segunda-feira, 9 de junho de 2014

EBD Editora Betel - Enfrentando o Sentimento de Rejeição

Assembleia de Deus CONAMAD
Lição 11 – 15 de Junho de 2014
Revistaebd Revista escola bíblica dominical editora betel conamad Passagem bíblica trecho bíblico bíblia como estudar teologia bíblia escola dominical escola dominical betel escola biblica betel escola bíblica betel escola dominical conamad auxilio professor ajuda professor subsídio professor auxílio professor subsidio comentario ebd comentário bíblico ebd professor mestre comentário biblico escola dominical comentario biblico escola bíblica comentario bíblico pregação pregador palestra estudo bíblico bíblico
Base para o Trimestre

Clique aqui e leia nossa lista de estudos, artigos, apostilas, teses e dissertações que irão te dar bases ministeriais, acadêmicas e clinicais para poder periciar as lições deste trimestre. Leia, releia, anote e assista aos vídeos tantas vezes quantas forem necessárias. Tente ler todos os livros indicados (ao menos os examinem).

Texto Aureo

“E o Senhor, Deus de Israel, deu a Seom com todo o seu povo na mão de Israel, e os feriram; e Israel tomou por herança toda a terra dos amorreus que habitavam naquela terra.” Jz 11:21

Uma Advertência da História. Jefté agiu com grande prudência. Antes de se precipitar na guerra, tentou discutir a questão em foco em termos pacíficos e corteses. Em resposta à alegação de que Amom só estava tentando reconquistar territórios próprios, ele afirmou que, quando Israel entrara em cena, arrebatara a terra, não de Amom, mas dos amorreus. Além do mais, uma ocupação que já durava mais de 300 anos, e que nunca antes fora contestada, anulava os direitos do rei amonita.
Quando uma nação tem o Direito e a Justiça do seu lado e está lutando contra uma agressão, principalmente quando a escolha entre dois ideais está na balança, tem todo o direito de apelar para o Senhor, o Juiz, para defender sua causa.

Comentário Bíblico F. B. Meyer – F. B. Meyer

Verdade Aplicada

Por mais que não nos sintamos valorizados ou amados, devemos lembrar que o Amor do Nosso Pai e Sua Graça nos alcançam diariamente.
            O “sentir-se des/valorizado” (idem amado) está muito ligado ao nosso histórico de obsessões na “pétala do mal-me-quer”, como se o Mundo houvesse se conluiado contra nós (não interessa o motivo disso estar acontecendo, mas todos estão contra nós...). Veremos no discorrer da lição que na maior parte do tempo nada é ou está contra nós de fato. Casualmente sim, mas somos nós os maus entendedores: deixamos que pensamentos e traumas mudem o real quadro (ao menos o ampliamos dez vezes mais). O Maligno tem vantagens nisso, é bom lembrar!

Objetivos da Lição

Definir o que é o sentimento de rejeição;
Explicar como surge esse sentimento;
Mostrar como podemos vencer esse sentimento.

Textos de Referência

Jz 11:5 - Aconteceu, pois, que, como os filhos de Amom pelejassem contra Israel, foram os anciãos de Gileade buscar Jefté na terra de Tobe.
Jz 11:6 - E disseram a Jefté: Vem e sê-nos por cabeça, para que combatamos contra os filhos de Amom.
Jz 11:7 - Porém Jefté disse aos anciãos de Gileade: Porventura, não me aborrecestes a mim e não me repelistes da casa de meu pai? Por que, pois, agora viestes a mim, quando estais em aperto?
Jz 11:8 - E disseram os anciãos de Gileade a Jefté: Por isso mesmo tornamos a ti, para que venhas conosco, e combatas contra os filhos de Amom, e nos sejas por cabeça sobre todos os moradores de Gileade.


1. O que é o Sentimento de Rejeição

A Rejeição é uma das feridas emocionais mais comuns. A sensação de ser rejeitado, assemelha-se a ser jogado na lata do lixo da vida, é algo que machuca e deixa marcas que perseguem o indivíduo ao longo dos anos, condenando-o a um estado permanente de medo, tristeza e isolamento (Gn 3:9 e 10). O sentimento de rejeição pode ter origens em diversas situações: convivência familiar, escola, amizades, trabalho, relação amorosa, etc. Basicamente, a rejeição nasce em situações de decepção (especialmente com pessoas valiosas para nós) nas quais nos sentimos desvalorizados, injustiçados, como se não se importassem com nossos sentimentos nem reconhecessem nossos esforços.
Ressaltar, com os alunos, o quanto a raiz do sentimento de rejeição está na frustração de nossas expectativas sobre os outros.

O Sentimento de Exclusão é a sensação de estar de fora. Acontece quando os seguintes pensamentos invadem nossas mentes: “todos estão inseridos e só eu fiquei de fora”; “querem à todos, só não querem a mim”; “acolhem todos menos a mim”. Estes pensamentos têm um grande viés, principalmente na palavra todos, pense melhor e verá que além de você muitos e muitos outros também não foram inseridos, porque na realidade é impossível inserir a todos em tudo. Mas é assim que nos sentimos.
Este sentimento todos nós, seres humanos sentimos pela primeira vez na vida quando somos crianças e acreditamos ser o centro do universo. Porém, gradualmente, nos frustramos, e percebemos que o universo vive muito bem obrigado sem a gente. A exclusão acontecia a cada vez que não compreendíamos as conversas dos adultos e não participávamos do universo dos marmanjos, quando tínhamos que ir para o quarto e o papai e mamãe ficavam na sala, ou quando papai e mamãe iam para o quarto deles e ficávamos sozinhos no nosso quarto. Quando papai e mamãe se olhavam e diziam coisas um para o outro  e nós ficávamos de fora, sentindo-nos  excluídos. Então  descobrimos que não éramos o centro do universo. Isto gerou uma dor e esta dor volta a cada vez que acontecem eventos nos quais não estamos incluídos. Dependendo de como esta fase da infância de nossas vidas tenha sido elaborada e, consequentemente, de como anda a nossa autoestima, lidamos melhor ou pior com o sentimento de exclusão.
A Rejeição é um pouco diferente, acontece quando somos negados, tal qual um organismo nega o transplante de um novo órgão. Acontece quando uma mãe sente desejo de abortar um bebe; quando um bebe precisa de colo, afeto, carinho e não recebe; quando a criança corre para abraçar a mamãe ou o papai e o abraço não é retribuído; quando a criança pede um elogio e é rechaçada; quando uma criança solicita carinho e recebe um afastamento ou uma explosão num grito. Este sentimento também todos nós já sentimos na vida e de alguma maneira, uns menos outros mais, isto ficou marcado em nós.

psicologaresponde.wordpress.com


1.1 A rejeição na história de vida da pessoa

Poucos superam facilmente este sentimento. Se de fato houve uma rejeição (pode ser uma questão de paranóias), é preciso ter elevada confiança em si mesmo (nem sempre temos). Quanto mais baixa nossa auto-estima, quanto menos amor próprio, mais sujeitos somos à Rejeição. Ao perder uma pessoa amada ou uma colocação profissional, pode-se acreditar que não merecemos nada; somos indignos de ter algo. Talvez nos sentir completamente só e, principalmente, abandonados. Mesmo tendo elevada auto-estima, ou seja, cientes de nosso valor, tendemos a sentir os mesmos sentimentos quando há uma perda. Neste momento, o “controle” da situação (que até então acreditava-mos ter) desaparece e isso pode abalar todas as emoções.
Lidar com a rejeição não é simples. Geralmente nos remete inconscientemente a situações da Infância. Se alguém de alguma forma não nos aceita, e se tentarmos mudar nossa postura ou comportamento devido a isso para agradar, tudo tende a piorar. Na maioria dos casos, os outros dificilmente são os reais causadores do Sentimento de Rejeição: a sensação de sentir-se abandonado já existe na pessoa, de forma silenciosa. Os sentimentos anteriores somados aos atuais é que geram o problema dos sofrimentos (um desequilíbrio ou descontrole, na verdade).
Ressaltar que o mais importante para a origem do sentimento de rejeição é a interpretação que a pessoa faz de estar sendo rejeitada (exemplo do irmão mais velho do filho pródigo) e não necessariamente, ela estar realmente sendo preterida (exemplo dos filhos de Jacó).


1.2 Rejeição internalizada¹

Doenças psicossomáticas (a palavra somatos, em grego, significa corpo) são manifestações orgânicas que podem ser provocadas ou cujos sintomas podem ser agravados por problemas mentais ou emocionais. É um processo pelo qual a pessoa "transfere" para o organismo a carga emocional decorrente de algum problema que está vivendo. A conseqüência, muitas vezes, é o surgimento de uma doença ou o agravamento de uma já existente. Em outras palavras, é quando a pessoa, por não saber expressar suas emoções e externalizar seus conflitos de forma adequada, acaba por armazenar suas tensões em seu corpo.
Isso desencadeia processos no organismo, gerando o estresse que, em longo prazo, provoca o aparecimento de doenças. "Todos nós já percebemos que, quando passamos por momentos importantes de tristeza, ansiedade, raiva e problemas afetivos, nosso organismo reage. Conflitos que não encontram espaço para serem resolvidos na mente são transferidos para o corpo", comenta a psicóloga e psicoterapeuta Olga Inês Tessari.

olgatessari.com

Embora nem toda pessoa tímida ou introvertida tenha histórico de rejeição, há pessoas que internalizam o sentimento de rejeição e de não aceitação, gerando diversos outros sentimentos, como culpa e baixa autoestima. Outras consequências possíveis são timidez, complexo de inferioridade e dificuldade de se expressar ou expor sua opinião, gerando sofrimento para a pessoa (Jó 32:6).

¹ Nota MDA: Alertamos a possíveis conotações e/ou desvios quanto ao termo “internalizado(a)”, muito utilizado em defesa a supostos preconceitos homofóbicos. A rejeição tratada versa unicamente sobre capacidades pessoais diante de possíveis desaprovações de outros.


1.3 Rejeição externalizada²

Crianças que sofrem rejeição muitas vezes apresentam comportamentos externalizantes, tais como agressão e violência. A relação causal entre a agressão e rejeição é ainda indeterminada. Os pesquisadores Mitchell J. Prinstein e Anette M. La Greca relatam que evidências mostram que a agressividade infantil provoca rejeição dos colegas e o isolamento social cria o comportamento agressivo em crianças. Pesquisadores do "Child Development" (Desenvolvimento Infantil, em tradução livre) relatam que a rejeição se correlaciona fortemente com agressão quatro anos após o isolamento social. Ela tem um impacto duradouro e agressivo na infância e adolescência.

ehow.com.br

Roeser & Eccles (2000) propõem que as dificuldades comportamentais e emocionais, por sua vez, influenciam problemas acadêmicos e estes afetam os sentimentos e os comportamentos das crianças. Tais dificuldades podem expressar-se de forma internalizada ou externalizada. Segundo os autores, as crianças que apresentam pobre desempenho escolar e atribuem isso à incompetência pessoal apresentam sentimentos de vergonha, dúvidas sobre si mesmas, baixa estima e distanciamento das demandas da aprendizagem, caracterizando problemas emocionais e comportamentos internalizados. Aquelas que atribuem os problemas acadêmicos à influência externa de pessoas hostis experimentam sentimentos de raiva, distanciamento das demandas acadêmicas, expressando hostilidade em relação aos outros. Relatam ainda que os sentimentos de frustração, inferioridade, raiva e agressividade diante do fracasso escolar podem resultar também em problemas comportamentais.

Autoconceito de Crianças com Dificuldades de Aprendizagem e Problemas de Comportamento – scielo.br

Entretanto, o sentimento de rejeição também pode ser externalizado. Nesse caso, a pessoa canaliza agressividade para fora, como um mecanismo de defesa. Isto é, para defender-se da carência afetiva causada pela rejeição, a pessoa adota comportamento agressivo e arredio, justamente como estratégia para não mostrar sua fragilidade. Muitos são os exemplos de pessoas agressivas, soberbas, maledicentes ou aproveitadoras que, na realidade, encontraram nessas atitudes que humilham, agridem ou tiram vantagem do outro uma forma de lidar com seus próprios sentimentos de rejeição (Gn 37:18-20).
O raciocínio que se quer explicar aos alunos é de que a rejeição possui múltiplas faces e de que, mesmo pessoas “problemáticas”, podem também ser vítimas de seus sentimentos de rejeição.

² Nota MDA: Idem a nota anterior quanto às citadas possíveis confusões e/ou equívocos de sentidos e assuntos tratados.



2. A História de Jefté

Jefté era rejeitado e aparentemente destinado a ser infeliz. Ele era um homem valoroso, filho de um cidadão influente, porém sua mãe era prostituta. Portanto, seu nascimento não estava nos planos de seus pais. Ainda no ventre de sua mãe, já carregava o estigma de ser filho ilegítimo e nada poderia mudar esse fato. Mesmo antes de nascer Já fora rejeitado (Jz 11:1).
E importante ressaltar que embora o feto não seja capaz de falar ou pensar e ainda não tenha sido totalmente formado, segundo estudiosos, já é capaz de perceber os sentimentos e expectativas que seus pais nutrem em relação a ele. Durante a gravidez, mãe e filho compartilham, não apenas do mesmo alimento e do mesmo ar, mas de sensações, desgostos e sobressaltos comuns.

Filho de uma prostituta, foi rejeitado pelos irmãos e lançado fora da família. Era um caso que tinha todos os ingredientes para dar errado… E deu! Juntou-se a um bando de vadios e tornou-se um homem temível. Sabe lá Deus o que Jefté andou fazendo na companhia daquela cambada de marginais…
De alguma forma utilizou-se da própria raiva, da injustiça sofrida, para construir uma auto-estima notável… Jefté tomou uma atitude com respeito à rejeição sofrida. Não ficou pelos cantos cantando o hino oficial dos derrotados… Jefté foi à luta! Ergueu-se das cinzas da rejeição e construiu uma reputação para si.
Deus tem um carinho especial para com os rejeitados. Entretanto, a atitude daqueles que foram vitimados pela rejeição é fundamental para definir o curso que a vida seguirá. Apesar de tratado como bastardo e escorraçado de casa pelos irmãos da esposa legítima de seu pai, Jefté não permitiu que a amargura sufocasse o seu coração.

      Luiz Leite – montesiao.pro.br


Nota MDA: Não iremos nos aprofundar no controverso tema do Voto de Jefté. Nem muito menos defender nossa posição (de que sua filha foi sacrificada). Não é o bojo do estudo. Entretanto, deixaremos a dica do excelente estudo (nº9) no livro de Juízes de Bruce Mclarty (link). Leiam atentamente nas notas do rodapé da página 3, os argumentos favoráveis e os desfavoráveis. O estudo completo está em Antigo Testamento

2.1 Jefté e seus irmãos

Além da vergonha, Jefté teve ainda que lidar com a Rejeição: primeiro dos irmãos por parte de pai, depois dos líderes da cidade. Neste ponto já podemos entender por que “bem estar familiar” não era uma preocupação para Jefté porque ele não sabia o que era isso.
Mas o problema de Jefté não estava circunscrito a um traumazinho familiar, mas a um terrível drama existencial calçado num profundo sentimento de rejeição que diuturnamente golpeava a sua alma. Não deixemos de ver a indiferença do pai de Jefté diante de todos os dramas vividos por ele.
Enquanto Jefté sentia as conseqüências da imoralidade do pai, este nada fazia para pelo menos amenizar a sua dor, aumentado assim o seu drama: Pois além da rejeição ativa dos irmãos, ele ainda tinha que lidar com a rejeição passiva do pai. Jefté foge. Vai embora de casa. Abandona o lar.
Abertamente, responde a rejeição com rebelião. Ao fugir do linchamento emocional, Jefté leva consigo a dor da rejeição. A fuga é o escape dos que perderam a capacidade de lutar. Jefté vai para Tobe. A terra da orfandade; lugar para onde iam os renegados, os marginalizados. Os homônimos se atraem.

discipuladopauamrarelo.blogspot.com.br

Jefté (Quem Deus Liberta) se encontrava no exílio: fora rejeitado por seus irmãos por parte do seu pai devido ao fato de ser seu filho ilegítimo: sua mãe era uma prostituta. A lei de Moisés mandava "nenhum bastardo entrará na assembléia do SENHOR; nem ainda a sua décima geração entrará nela" (Dt 23:2).
Por causa de preconceitos e costumes da sociedade, vizinhança ou mesmo igrejas, existem pessoas que se acham isoladas ou afastadas da comunhão dos seus irmãos. Seu potencial não é usado. Sabemos que todo o crente tem um lugar na família de Deus. Procuremos ajudar essas pessoas a serem aceitas em virtude do seu caráter e dos seus dons. Deus poderá usá-los.

David Jones – bible-facts.info

Além de ser rejeitado pelos pais e pela sociedade antes mesmo do seu nascimento, Jefté enfrentou mais um momento difícil. Quando era jovenzinho, foi expulso por seus irmãos mais novos (Jz 11:2), e os moradores da cidade, movidos pelo preconceito, apoiaram tal decisão. Ninguém moveu uma palha em seu favor.


2.2 As consequências da Rejeição na vida de Jefté

O tempo veio em que Jefté foi lembrado como opção para enfrentar aqueles que oprimiam seu povo. Procuraram-no e ofereceram-lhe a liderança da nação se concordasse em defendê-los contra os inimigos. Em vez de recorrer ao revanchismo e choramingar pela humilhação a que fora submetido, Jefté aceitou de bom coração a proposta e em momento algum remexeu o passado triste.
Quando adotamos uma postura positiva, ainda que o sofrimento prove-se grande demais, o resultado será surpreendente. Outros rejeitados ilustres, como Jefté, apresentaram uma atitude nobre diante da rejeição. Estes acabam honrados no final da história…
A Palavra de Deus cumpriu-se na vida de Jefté. Em lugar da vergonha, ele recebeu dupla honra. O segredo está na forma como ele reagiu ao agravo sofrido. De acordo com a resposta, a Rejeição pode construir ou destruir… Deus sempre ajuda os rejeitados que apresentam uma atitude correta… Deus os resgata da beirada do precipício.
Nada de amargura, nada de rancor, nada de vingança, nada de revanche…Vamos levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima! E isto com nobreza… Esta será, sem dúvida, a melhor resposta àqueles que te trataram com desprezo!

      Luiz Leite – montesiao.pro.br

Na vida de Jefté, aos traumas antigos somavam-se os novos. Era rejeição sobre rejeição, empurrando-o na direção perigosa de uma vida dominada pela revolta. A Bíblia diz que ele fugiu para a terra de Tobe (Jz 11:3). Os sucessivos golpes haviam transformado Jefté num homem revoltado. Ele enveredou pelo caminho do crime. Formou um bando com outros tão amargurados quanto ele.
Várias pessoas, ao sentirem-se rejeitadas, abandonam a família, os amigos e a igreja, passando a frequentar lugares perigosos e deprimentes, achando em seu interior que não merecem coisas boas.


2.3 Dificuldade em lidar com a autoridade

Havendo liderança, estarão presentes os conceitos de autoridade, submissão e obediência. Embora já tenhamos consciência sobre o assunto, precisamos compreendê-lo com mais profundidade. Quando compreendemos, agimos com base em propósitos conscientes e de modo mais eficiente, deixando de viver apenas reagindo de maneira instintiva.
Termos como “submissão” e “obediência” podem produzir alguma resistência interior. De onde vem esse sombrio sentido que muitas vezes envolve a noção de submissão? Existem marcas do passado, coletivo e até individual, que causam esse pensamento. Quando olhamos para trás, nos lembramos do autoritarismo representado pela escravidão, experiência comum a tantos povos em tantas épocas, e também nos assustam as ditaduras governamentais. A experiência que se teve, ou que não se teve com os pais, é um dos fatores mais decisivos na noção que cada pessoa tem sobre a relação de autoridade e submissão. Por isso, é tão importante que pais e filhos sejam instruídos para que tenham um relacionamento sadio. Um filho que se rebela contra os pais, terá dificuldades para se submeter a qualquer outra autoridade durante toda a sua vida. Entretanto, os próprios pais podem ter sido responsáveis por esse dano, não tendo exercido corretamente sua autoridade.

Anísio Renato de Andrade – adbezerrospe.wordpress.com

Os que sofrem de sentimento de rejeição geralmente têm um comportamento negativo em relação à autoridade e costumam se revoltar contra alguém que lhes tenta impor algum limite, pois entendem isso como sendo mais um ato de rejeição a seu respeito. Em nenhum momento, Caim aceitou que o Senhor tinha rejeitado a sua oferta, porque suas obras eram más (I Jo 3:12), mas entendeu que estava sendo rejeitado, irando-se fortemente (Gn 4:5), não reconhecendo a autoridade do Senhor em sua vida. Em nossas igrejas, quase sempre nos deparamos com pessoas que agem dessa forma, não aceitando a autoridade dos pastores e líderes (Gn 4:7 e 8).
O mais maravilhoso na história da vida de Jefté é que sua situação mudou radicalmente. De um fora da lei, tornou-se um herói nacional e juiz de Israel. E ainda com direito a fazer parte da seleta “Galeria da Fé” (Hb 11.32). Nosso Deus é aquele que joga por terra todas as previsões, diagnósticos, prognósticos e expectativas humanas. E assim como Jefté todos que se sentem rejeitados podem modificar a sua situação com a ajuda divina.



3. O Sentimento de Rejeição na Igreja

O sentimento de rejeição tende a aflorar em momentos em que nos sentimos confrontados com alguma situação que nos faça sentir preteridos ou menosprezados em relação a algo ou a alguma pessoa. Esse sentimento tem afligido muitos cristãos. Alguns se têm esquecido de que são filhos de Deus e que nada os poderá afastar do grande amor que o Senhor expressou por eles (Rm 8:39). Esses irmãos tentam, de todas as maneiras, serem notados, e buscam o reconhecimento, muitas vezes, com atitudes que prejudicam a outros; e visam à glória humana, esquecendo-se de que quem nos glorifica e exalta é o Senhor.
Não é o lugar que faz a pessoa, mas a pessoa curada que faz seu lugar. Do mesmo modo, viver dentro de uma igreja não nos tornará saudáveis se nossos problemas existenciais não forem encarados, reconhecidos e resolvidos.

A Bíblia nos diz que devemos colocar Deus e os outros acima de nós mesmos, às vezes deixando de lado nossas próprias necessidades e desejos, por amor ao reino de Deus.
Será que Deus supre as nossas necessidades? Claro que sim! Devemos pedir-Lhe que supra nossas necessidades legítimas, segundo Suas riquezas? Sim! Entretanto, o problema está na definição dessas necessidades quando o foco é colocado no eu – aceitação, aprovação e prazer – em vez de, por exemplo, ousadia para pregar o evangelho ou recursos para servir a Deus. Além disso, Meyer (e outros) critica os que põem suas próprias necessidades em segundo plano para servir aos outros: “Pessoas que querem agradar os outros costumam abrir mão de suas próprias necessidades legítimas regularmente, e com muita facilidade” (AA).
Negligenciar necessidades realmente legítimas (por exemplo, a saúde ou o sono) para atender a propósitos ímpios de outras pessoas e obter sua aprovação pode ser um problema. No entanto, a Bíblia nos diz que devemos colocar Deus e os outros acima de nós mesmos, às vezes deixando de lado nossas próprias necessidades e desejos, por amor ao reino de Deus. Ao longo da história (e ainda hoje), houve mártires que sacrificaram a própria vida pela fé cristã. Qual seria a reação desses santos diante do ensino psicológico de que suas “necessidades” pessoais de aceitação, aprovação e prazer são mais importantes que o evangelho?

paraessesdias.wordpress.com


3.1 O Sentimento de Rejeição pode ser perigoso

O relacionamento que vai mal, o chefe que faz a maior pressão no trabalho e aquele problema que você tenta resolver há meses te tiram o sono? Que tal desabafar?
Muita gente fica remoendo a mágoa e prefere reprimir a dor por medo de expor os sentimentos ou por não conseguir colocar para fora toda a angústia que está ali martelando sem parar e acaba não percebendo que estocar mágoas e sofrimentos faz mal para a saúde e para o coração.
"Nosso organismo não foi feito para guardar mágoas e sentimentos ruins. Tanto o corpo quanto a mente vão pesando na medida em que eles se acumulam e uma hora a panela de pressão transborda na tentativa de aliviar o sofrimento. É um processo natural", explica a psicóloga e coordenadora do Setor de Gerenciamento de Qualidade de Vida da Unifesp, Denise Diniz.
"O grande problema é que na hora da explosão, a pessoa se sente tão sufocada que sai atirando para todos os lados magoando as pessoas que estão ao seu redor sem perceber. É preciso tempo e paciência para aprender a lidar com os sentimentos sem ferir as pessoas e nem a si mesmo".
Os sentimentos ruins são frutos de expectativas frustradas. Colocamos no outro ou naquela oportunidade a responsabilidade de resolver nossos problemas como se eles não fossem consequências dos nossos próprios atos, daí a mágoa e o ressentimento.
Na medida em que não extravasamos este sentimento e vamos dando a ele uma conotação negativa maior do que de fato ele deveria ter, sufocamos nossos limites emocionais e daí aparecem os sintomas físicos. "Todos nós criamos expectativas sobre a vida e toleramos até certo limite algumas frustrações. Quando elas extrapolam este limite, que é pessoal, e nos fazem sofrer, significa que algo está em desequilíbrio e é preciso resolver".

Natalia do Vale – minhavida.com.br

As atitudes dos outras nem sempre são respostas a nós (apenas, talvez, “caíram” sobre nós). Muitos agem desequilibradamente há anos e desculpam-se que “foi a situação”: usam quem quer que seja (geralmente os mais fracos) para descarregarem-se.
Em relacionamentos, todos são seres humanos (como nós, ainda que não creiamos...). Respostas agressivas são muito mais em função de conflitos internos, nada nos dizendo respeito.
Nossas fraquezas podem tornar a realidade interna alheia (grosserias e etc.) em conclusões erradas (rejeição, desaprovação) e até em ‘certezas’ do que não existe (ou nunca existiu). Não podemos ignorar que os outros possam sofrer (mesmo que façam outros sofrer junto) e nem supervalorizar nossas panes e nem as opiniões ou aprovações sobre nós: Deus e a Palavra nos bastam! Devemos satisfazer as próprias carências. Não é dever de outros! Na verdade, a principal rejeição não vem de fora, mas de dentro de nós mesmos e resulta na falta de amor-próprio ou confiança.


3.2 Deus nunca se esquece

Não acredito que números sejam mágicos, mas o 40 é citado diversas vezes na Bíblia. Por exemplo, quando Deus mandou o dilúvio, choveu 40 dias e 40 noites (Gn 7.12); Nínive seria destruída depois de 40 dias (Jn 3.4); Jesus ficou 40 dias em jejum (versículo em destaque). Moisés teve sua vida marcada de 40 em 40 dias ou anos. Ele viveu 40 anos no Egito e outros 40 no deserto, sendo preparado por Deus para conduzir o povo. O texto de hoje também menciona períodos de 40 dias. Porém, os israelitas não souberam suportar as dificuldades nem aguentaram esperar. Passaram 40 anos vagando no deserto, acabando por morrer ali mesmo, sem poder entrar na terra prometida devido à sua desobediência. Da conquista participaram somente seus descendentes e Josué e Calebe – estes, por causa da sua fidelidade a Deus.
Talvez 40 dias seja muito tempo quando se espera algo de Deus, como uma resposta; mas é pouco quando se tem a agradecer e servir. Que possamos aprender a não deixar o tempo nos afastar de Deus, mas que usemos melhor nossos dias para buscar a presença de Deus e nos aproximar dele.

      Muito Tempo – rtm.radio.br

Jamais seremos esquecidos ou desamparados. Assim, não há razão para nos sentirmos rejeitados. O caminho para a cura está em crermos que Deus se importa conosco, apesar das nossas imperfeições, Ele nos ama profundamente. Antes de sermos concebidos no ventre materno, fomos gerados no coração de Deus.
Não limitar todas as esperanças da vida a um único relacionamento, ou seja, dedicar-se apenas ao marido, filho, a esposa, a mãe, ou a um emprego. Não tendo mais nenhum outro objetivo, nem outras pessoas ou fatos importantes (e principalmente não objetivando cuidar de si mesmo), quem venha a sofrer rejeições ou imaginações (pensa que foi rejeitado e cria a dor), não terá nenhum ponto de apoio. Admitamos que podemos um dia ficar sozinhos. Sobreviveremos e correremos menos riscos de dores e/ou lamentos! Teremos maior liberdade para re-arrumar a vida sem sentimentos de culpa (isso não é pessimismo: é preparação mental para possibilidades da Vida).

3.3 Como combater o Sentimento de Rejeição?

Tente o auto-conhecimento. Entenda quais atividades você gosta de fazer e por quê, quais as suas crenças sobre a vida e sobre o mundo. Entre em contato com pessoas que tem muito em comum com você, ao invés de tentar ultrapassar a barreira social.
Leve sua vida com base naquilo que você escolheu fazer e envolva-se; não fazendo isso, você corre o risco de se sentir inseguro e viver uma vida direcionada por outras pessoas. É fácil, às vezes, deixar que nossos amigos mais efusivos e sociais arrumem nossa vida social por nós, mas quando deixamos que isso aconteça esquecemos que estamos deixando de cumprir com a nossa parte do trato.
Se você está completamente sozinho e não tem um amigo ou familiar com quem possa passar algum tempo ou conversar, procure aconselhamento. Um consultor treinado pode ajudar você a construir amizades saudáveis e a entender as coisas que podem estar te impedindo de conseguí-las. Às vezes tudo o que se precisa é de uma visão exterior.

pt.wikihow.com

Nunca podemos perder nosso referencial interno ou mesmo reduzir nossas esperanças ou por nossa expectativa de vida sob os rumos de algo que não controlamos: os sentimentos e as reações de outrem.
Mesmo preteridos (isso é possível e até rotineiro) a Vida não deixará de existir. Ainda que rejeitados ou que desejos, sonhos ou projetos deixem de ser realizáveis, podemos aproveitar a chance de “dar um pós-embalo” e temos (nos darmos outra chance de insistir) a possibilidade de prosseguir em busca daquilo que realmente queremos. Não devemos nunca depender da atitude ou pensamento de outra pessoa para termos certeza de nosso real valor. Isso é superar-se. Tenhamos planos “B”, “C” e o ânimo de refletir, repensar, recalcular e tocar o barco.
Cabe ressaltar a importância dos irmãos da igreja no aconselhamento aos crentes que manifestam atitudes derivadas de sentimentos de rejeição. Paralelamente, pode ser necessário encaminhá-los a um profissional competente, para que se possa ter um diagnóstico preciso. Dessa forma, ficará mais fácil para o indivíduo fortalecer a sua comunhão com Deus.



Conclusão

O Sentimento de Rejeição pode ser provocado por diversos motivos, alguns deles foram citados nesta lição. Contudo nenhum deles é suficiente para vencer o poder de Deus na vida do servo fiel, que tem certeza das promessas de Jesus (Mt 11.28). Com uma orientação profissional terapêutica, o indivíduo obterá os meios necessários para ficar firme na presença de Deus.

Fontes:

Bíblia Sagrada ARC/ARA/ACF/TB/BV/RV/NTLH
Enfermidades da Alma (revista EBD professor) – Editora Betel – 2º Trimestre 2014 – Lição 10
As Doenças do Nosso Século (revista EBD) – 3º Trim/2008 – CPAD
Vencendo as Aflições da Vida (Revista EBD) – 3º Trim/2012 – CPAD
Novo Dicionário da Bíblia – John Davis – Ed. Hagnos
Enciclopédia Ilúmina
O Antigo Testamento Interpretado – Norman Champlin – Hagnos
O Novo Comentário da Bíblia – F. Davidson – Vida Nova
Comentário Bíblico F. B. Meyer – F. B. Meyer – Ed. Betânia
Comentário Bíblico Matthew Henry (Conciso) – Matthew Henry – CPAD
Comentário Bíblico Moody – Editora Batista Regular
Comentário Bíblico Esperança NT – Editora Evangélica Esperança
Ajudando uns aos outros pelo Aconselhamento – Gary R. Collins – Vida Nova
Aconselhamento Cristão – Gary R. Collins – Vida Nova
Princípios Básicos de Aconselhamento Bíblico – Dr. Lawrence J. Crabb – Refúgio
Jesus, O maior Psicólogo que já existiu - Mark W. Baker – Sextante
O Líder que Deus Usa – Russell P. Shedd – Vida Nova
Em Busca de Deus (Teologia da Alegria) – John Piper – Ed. Shedd
Cura e Edificação do Líder – Marcos de Souza Borges – Ed. JOCUM
Problemas Cruciais: Uma perspectiva bíblica (link)
A Responsabilidade Pessoal pelos Atos Humanos e o Destino (link)
A Bíblia tem Solução para os Problemas da Depressão, Tendências Suicidas, emocionais e outros problemas similares? (I) (II)
Restauração da Alma - O que é o que não é? (link)
Auto-confrontação (link)
Quadro Avaliativo: Terapia Psicológica x Aconselhamento Bíblico (link)
Dor da Rejeição Ativa as Mesmas Áreas da Dor Física (link)
Efeitos Psicológicos da Rejeição pelos Pares (link)
Quando as Emoções Provocam Doenças (link)
Rejeição – Sentimento de inferioridade (link)
Exclusão e Rejeição, Dois Sentimentos Irmãos (link)
Jefté (link)
Raiz de Rejeição (vídeo)

Bibliografia Indicada (estude mais)

Amor e Compromisso (link)
O Sentimento de Rejeição (link)
Superar Rejeição Amorosa Equivale a Vencer um Vício, Diz Estudo (link)
Autoconceito de Crianças com Dificuldades de Aprendizagem e Problemas de Comportamento (link)

Questionário

1. Cite pelo menos duas situações que dão origem ao sentimento de rejeição?
R. Convivência familiar, no trabalho, na escola, etc.
2. Por que Jefté foi expulso por seus irmãos?
R. Porque ele era filho de outra mulher (Jz 11.2).
3. Como deve ser combatido o sentimento de rejeição no crente?
R. Com comunhão e oração, pois somos mais que vencedores (Rm 8.37).
4. O que pode acontecer com as pessoas que estão à volta de quem sofre de sentimento de rejeição?
R. Podem ter os sentimentos feridos.

5. Quais as duas formas de canalizar o sentimento de rejeição?

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Colabore conosco: escreva seus pontos de vista, opiniões ou críticas. Contamos contigo neste trabalho