disse que quando chegamos a um "problema insolúvel", devemos mudar o paradigma de pensamento que o criou. O paradigma de pensamento que considera o binômio "onipotência/bondade" como ponto de partida para pensar o caráter de Deus nos deixa em apuros. Existiria, entretanto, outro paradigma de pensamento? Será que as palavras "onipotência" e "bondade" são as que melhor resumem o dilema de Deus diante do mal e do sofrimento do inocente? Há outras palavras que podem ser colocadas neste quebra-cabeça?
Mas você poderia perguntar, porque razão Deus não acaba com o mal. Isso é simples: Deus não acaba com o mal porque o mal não existe. Marilena Chauí diz que "o mal é o pecado, isto é, a transgressão da lei divina que o primeiro homem e a primeira mulher praticaram. Sua punição foi o surgimento de outros males: morte, doença, dor, fome, sede, frio, tristeza, ódio, ambição, luxúria, gula, preguiça, avareza. Pelo mal, a criatura afasta-se de Deus, perde a presença divina e a bondade original que possuía. O mal, portanto, não é uma força positiva da mesma realidade que o bem, mas é pura ausência de bem, pura privação do bem, negatividade, fraqueza. Assim a treva não é algo positivo, mas simples ausência da luz, assim também o mal é pura ausência do bem. Há um só Deus, e o mal é estar longe e privado dele, pois ele é o bem e o único bem". Em outras palavras, o mal não existe, o que existe é o malvado, aquele que faz surgir o mal porque se afasta de Deus, o supremo e único bem.
Ariovaldo Ramos resumiu isso ao afirmar que "para acabar com o mal, Deus teria que acabar com o malvado". Mas, sendo amor, entre acabar com o malvado e redimir o malvado, Deus escolheu sofrer enquanto redime, para não negar a si mesmo destruindo o objeto do seu amor. Por esta razão Deus "se diminui", esvazia-se de sua onipotência, e se relaciona com a humanidade com base no amor, fazendo nascer o sol sobre justos e injustos, e mostrando sua bondade, dando chuva do céu e colheitas no tempo certo, concedendo sustento com fartura e um coração cheio de alegria a todos os homens.

Deus e o sofrimento – Rene Kivitz – http://jornalpequeno.com.br

Deus tem trabalhado na história dos oprimidos. Por isso, a mulher que está sendo violentada tem de saber da ação de Deus na vida das pessoas que um dia alcançaram libertação. Mas ela só irá experimentar essa liberdade através da ação da igreja, que é o braço de Deus para os oprimidos. A lembrança de Deus passa pela lembrança da igreja. O povo de Deus não pode se esquivar dessa realidade social, porque, por trás dessa calamidade, está a mão maléfica de Satanás (Jo 10:10).

2.2 O Senhor Jesus e o sofrimento humano

Porquê alguns sucumbem? Provavelmente, edificaram suas casas sobre a areia! Sem o devido alicerce da comunhão verdadeira com Deus. É a vida cristã aparente; desprovida do Espírito e da genuína filiação. Estes, mesmo apresentando-se como pessoas dinâmicas no Reino, são desconhecidos pelo Pai Eterno. Quando os problemas vêm como um forte vento, logo são abatidos e derrotados.
Os filhos genuínos do Senhor são fortes, inabaláveis, preparados para vencerem as maiores dificuldades que possam sobrevir à vida. Estes não negam a sua filiação e a exemplo de Cristo Jesus, vão até às últimas conseqüências, esperando no amparo incontestável do Pai Celeste.
Mas, como ser assim, semelhante a Cristo? O principio é amar a Deus e buscá-lo em primeiro lugar.
Quando o principio de fé é observado, são feitos em novas criaturas (1Co 5.17) que comungam os mesmos pensamentos e objetivos do Senhor Jesus (Rm 12.2; 1Co 2.16). O agir é direcionado pelo Espírito de Deus, dificilmente, decisões são tomadas segundo a carne (empolgação, desejos, orgulho, vaidade, ostentação, etc.). E, quando envolvidos pelas nuvens das muitas dificuldades, são consolados e fortalecidos pelo  Santo Espírito que habita em no ser e faz os corações transbordarem de esperança.
Em meio às muitas provações é tempo oportuno para estreitar a comunhão com o Pai Celeste e servir-se da Sua grande misericórdia. Confie, Ele estenderá as mãos em socorro! Esta aproximação consegue-se quando nos jogamos por terra, humilhando-nos diante do Soberano e clamando pela Sua misericórdia. Abraçando esta decisão, tenho convicção do mover de Deus sobre tua vida e verás que é amado pelo Pai, escolhido desde os tempos eternos para ser servo. Clame pela restauração de tua comunhão e comprometa-se em viver uma vida digna do Espírito de Deus, ou seja: santa e pura; que tem o seu prazer em meditar na Palavra e na oração perseverante; aprenda a sacrificar com agradáveis jejuns.
Há uma possibilidade dos problemas não desaparecerem, mas, mesmo em meio às grandes crises, terás a paz que apenas ao agraciados do Senhor possuem. E uma convicção que o Todo Poderoso estará movendo a teu favor.

Os Sofrimentos do Dia-a-Dia – www.vivos.com.br

As pessoas sofrem; os humanos não têm somente uma dor. Em uma análise mais profunda, o sofrimento é mais do que uma dor, são várias as formas de dor identificadas por médicos. As pessoas lutam contra as suas formas de dor, quer sejam psicológica (emoções e pensamentos difíceis), quer sejam físicas (sensações desagradáveis), quer sejam mentais (memória que perturba suas necessidades), etc. As pessoas violentadas experimentam essas dores. No entanto, é preciso lembrá-las, que Jesus se identifica com elas. Ele experimentou a violência pelo seu povo, e depois foi assassinado.
E preciso ensinar a essas mulheres violentadas que o Senhor Jesus não se esqueceu delas. “No abrigo para mulheres, a vítima da violência está rodeada de pessoas que compreendem sua situação; mas na sala do trono de Deus, ela será abraçada por aquele que compreende perfeitamente. sofre profundamente e ama completamente” (Edward T. Welch).


2.3 A esperança para os que sofrem

A esperança é a segunda das três virtudes teologais, ao lado da fé e da caridade (I Co 13:13) - representa-se por uma âncora, (Hb 6:17-19). Ela é tão importante, que, até nos ambientes não religiosos, há quem comente o seu valor. Num mundo asfixiado por estresse, consumismo, novas formas de escravidão, desespero, etc.; num mundo em que a falta de esperança se tornou um fenômeno social, é preciso, mais que nunca, para continuar vivendo, redescobrir as razões da esperança. É nesse ambiente de caos que a esperança aparece como uma âncora. A vítima da violência doméstica deve, então, apegar-se a ela.
“Cristo é a própria substância e alicerce da esperança. Essa esperança procede da parte dele, existe por causa dele, baseia-se no cumprimento de sua missão e se acha nele, porquanto envolve a transformação segundo a sua imagem, o que indica a participação em sua própria natureza glorificada, bem como a participação em sua herança. Isso é que está envolvido na redenção humana, o que transcende imensamente ao perdão dos pecados, que é um degrau necessário, mas tão somente um degrau, na direção da glória que aguardamos receber em Cristo” (Champlim vol. 2).

Será que, portanto, não temos nada “permanente”? Paulo volta a testemunhar isso outra vez no final do presente capítulo: permanece algo essencial de nossa vida cristã. “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três.” A respeito de conhecer, de orar em línguas e de profetizar Paulo teve de declarar: serão descartados, acabam. Mas ele não afirmou isso em relação ao “crer” e “esperar”! É verdade que não se situam simplesmente de forma equivalente ao lado do amor. O amor é e continua sendo “o maior destes” ou “maior do que estes”. No entanto, do v. 7 já sabemos com que solidez a fé e a esperança estão unidas ao amor. Por isso não “caem”, como tampouco o próprio amor cai. Isso pode ser entendido de duas maneiras. Paulo pode estar dizendo simplesmente: quando o que o amor crê for visualizado em plena realidade e o que ele espera for atingido com glória, “permanecerão” a fé e a esperança, ainda que estando cumpridas. Para nossa vida cristã significa muitíssimo que possamos saber que, ainda que todo o resto tenha apenas uma importância provisória e um dia acabe, minha fé e minha esperança não serão “descartadas” assim, elas “permanecem”, e nelas abracei de fato algo eterno. Por outro lado Paulo também pode estar pensando que ao amor ao Deus reconhecido “face a face” sempre ficará conectado um “crer, uma confiança obediente.
Igualmente jamais cessará o ato de dar e criar por parte do Deus eternamente rico. Por isso também no “definitivo” o amor constantemente terá de aguardar e “esperar” o que Deus ainda tem preparado para ele. Nunca Deus dirá que agora toda a sua riqueza está esgotada e que não tem mais nada para dar. Por isso o amor ficará eternamente ligado à “fé” e à “esperança”. Essa concepção também será a interpretação mais correta pelo fato de que em todo o trecho Paulo sempre fala das atividades como tais, ou seja, do “conhecer” e “profetizar”, mas não de seus resultados. Em decorrência, tampouco dirá agora que aquilo foi crido e esperado “permanece”, mas que permanece o crer e esperar como ação nossa, do mesmo modo como não “permanece” o que é amado por nós, mas sim o próprio amar.
Todavia, ainda que o crer e esperar “permaneçam” juntos com o amar, o amor é “o maior destes”. A. Schlatter fundamentou isso de forma muito bela: “O amar é maior que o crer porque se relaciona com ele como o todo com a parte, como a consumação com o começo, como o fruto com a raiz. Se o crer fundamenta o receber, então o amor fundamenta o dar; se o primeiro é o despertar da vida em nós, então o segundo é sua confirmação. Através dele o amor de Deus atinge seu alvo em nós; com ele existe a boa vontade que é configurada de acordo com a vontade divina e o torna instrumento. Através dele o crer é alçado acima do perigo de apenas saber a verdade de Deus, mas não praticá-la, de desejar o amor de Deus e apesar disso torná-lo inútil. Ele é a aceitação irrestrita da graça divina; porque desse modo ela perpassa todo o nosso querer” (A. Schlatter, Der Glaube im NT [A Fé no NT], 3ª ed., p. 373).
Paulo via o perigo mortal em Corinto. “Não têm amor”, era essa sua dor em vista de muitos membros da igreja. Apesar disso não expressou palavra alguma sobre como podemos aprender a amar e chegamos ao amor. Sua vida descortinava isso com suficiente poder perante todos que quisessem ver. O sério, devoto, correto e, pela lei, justo Saulo de Tarso não teria sido capaz de escrever nenhuma linha deste capítulo. Era um mundo estranho para ele. De forma idêntica ficarão perplexos e cegos diante deste capítulo também hoje todos os moralistas, todos os devotos legalistas. Agora, porém, podemos constatar em Paulo a realidade plena: “Se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2Co 5.17). Agora Paulo escreve 1Co 13, agora essa é sua palavra maior e decisiva, agora ele vive nesse amor, do qual dá testemunho. Como isso aconteceu? Aconteceu no encontro com Jesus, e precisamente com o Jesus no madeiro maldito, odiado por Paulo e que o deixava indignado. Quando Deus lhe abriu os olhos e lhe revelou seu Filho (Gl 1.13-16), ele passou a ver no Jesus fustigado, ensangüentado, expulso e moribundo não mais o blasfemo de Deus, aquele que foi maldito com razão. Então reconheceu o amor que sofre tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo. Então ruiu toda a sua devoção própria, autojustificadora, fria e sem amor. Todo o Saulo de Tarso anterior havia deixado de existir. Nele agora vivia Cristo, o Filho de Deus, que o amou e a si mesmo se ofertou por ele. Na fraqueza e loucura de Deus na cruz ele via o inconcebível amor de Deus, do qual nada mais podia separá-lo e ao qual ele, porém, tinha de pertencer e servir, portanto, com cada batimento do coração. Agora ele estava consciente: “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine. Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha toda a fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, não sou nada. E se distribuo todos os meus bens e se entrego meu corpo, para que eu seja queimado, porém não tenho amor, isso nada me aproveitará”.

Comentário Bíblico Esperança NT - Editora Evangélica Esperança


3. As ferramentas para desarmar o agressor

Diante da violência dominante, não há como ficar apático. É preciso tomar atitudes que possam ajudar não somente a vítima, mas o agressor para o caminho da recuperação. A igreja deve cumprir seu papel profético de denunciar a injustiça sempre, estar do lado do oprimido, e orientar o opressor para sua transformação. Nunca deixando de ensinar as consequências do pecado da cólera, que gera a violência.

3.1 A Igreja como porta-voz dos oprimidos

Um Conceito Falho da Igreja
Os homens e mulheres modernos desenvolveram um con­ceito falho da igreja. Muitos a vêem como organização irre­levante de pessoas piedosas ou hipócritas que crêem em Deus mas que se preocupam mormente em ganhar novos membros, desenvolver programas, fazer política na sociedade, e edificar construções cada vez maiores que permanecem vazias durante a maior parte da semana. Esta descrição talvez seja exagerada, mas realmente apresenta o quadro da igreja que é sustentado hoje até por alguns dos seus mais fiéis freqüentadores.

Um Conceito Bíblico da Igreja
Fica claro que o quadro acima está longe do modelo da igreja que é descrita na Bíblia. A igreja deve ser um corpo de crentes que dedicaram suas vidas a Jesus Cristo, e que foram equipados com dons espirituais que cada pessoa descobre e desenvolve (Ef 4; 1 Pe 4:10). Estes dons, que são alistados em Romanos 12, 1 Coríntios 12, e Efésios 4, incluem coisas tais como profetizar, ensinar, evangelizar, ajudar, exortar (que, se­gundo vimos, é muito semelhante ao aconselhamento), lín­guas, cura, fé, sabedoria, conhecimento, misericórdia, admi­nistração e contribuição. Estes dons vêm diretamente da parte do Espírito Santo, que dá conforme Sua vontade (1 Co 12:11).
Segundo Efésios 4:12, 13, os dons do Espírito têm dois propósitos. Em primeiro lugar, devem preparar os crentes indi­viduais para o serviço como parte do corpo de Cristo. Jesus veio evangelizar, iluminar, libertar os que estavam no cativeiro, e proclamar a verdade (Lc 4:18). O corpo de Cristo em nossos dias tem uma função semelhante e, assim como o Espírito Santo deu poder a Jesus (Lc 4:18), assim também o Espírito dá poder a nós, e nos dá dons que nos capacitam a ministrar uns aos outros.
O segundo propósito dos dons espirituais é edificar o corpo de Cristo de tal modo que possamos ser unidos, dotados de conhecimento, e homens e mulheres maduros. Tais pessoas não ficam levadas em derredor pela moda ou filosofia de vida mais recente. São pessoas estáveis, amorosas, cuja vida se cen­traliza em Cristo (Ef 4:12-16).
Informações recentes dizem que o Brasil lidera o ranking mundial de violência contra a mulher. De acordo com uma pesquisa feita pela Sociedade de Vitimologia Internacional, 25% das mulheres brasileiras sofrem violência, e 70% das mulheres assassinadas foram vítimas dos próprios maridos. Os dados revelam também que, em média, a mulher só denuncia a violência depois da décima agressão. A igreja deve levantar-se como voz profética para denunciar a violência na sociedade, principalmente, aquelas que acontecem no meio do povo de Deus, em que maridos violentos, trajados de cristãos, com ataques de fúria e acostumados a praticar esse delito, continuam agredindo suas esposas.

Ajudando uns aos Outros pelo Aconselhamento – Gary R. Collins – Ed. Vida Nova

3.2 A Violência Doméstica agora é crime

A Lei Maria da Penha, que criou mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, sancionada em agosto de 2006, a Lei n° 11.340 possibilitou avanços, mas ainda há muito a conquistar. A maior conquista da lei foi a conscientização da população de que a violência contra a mulher é um crime. “A violência deixa de ser uma coisa natural, que acontecia com nossos pais e avós, e agora passa a ser um crime. A sociedade não tolera mais essa violência contra a mulher”, afirmou a subsecretária de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.


3.3 Não se deixar dominar pelo sentimento de revanche

Segundo Paul David Tripp, um texto-chave das Escrituras para essa questão seria Romanos 12:21: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem”. Uma mulher forte no Senhor não se levanta na própria justiça. Ela se levanta na justiça de Cristo, portanto, não precisa se deixar dominar por nenhum sentimento de vingança (Rm 12:19), pois o agressor pode vir a ser transformado e procurar a reconciliação. A reconciliação começa no perdão. Se a vítima quiser perdoar o agressor, é um direito que lhe cabe, mas é importante rever se aquele que praticou a violência está de fato transformado. Pelos seus frutos o conhecereis (Mt 7:20).



Conclusão

A violência doméstica é tão danosa ao relacionamento matrimonial quanto o adultério, dizem os especialistas. Não se podem negar os problemas causados às vítimas. No entanto a esperança de recuperação da vítima e do agressor não deve ser subestimada. A graça transformadora de Deus pode alcançar essas pessoas. Isso não quer dizer que o agressor não deva responder pelos seus atos. Mas o Senhor pode, com seu poder, trazer recuperação para as famílias através das ações amorosas do povo de Deus.


Fontes:

Bíblia Sagrada ARC/ARA/ACF/TB/BV/NTLH/NVI
Pontos Salientes da Nossa Fé (revista) – Editora Betel – 2º Trimestre 2013 – Lição 09
Ajudando uns aos Outros pelo Aconselhamento – Gary R. Collins – Ed. Vida Nova
Quando o Pecado Secreto dele Despedaça o seu Coração – Kathy Gallaguer – Ed. Graça Artes Gráficas
Comentário Bíblico Esperança NT – Editora Evangélica Esperança

Bibliografia Indicada (“estude mais”)

Eu sobreviverei! (livro gratuito)
Violência no Relacionamento Amoroso (link)
A Violência doméstica contra Crianças e Adolescentes (link)
Violência Doméstica: Um olhar de gênero (link)
Sobre a violência Doméstica (link)
Violência Afetiva e Violência Doméstica contra Idosos (link)
O Sentido do Sofrimento Humano (link)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Colabore conosco: escreva seus pontos de vista, opiniões ou críticas. Contamos contigo neste trabalho