domingo, 21 de julho de 2013

EBD Editora Betel - O Modelo Divino de Comunicação

Assembleia de Deus CONAMAD
Lição 04 – 28 de Julho de 2013
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Texto Aureo

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. Jo 1:14

Depois de apresentar Jesus como o Verbo Divino que era desde o princípio e através do qual todas as coisas foram criadas, João 1:14 faz a surpreendente declaração de que o Verbo se fez carne. “Carne” era uma palavra rude, terrena, inferior, quase grosseira para descrever Jesus. Era a maneira de João dizer que Jesus tornou-Se cem por cento humano, e não cinqüenta por cento humano enquanto permanecia cinqüenta por cento divino. Jesus vivenciou a humanidade em sua totalidade. Ele nasceu como um bebê, cresceu até se tornar um homem e conheceu as sensações de fome, sede, dor, desejo sexual, raiva e tristeza. Dizer que Jesus era completamente humano sempre soa um tanto irreverente. Por exemplo, vendo um desenho da cena da manjedoura com Maria, José e o bebê Jesus, já passou pela sua cabeça que o manto do bebê estaria sujo? Se esta simples hipótese poderia ser ofensiva para você, saiba que o termo “carne” implica tudo isto e muito mais.

                João: A Jornada da Fé - Bruce Mclarty - A Verdade para Hoje

Verdade Aplicada

O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus para receber a revelação divina e para viver uma comunhão de amor com Ele e com os semelhantes.

O relato da Queda, registrado em Gênesis 3, rompeu a harmonia existente entre as duas naturezas. A desobediência de Adão e de Eva arruinou para sempre a imagem de Deus que eles traziam, e naquele instante um enorme abismo se abriu, destruindo a união entre Deus e a humanidade. Agora, quando olhamos para os seres humanos, encontramos misturada entre eles gente como Gêngis Khan, Josef Stalin e Adolf Hitler. E é correto afirmar que evidências dramáticas dessa imagem quebrada transbordam de cada um de nós. As pessoas já não podem expressar satisfatoriamente sua semelhança com Deus; a história prova de forma sombria quanto somos diferentes dele.
...Orgulho, egoísmo, luxúria e cobiça são simplesmente venenos que interferem em nosso relacionamento com Deus e com as pessoas. O pecado resulta em separação: separação de Deus, das pessoas e da nossa verdadeira personalidade. Quanto mais nos apegamos a nossos desejos pessoais, a nossa sede de sucesso, à própria satisfação à custa dos outros, mais nos distanciamos de Deus e dos outros.
...Se o pecado é o grande separador, Cristo é o grande reconciliador. Ele dissolve a membrana de separação que cresce todos os dias entre nós e os outros, entre nós e Deus. "Mas agora, em Cristo Jesus", disse Paulo em outro trecho, "vocês, que antes estavam longe, foram apro­ximados mediante o sangue de Cristo" (Ef 2.13).

À Imagem e Semelhança de Deus – Philip Yancey – Vida (trechos)

Objetivos da Lição

Mostrar que a encarnação do Verbo é único modelo confiável de comunicação;
Ensinar que, ao se fazer homem, Deus se tornou imitável por todos os seguidores de Cristo;
Produzir desejo ardente e profundo de imitar a Cristo nas relações familiares.

Textos de Referência

Jo 1:1 - No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Jo 1:2 - Ele estava no princípio com Deus.
Jo 1:3 - Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
Jo 1:4 - Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens;
Jo 1:5 - e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
Jo 1:14 - E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.


Introdução

Deus sempre procura relacionar-se com a humanidade. Tem sido assim desde o Éden (Gn 3:8 e 9). Mas, como é possível ao Imortal relacionar-se com o mortal, o Eterno com o efêmero, o Santo com o profano, o Incorruptível com o corruptível, o Justo com o injusto, o Pai das Luzes (Tg 1:17) com os que se assentam na escuridão? Os Evangelhos respondem a todas estas indagações, apresentam o clímax relacional do divino com o humano e se constituem o único modelo eficiente e confiável de comunicação que deveria ser imitado em todos os relacionamentos humano. É o que estudaremos nesta lição. Na próxima, aplicaremos os princípios aqui apresentados nas relações familiares.


1. Definindo a comunicação

Comunicação: processo verbal ou não verbal de trocas, recebimentos, aquisições, fornecimentos e compartilhamentos de informações com outra pessoa, de  tal formal, que ela compreenda o que se está transmitindo ou, ao menos se oriente/melhore suas noções, interpretações e bases.

Deus é comunicação – Jo 1:14, Hb 1:1-2
A Natureza é comunicação – Sl 8 e 19
A Bíblia é comunicação – Hb 4:12

A maioria dos problemas existente nas famílias é decorrente da falta de comunicação adequada,  conversa, diálogo;
Às vezes até conversam bastante, mas num sistema destruidor, que fere, magoa, machuca e que muitas vezes deixa cicatrizes incuráveis;
Precisa haver diálogos sadios que tem como fim,  a solução dos problemas;
Em qualquer setor da sociedade, para haver resultados satisfatórios é preciso haver comunicação sadia e inteligível; Ex. Veja que sem propagandas as empresas não vendem seus produtos de forma satisfatória.
Como Deus tem interesse em se comunicar com as criaturas, Jesus veio como a comunicação encarnada de Deus;
Sem comunicação não há relacionamento saudável e duradouro e edificante;
Tem casal que se comunica por bilhetes, pois os dois trabalham em horários diferente. Quando um chega o outro já saiu;
Eu pergunto: vai haver comunhão nesta relação? Vai haver crescimento emocional? Não!

Comunicação – Wellington Pereira da Silva

1.1 Comunicar é a chave para o sucesso

Conceitos orientadores: relacionamentos interpessoais; fornecimentos e obtenções de informações; fontes confiáveis; testemunho

Para alcançarmos êxito ou progressos, liderando ou sendo liderados, é indispensável conhecermos bem as regras básicas da comunicação. È através da Comunicação que a visão, as metas, os projetos, os descontentamentos, aprovação ou desaprovação, as instruções e os sermões são compartilhados. O líder que não usa, conhece ou não possui habilidades em se comunicar, relacionar ou agregar pessoas, outros líderes e equipes e não se preocupa em melhorar nesse sentido, sofrerá muitas dificuldades em fazer discípulos ou manter juntos (e motivados) os que já possuam. Jesus, Paulo, Pedro e outros discípulos a apóstolos, além das  outras qualidades que possuiam ou adquiriram, eram bons comunicadores.


1.2 O que não é comunicação?

Conceitos orientadores: fontes não confiáveis; testemunhos duvidosos; manipulação e posse de dados; impessoalidade; mensageiros; ofícios e protocolos

Deixamos abaixo alguns itens destruidores em apresentações públicas (sermões, pregações, anúncios, reuniões e etc.), mas que são péssimos também em conversas informais ou bate-papos. Verifique sempre sua fala, declaração  e conversa. Evite em sua comunicação:

Despreparo - Não ensaiar e não praticar. Não buscar ter recursos visuais à mão ("Um quadro vale mil palavras!").
Falta de clareza – Confira duas ou três vezes se o que está pensando e vai dizer não é vago, ambíguo ou obscuro; tais discursos são de políticos, operadores de direito e intelectuais.
Complicações – Introduzir e aumentar questões complicadas; juntá-las em partes cada vez maiores e sem interligações, de uma forma complexa e semi-acedêmica (sumidades). Usar linguagem técnica ou jargões que o seu público quase não entenda.
Desânimo – Falta de entusiasmo, confiança e de algum humor sadio em suas mensagens trarão secura na alma, desatenção, inquietações para ir embora e tédio. Falar sem vida. Faça-a ser monótona, enfadonha, deprimente e triste. Mesmo sabendo que "a unção é que faz a diferença", as pessoas sequer darão atenção a discursos em Mandarim ou Latim.
Artificialidade – Só falar em tom, obrigatoriamente, de um grande orador (talvez nunca venha a conseguir ser um). Ficar descaracterizando-se apenas para imitar “A” ou “B”, impostar a voz (canastrice) e usar ênfases ditatoriais, mecanizadas ou como dando broncas.

Tudo isto acima não é Comunicação!


1.3 Comunicar é principalmente tornar comum

Conceitos orientadores: diálogo; empatia; tratamentos atenciosos; comunhão; respeito; opiniões pessoais

Para falar e escrever melhor:

1. Leia bons livros sobre oratória ou homilética (arte de pregar sermões religiosos).
2. Faça um cursinho de português.
3. Procure ler em voz alta.
4. Consulte sempre um bom dicionário de português.
5. Grave e filme suas preleções, e corrija os seus erros de português e a sua postura no púlpito.
6. Treine a sua dicção.
7. Aprenda, através de exercícios, a resumir textos grandes, a poucas linhas e palavras.
8. Treine diante do espelho.
9. Peça a alguém, que sempre ouve você, para anotar os seus erros, a fim de que você possa corrigi-los depois.
10. Observe a forma de como os grandes oradores utilizam a voz.

Procure participar de reuniões, bate-papos, ensinos e comunicações entre pessoas de escolaridade e nível escolar abaixo do seu. Assim você saberá das expressões e pensamentos do povo. Vá a locais de nível escolar mais elevado e ouça suas formas e complexidades, além das pompas e etc. Assim você saberá como não falar, pois é o exagero da fala sublime, tente ser mediano: sem incluir cacuetes e gírias, mas também sem ficar falando somente às elites ou intelectuais.
Comunicar é dar-se ao outro e receber a dádiva que o outro faz de si mesmo a nós. Comunicar; no sentido mais aprofundado e cristão, é encarnar-se no universo do outro e deixar que ele se encarne no nosso universo, cedendo lugar a uma unidade perfeita. “Para que todos sejam um, como tu, o Pai, o és em mim. e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me envias-te.”(Jo 17:21).



2. Deus comunicou-se com a Humanidade pela encarnação

O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus para receber a revelação divina e para viver uma comunhão de amor com Ele e com os semelhantes. O pecado alterou esta capacidade de relacionamento, quer no nível vertical ou horizontal (Rm 3:23). Para tentar resolver os problemas relacionais entre seus pares, os homens inventaram (e continuam inventando), vários meios e recursos de comunicação, quase sempre ineficientes. Para tentar reatar a relação com Deus, desenvolveram várias modalidades de manifestação religiosa. Mas para restaurar a harmonia entre o homem e seu Criador, somente são úteis, eficazes e aceitáveis o meio criado, utilizado e oferecido pelo próprio Deus. Assim, Deus fez-se carne para comunicar-nos a Sua salvação e perfeição (Mt 1:16 e 20; Lc 1:31).
No Verbo feito carne, o acontecimento comunicativo assume o seu máximo poder de salvação: assim, é oferecida ao homem, através do Espírito Santo, a capacidade de receber a salvação e de anunciá-la e testemunhar aos irmãos. Neste caso, a comunicação entre Deus e a humanidade alcanço a sua perfeição no Verbo feito homem. O ato de amor através do qual Deus se revela, juntamente com a resposta de fé da humanidade, gera um diálogo fecundo. Precisamente por isso, podemos fazer nosso o pedido dos discípulos; “Ensina-nos a orar” (Lc 11:1).

 Como vimos, a lei não tem em si mesma poder para nos salvar, pelo contrário, tem poder para nos condenar, ou melhor, para demonstrar o porquê de estarmos condenados. Portanto, se fossemos depender da lei estaríamos perdidos, por isso o texto diz: - “sem lei”. A justiça que “se manifestou” é a de Deus, a mesma que a lei e os profetas pregaram, isto é, a justiça de Deus que precisa ser satisfeita para que possa haver salvação. Quando o texto diz à justiça que se manifestou, está, de fato, falando da satisfação da justiça de Deus, é como se o apóstolo tivesse dito: “manifestou-se uma forma de satisfazer a justiça de Deus sem precisar do cumprimento da lei”. E que forma é esta? A fé em Jesus Cristo. A fé de que Cristo ao morrer, com seu sacrifício, satisfez a justiça de Deus, isto é, pagou o preço que a justiça de Deus cobrava do homem como reparação por nosso ato de rebeldia. Estaria esta fé sendo oferecida apenas aos que já tinham conhecimento da lei, portanto, conhecimento de seu pecado? Não! Está à disposição de todos os homens, “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” Glória de Deus aqui parece ter o significado que aparece em Ex 33.19, a bondade de Deus que Lhe permite ser misericordioso com quem desejar; e todos precisam dessa misericórdia. Logo a salvação de Deus está à disposição de todos os seres humanos, independente do contato que tiveram ou não a lei, porque o pecado, aqui, aqui é mais que a transgressão da lei é o estado da natureza humana, resultante do ato de rebelião.

Carta de Paulo Aos Romanos – Ariovaldo Ramos –

2.1 A Encarnação foi o recurso completo utilizado por Deus

Conceitos orientadores: Sabedoria Divina; planos de Deus; O Verbo Divino; Plano da Salvação

O Filho do Altíssimo esteve aqui neste mundo inferior. Esteve no mundo, mas não era do mundo. Veio salvar um mundo perdido, porque era um mundo de Sua própria feitura. Contudo, o mundo não o conheceu. Quando venha como Juiz, o mundo o conhecerá. Muitos dizem que são de Cristo, embora não o recebem porque não deixam seus pecados nem permitem que Ele reine sobre eles.
Todos os filhos de Deus são nascidos de novo. este novo nascimento é por meio da palavra de Deus (1 Pe 1.23), e pelo Espírito de Deus Enquanto a Autor. Por sua presença divina, Cristo sempre esteve no mundo, porém, agora que chegaria o cumprimento do tempo, Ele foi, de outra forma, Deus manifestado na carne. Observem-se, não obstante, os raios de sua glória divina que perfuraram este véu de carne. Embora esteve na forma de servo, no que diz respeito às circunstâncias externas, a respeito da graça sua forma foi a do Filho de Deus cuja glória divina se revela na santidade de sua doutrina e em seus milagres. Foi cheio de graça, completamente aceitável a seu Pai, portanto, apto para interceder por nós; e cheio de verdade, plenamente ciente das coisas que revelaria.

Comentário Bíblico Matthew Henry Conciso AT/NT – Matthew Henry –  CPAD

Antes que a fé possa produzir o novo nascimento, deve haver um objeto sobre o qual repousar, tal como a encarnação do Verbo, o Filho de Deus. Deus, tendo se expressado na criação e na história, onde a atividade do Logos era evidente mas a sua pessoa velada, agora se revelava através do Filho em forma humana, que não era simples semelhança, mas carne, João poderia ter usado "homem" mas escolheu declarar a verdade da encarnação enfaticamente como se quisesse contrariar aqueles que tinham tendências gnósticas. Essa falsa visão de Cristo recusava-se a aceitar que a divindade pura pudesse assumir corpo material, uma vez que a matéria era considerada má (cons. I Jo. 4:2, 3; II Jo. 7).
Habitou. Tabernaculou. Em combinação com a glória sugere a personalização da nuvem luminosa que repousava sobre o tabernáculo no deserto (Êx. 40:34). O Verbo encarnado é também a resposta à oração de Moisés (Êx. 33:18). João não narra a Transfiguração, pois apresenta todo o ministério como uma transfiguração, exceto quanto à luz da qual fala, que é moral e espiritual (cheio de graça e de verdade e não algo visível, cons. Jo. 1:17).

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

Deus é maravilhosamente bondoso, piedoso e gracioso para fazer seus filhos sofrerem, mas é trrivelmente zeloso, fiel e justo para rejeitar, abominar e punir todos os pecados  pecadores. Como equilibrar ou solucionar isto? Ele mesmo nos proveu desde a fundação do Mundo com o Cordeiro Pascoal, Cristo. Enquanto a promesss não se fazia concretizada enviou juízos, livramentos, profetas, escritos... Ele mesmo desfez as diferenças em si mesmo. Fez a ligação, o conduto por onde a comunicação entre o divino e o humano pudesse fluir livremente de novo. E como Ele fez isto? “João responde: o Verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1:14).


2.2 Na Encarnação Deus comunicou vida, exemplo e ensino.

Conceitos orientadores: missão humana; desígnio divino; emissário; Emmanuel; Verbo Encarnado

Mais uma vez o apóstolo retoma o pensamento de Hb 2.14-18. Fazem parte da condição humana tanto o fato de que a pessoa é criatura como o fato de que pode ser tentada. Se Jesus se tornou ser humano, então ele também tinha de participar dessa realidade. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. A “fraqueza” do ser humano designa sua caducidade tanto no aspecto do corpo como da fé. Sua “enfermidade” consiste em que ele repetidamente cede à tentação, torna-se “fraco” (Mt 26.41). Justamente esse é o mistério incompreensível da vida de Jesus: que ele participou da nossa “fraqueza”, mas que jamais sucumbiu a ela. Jesus venceu a tentação. Ele comprovou “sua condição de Filho de Deus confiando, obedecendo e amando plenamente”.
A respeito de uma tentação especial que cercou Jesus temos informação apenas do que ocorreu imediatamente antes de que iniciasse sua atividade pública. Por ocasião de seu batismo Jesus havia recebido a confirmação divina: “Este é o meu Filho amado” (Mt 3.17). No deserto o diabo aproximou-se dele com a pergunta tentadora: “Se és Filho de Deus…” (Mt 4.3,6). Essas palavras lembram-nos de Gn 3.1: “É assim que Deus disse…?” Existe uma metodologia diabólica, na qual o diabo se repete. Atrás desse questionamento da filiação divina de Jesus encontra-se a concepção de Messias do judaísmo tardio, que desconhece o Messias sofredor. Constitui um faceta importante da tentação que surge de modo recorrente na vida de Jesus, de se esquivar do sofrimento. Encontramo-la também nas palavras insistentes de Pedro: “Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá”. Jesus as repele com a acusação: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens” (Mt 16.22,23).

Comentário Bíblico Esperança NT – Editora Evangélica Esperança

Pontos fundamentais comunicados por Deus a nós:

- Se fez carne igual a qualquer ser humano (Fl 2:5-8)
- Veio com sua própria vida e natureza a nós a para nós
- Nos mostrou como agir, mas só o faremos completamente depois de o receber e participar de sua perfeição
- Venceu todas as fraquezas e tentações humanas (Hb 4:15)
- Mostrou que um ser humano, nascido de novo, pode suportar e vencer
- Imitando a Jesus, o Verbo feito homem, nos tornamos mais que vencedores

Seus ensinamentos possuem autoridade sobre nossas vidas, porque sabemos que não se trata somente de doutrinas proferidas ou escritas, mas de exemplos de obediência até à Morte.


2.3 A comunicação feita através da encarnação transformou a Palavra de Deus em fato histórico

Conceitos orientadores: orientação divina; Shekynah; providêcia; provisão; profecias; promessas

Deus igualmente fala na história. Ele executa seu plano no decurso dos acontecimentos no âmbito do mundo dos povos. O NT, porém, não apenas conhece uma revelação genérica de Deus ao mundo gentílico (At 17.26,27; Rm 2.14,15), mas ele está consciente de que Deus falou de modo especial na história de Israel: Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas. Com essa frase o apóstolo localiza-se conscientemente na tradição do AT. A história dos pais é para ele a história do falar divino. Nesta retrospectiva não pensamos apenas nos profetas literários, cuja mensagem nos ficou preservada até o presente pelos livros proféticos do AT, mas toda a história de Israel é acompanhada pela palavra dos profetas (Jr 7.25). Abraão e Moisés já são designados profetas (Gn 20.7; Dt 18.15,18; 34.10; Os 12.14). O tempo dos profetas começa particularmente com a decadência do sacerdócio sob Eli e seus filhos e com o início do reinado terreno em Israel. Geração após geração, até a destruição de Jerusalém, Deus envia a seu povo pessoas que foram incumbidas por ele de transmitir a Israel e seus reis a mensagem de Deus. Os profetas do AT não são apenas os emissários de Deus que devem anunciar sua palavra de juízo e clemência (2Rs 17.13; Is 61.1,2; Jr 23.25-32). São pessoas que se encontram sob uma iluminação especial do Espírito Santo (1Pe 1.11) e sob a proteção singular de Deus (Sl 105.15). Ao mesmo tempo, o Senhor concede-lhes conhecimento acerca de seus planos, autorizando-os, assim, para a oração e intercessão. O profeta Amós testemunha: “Certamente, o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Am 3.7). São eles os portadores dos mistérios das revelações de Deus.

Comentário Bíblico Esperança NT –  Editora Evangélica Esperança

Deus se utilizou de várias formas, meios e modulações da comunicação. O escritor da carta aos Hebreus resume, de forma reveladora e graciosa, a história e o ápice das providências comunicativas de Deus em direção à humanidade (Hb 1:1). Por meio da encarnação pudemos ouvi-lo e entendê-lo, porque Deus e Sua Palavra se tornaram, para nós, fato histórico, realidade palpável, verdade tangível. É Deus feito homem, falando-nos em Seu próprio Nome, e na linguagem que podemos entender.



3. Para efetuar a salvação do Mundo Deus se fez homem

Deus necessitava encarnar-se para redimir a humanidade? Ele não poderia resgatá-la de outro modo? Se poderia salvá-la de outro modo, por que não o fez? Entre as respostas teológicas para a encarnação do Verbo, destacaremos apenas as que se relacionam com as providências divinas essenciais à comunicação:

3.1 A necessidade da encarnação para salvar a Humanidade

Conceitos orientadores: pecado original; condenação; sacrifícios limitados; tentações malígnas

Eu sou o Deus Todo-poderoso (El Shadday). Treze anos mais tarde Deus apareceu a Abrão, trazendo uma reafirmação, um desafio e uma promessa ainda mais rica. Mudou o nome de Abrão e o de sua mulher. Deu-lhe orientação específica quanto ao rito da circuncisão. O nome divino El Shadday, com sua mensagem, "Nada é impossível a Deus, que é Todo-poderoso e Todo-suficiente", deve ter encorajado Abrão de maneira fora do comum. A palavra El Shadday evidentemente chama a atenção para esses dois atributos de Deus. Mestres judeus da antiguidade declaravam que tem sua origem em sh-da que significa "Aquele que é suficiente". Alguns mestres vêem sua origem na raiz sheidad, "destruir". Outros o relacionam com a palavra assíria sheidu, "montanha". A LXX nos dá hikanos, "suficiente". Talvez o tradutor deveria ficar o mais próximo possível do significado de "Todo-poderoso", especialmente porque a palavra El fala de poder. Aquele que tem todo o poder também tem todos os recursos de suprir cada necessidade do seu povo.

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

Santifica-os na verdade. Esta é a segunda oração em benefício dos discípulos. Santificar significa separar para Deus e santos propósitos. Aquilo que revela a santa vontade de Deus na sua verdade, e especificamente aquela verdade conforme preciosamente guardada na palavra das Escrituras. Nela se fica sabendo o que Deus exige e como Ele capacita as pessoas a cumprirem a exigência.
Ser enviado ao mundo por Cristo como Ele foi enviado pelo Pai é a mais alta dignidade concedido aos homens.
Cristo não precisou se santificar, pois já era santo. Mas Ele precisou dedicar-se (santificar-se) à sua vocação, para que os discípulos tivessem, além do Seu exemplo, também Sua mensagem para proclamar, e o poder que derivou do Seu sacrifício, a fim de proclamá-la com resultados.

Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular

Dizer que nós nos salvamos a nós mesmos é ridículo. Na Bíblia, somos chamados de "templo santo no Senhor" (Ef. 2.21). O templo não construiu-se a si mesmo. Cremos que Deus, o Pai, foi o arquiteto do templo. Ele planejou, Ele forneceu os materiais de construção e Ele terminará a obra. Não haveria necessidade alguma de um redentor se pudésse­mos salvar a nós mesmos. Mas éramos escravos de Satanás e não tínhamos como por nós mesmos quebrar o poder do pecado que nos aprisionava. Poderia o rebanho de Deus, o qual Cristo tomou das garras do leão, ter se libertado a si mesmo? Não, não podemos acreditar que Cristo veio para fazer o que os pecadores podiam fazer por si mesmos. Podem os mortos por si mesmos se fazerem vivos? Quem pode dizer que Lázaro, morto no túmulo, veio à vida por ele mesmo? Ainda que Lázaro pudesse se ressuscitar dentre os mortos nem assim creríamos que os mortos em pecado pudessem se fazer vivos!
Pecadores salvos pela graça de Deus, tornam-se novas criaturas em Cristo. Como poderia a criação ter feito a si mesma? Se temos uma nova criação, deve ter existido um criador.
E, do ponto de vista espiritual, regeneração é obra inteiramente de Deus, o Espírito Santo. Ninguém ajuda o Espírito Santo na Sua obra de regeneração.

Sermões Sobre a Salvação – C.H. Spurgeon – PES

O Senhor Jesus nos guardará em todos os momentos difíceis. Se estivermos fracos, e não vigiarmos, podemos cair em pecado. Se o buscarmos ele vem e nos faz levantar. Ele nunca desamparará quem nele crê.

1. Ele tem poder nos guardar de tropeços, enquanto andarmos pelo perigoso caminho que vai da Terra aos Céus.
2. Quando formos apresentados a Deus, estaremos imaculados. Como nós, pecadores, iremos estar sem faltas? Nosso Salvador é muito poderoso e sua obra é sempre perfeita.
3. Deus nos transforma em novas criaturas (pessoas). Em Cristo, Deus nos recebe como inculpáveis e bons. Põe em nossa alma e em nossos corações o desejo de sermos santos e bons.


3.2 A encarnação era necessária para a transculturação do Verbo entre nós

Conceitos orientadores: Reconciliação; Regeneração; Justiça Divina; Santidade e Pureza

A maneira de Cristo para ensinar diferia da dos escribas, pois eles ensinavam só porque haviam recebido autorização, entoando as tradições e preceitos e injunções duma lei que, na verdade, estava morta em suas próprias vidas. Cristo falava com autoridade. Era sua a autoridade de ensinar todas as pessoas, até o fim dos tempos. Este poder, por isso, também se evidenciou em seus ensinos que arrebatavam seus ouvintes com uma convicção maior do que a dum orador eloqüente. Ele falava as palavras da vida eterna. Não admira, que as pessoas estavam muito surpresas e admiradas, e que expressam, imediatamente, seu espanto. Aqui estava um mestre que tinha uma mensagem. As suas afirmações não somente eram claras, seus exemplos inteligentes, seus argumentos fortes, sua presença arrebatadora; mas ele tinha uma missão de professoro, e ele precisava ser escutado. Ele pregava a Palavra de Deus, como sendo a sua própria palavra.

Comentário Bíblico Popular –  Paul E. Kretzmann

Podemos definir como transculturação a manifestação social em que uma cultura se insere em outra, podendo ambas existirem, serem mútua ou unilateralmente influenciadas, fazendo surgir um novo modelo cultural. Através da encarnação, Deus se inseriu na cultura humana, mais precisamente, na judaica. Ele fez isto de forma tão plena, que ficou conhecido como o Nazareno, o filho do carpinteiro. Por causa deste perfeito ato de se comunicar através da transculturação, Ele (o Verbo) alcançou legitimidade para confrontar os declínios morais, sociais, espirituais, éticos e religiosos dos judeus (Mt 7:29; Lc 4:32; Jo 7:46), e propor-lhes um novo nascimento (Jo 3:3). A encarnação do divino no humano possibilitou o nascimento do humano no divino. Fez surgir novas criaturas, com nova mentalidade, nova natureza e vida, passando a constituir um novo povo, com um novo propósito e modo de viver, e um novo destino: a Igreja.


3.3 A encarnação foi necessária para que Deus nos demonstrasse sua solidariedade

Conceitos orientadores: Oniciência; Desobediência;

 A grande certeza que invade o nosso coração a cada luta, e a cada batalha, se sustenta de fato na inexplicabilidade do sacrifício de Jesus Cristo. Jesus Cristo, um justo, morre pelos ímpios, ou, na linguagem de Paulo, quando ainda éramos fracos, ou seja, quando não tínhamos absolutamente nada a oferecer. Paulo diz: “morrer por um justo já é complicado, quanto mais morrer por pecadores.” Como podemos, e como alcançamos este nível de esperança, este nível de certeza, que a cada tribulação ganhamos? Alcançamos através da compreensão cada vez maior que vamos ganhando do significado do sacrifício de Jesus. Vamos nos dando conta de que este sacrifício é a maior prova que Deus poderia ter dado de seu amor por nós, e vamos nos dando conta de que, sendo nós pecadores, fomos agraciados por tal nível de sacrifício; muito mais agora, que por meio da fé que nos foi doada e recebemos a justificação, seremos salvos pela vida de Cristo. Isto é, começamos a compreender que a morte de Cristo nos tirou do inferno, mas que a obra de Cristo não pára aí. O objetivo de Cristo é tirar o inferno de nós, e isto é obra da sua vida em nós.
Não somente Cristo morreu por nós, mas ele derramou a sua vida, o seu espírito em nós. E agora, a sua vida em nós há de nos fazer, cada vez mais, parecidos com ele, cada vez mais, vitoriosos. Com Cristo, de fato, alcançamos a glória, porque se, com a sua morte, ele nos tirou do inferno, com sua vida ele tira o inferno de nós. Esta é a grande obra do Espírito Santo. Assim, somos reconciliados com Deus, e compreendemos que se reconciliar com Deus é mais do que voltar para ele, mas é entrar nEle ao mesmo tempo em que Ele entra em nós. Reconciliação é uma transformação.

Carta de Paulo Aos Romanos – Ariovaldo Ramos

Deus não precisava tornar-se homem para se compadecer do sofrimento humano, para que pudesse ser misericordioso com os pecadores nem para ter piedade dos pobres e desvalidos deste mundo. O próprio Deus declara que é misericordioso, benigno, justo, sofredor, que conhece as dores humanas (Ex 3:7; 22:27; Jr 3:12; Is 54:8). Entretanto, era necessário que a humanidade, assentada na região da sombra da morte, percebesse que Deus lhe era solidário. A solidariedade demonstrada até as últimas consequências na encarnação e paixão do Verbo, é capaz de iluminar, libertar e enriquecer os que estão amedrontados e em grandes trevas e misérias, fazendo-os semelhantes Àquele que lhes foi solidário (Cl 1:13; Rm 6:4; I Pe 2:24; Hb 2:9, 10, 14 e 25). Isto faz da solidariedade um dos mais excelentes recursos de comunicação.



Conclusão

Hoje aprendemos que comunicar, no sentido mais aprofundado do cristianismo, é entender a doutrina da encarnação, aceitando-a, vivendo-a e testemunhando acerca dela. Assim podemos dizer que o modelo divino para a comunicação com a humanidade é a encarnação.


Fontes:

Bíblia Sagrada ARC/ARA/ACF/TB/BV/NTLH
Família Cristã (revista) – Editora Betel – 3º Trimestre 2013 – Lição 04
João: A Jornada da Fé – Bruce Mclarty – A Verdade para Hoje
À Imagem e Semelhança de Deus – Philip Yancey – Vida (trechos)
Comunicação (apostila) – Wellington Pereira da Silva
Comentário Bíblico Esperança NT – Editora Evangélica Esperança
Comentário Bíblico Moody AT/NT – Editora Batista Regular
Comentário Bíblico Matthew Henry Conciso AT/NT – Matthew Henry –  CPAD
Comentário Popular da Bíblia – Paul E. Kretzmann (dom. públ.) (link)
Como Nascer de Novo – Billy Graham – Betânia
Carta de Paulo Aos Romanos – Ariovaldo Ramos – www.ibab.com.br
Sermões Sobre a Salvação – C.H. Spurgeon – PES

Bibliografia indicada (estude mais)

Cristo, O Mediador (ebook)
Bíblia – A revelação de Deus para a Humanidade (link)
Como É que As Pessoas Conheciam Deus Antes da Bíblia? (link)
A Vida de Cristo (link)
La Vida de Jesucristo (ebook)

Questionário

1.    Dê uma definição de comunicação a partir da lição de hoje:
R: É a arte e a disposição que uma pessoa apresenta de se colocar em pé de igualdade com a outra...
2.    O que alterou a capacidade de relacionamento do Homem com Deus?
R: O Pecado.
3.    Qual o recurso mais sublime que Deus utilizou para comunicar-se com a Humanidade?
R: A Encarnação.
4.    Porque os ensinos de Jesus têm autoridade sobre nós?
R: Porque não se trata somente de um "Façam o que Eu mandei mas, também, de um “Imitem-Me''.
5.    Quais os 3 benefícios apontados da encarnação para a Humanidade?
R: Revelar-se a ela, salvá-la e santificá-la.

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